Belas Mensagens
Como eu amo você... Daia!

AMO-TE

a

aAmo-te de uma forma, que é forte, profundo
Quando sinto a alma correr em disparada,
Ultrapassando o corpo, cair bem fundo
Ver o sentimento sair de forma inesperada.

Amo-te como se eu fosse um moribundo
Como se a luz de mim fosse negada.
Em você eu encontrasse a cura num segundo,
E do seu lado, eu não precisasse de mais nada.

Amo-te com todo fervor, luto a duras penas,
Para viver esse amor, agradeço em prece,
Com você sou única, vencedora e forte.

Amo-te, livre, como anjo em formas terrenas.
Pelo infinito de uma vida, como se desfalece,
Levada pela imortalidade da alma, meu norte.

Betânia Uchôa
a
Publicado no Recanto das Letras em 04/11/2009
a



21h44 |




Manuel Camilo dos Santos: 9 de junho de 1905 — 9 de abril de 1987



(...) Deus a todos deu um
dom
para com ele viver.
quem logo acertar com o seu
vive bem e tem proazer
e o que não acertar
só leva a vida a sofrer.

Uns têm o dom para artes
outros para a agricultura.
já outros para a ciência
porém outros é pra leitura.
enquanto uns vivem da
música
outros exercem a pintura.

Alguns têm o dom profético
outros o dom da cirurgia
uns têm o dom de comércio
o meu dom é poesia.
e nele graças a Deus
vivo bem, tenho alegria.

Cada um para o que nasce
apoiado este dizer.
mas muitos deixam o seu
dom
pensando enriquecer.
vão procurar longe
onde só acham o sofrer.

Manuel Camilo dos Santos

Fonte: http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/ManuelCamilo/manuelCamilo.html



21h03 |




Charles Baudelaire: 9 de Abril de 1821 — 31 de Agosto de 1867

Um Hemisfério numa Cabeleira

Deixa-me respirar muito, muito tempo, o aroma dos teus cabelos, aí mergulhar todo o meu rosto, como um homem alterado na água de uma nascente, e agitá-los com a minha mão como um lenço oloroso, para sacudir recordações no ar.

Se pudesses saber tudo o que vejo! Tudo o que sinto! Tudo o que escuto nos teus cabelos! A minha alma viaja no perfume como a alma dos outros homens na música.

Os teus cabelos contêm todo um sonho, pleno de velas e de mastros; contêm grandes mares cujas monções me transportam até climas deliciosos, onde o espaço é mais belo e mais profundo; onde a atmosfera é perfumada pelos frutos, pelas folhas e pela pele humana.

No oceano da tua cabeleira, entrevejo um porto enxameado de cantos melancólicos, de homens vigorosos de todas as nações e de navios de todas as formas recortando as suas arquitecturas finas e complicadas sobre um céu imenso onde se aloja o eterno calor.

Nas carícias da tua cabeleira, encontro os langores das longas horas passadas sobre um divã, na cabina de um belo navio, embalados pelo enrolar imperceptível do porto, entre os vasos de flores e os jarros de água refrescantes.

No lar ardente da tua cabeleira, respiro o aroma do tabaco misturado com o ópio e o açúcar; na noite da tua cabeleira, vejo resplandecer o infinito do azul escuro tropical; nas margens de penugem da tua cabeleira, embriago-me com os aromas combinados do algodão, do almiscar e do óleo de coco.

Deixa-me morder por longo tempo as tuas tranças pesadas e negras. Quando mordo os teus cabelos elásticos e rebeldes, tenho a impressão de comer saudades.

Charles Baudelaire

In: Pequena Antologia de Poemas Franceses
Tradução: Renata Cordeiro (Ed. Landy, 2002)
p. 60-1



21h03 |




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