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Antoine de Saint-Exupéry: 29 de junho de 1900 - 31 de julho de 1944

"(...) - Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.

 - O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

 - Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.

 - Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

 - Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...

 - Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar...."

Antoine de Saint-Exupéry

In: Pequeno Príncipe



- Postado por: Rodrigo às 22h15
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Cesar Veneziani - Avatar ou Nick

Avatar ou Nick

A vida moderna,
de pernas curtas,
mentira que se atira à nossa face,
é disfarce do que deveria ser.

Sonho?
Delírio, que cria mundo avesso ao que se vê.
É trapaça que passa como natural tal absurdo.

Hoje o eu morreu!
Cria-se uma imagem a esmo,
avatar ou nick:
isso não tem meu endosso!
Perco o pique:
sou mesmo de carne e osso!

(18/07/2009)

Cesar Veneziani

Fonte: http://belasmensagens.zip.net/



- Postado por: Rodrigo às 11h45
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Mário Quintana: 30 de julho de 1906 — 5 de maio de 1994

Do Bem e do Mal

No fundo, não há bons nem maus. Há apenas os que sentem prazer em fazer o bem e os que sentem prazer em fazer o mal. Tudo é volúpia...

Mario Quintana

In: Caderno H



- Postado por: Rodrigo às 10h30
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Mário Quintana: 30 de julho de 1906 — 5 de maio de 1994

DAS ALIANÇAS DESIGUAIS

Gato do Mato e Leão, conforme o combinado,
Juntos caçavam corças pelo mato.
As corças escaparam... Resultado:
Não escapou o gato

Mario Quintana

In: Prosa e verso.
2a. edição Porto Alegre, Globo,1980.
p. 41



- Postado por: Rodrigo às 10h10
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Mário Quintana: 30 de julho de 1906 — 5 de maio de 1994

Se eu Fosse um Padre

Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
- muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
... a um belo poema - ainda que de Deus se aparte -
um belo poema sempre leva a Deus!

Mario Quintana

Texto extraído do livro "Nova Antologia Poética", Editora Globo - São Paulo, 1998, pág. 105.



- Postado por: Rodrigo às 10h09
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Luis Carlos Mordegane - Agradeço senhor

Agradeço senhor

Aos amigos que colocou em minha vida. Aos que conheço e aqueles que não tive o prazer de conhecer, mas que velam por mim em suas preces diárias.

Agradeço senhor:
Aos amigos que nos confortam nos momentos ruins e também aqueles que por estarem ausentes  sentem estes momentos tanto quanto nós.

Agradeço senhor:
Pelos dias em que pude ser útil aos que me cercam como também, por ter me facultado o dom da palavra amiga e assim poder levá-la aos que dela necessitam.

Agradeço senhor:
Por ter tantos amigos, quando muitos não os têm. Por ter feito de minha vida uma passarela constante, um desfile de seres lindos, trazendo consigo sorrisos.

Agradeço Senhor:
Até por aqueles amigos que me magoaram sem perceber, mesmo assim eu os amo e creio, que assim não agiriam se desse amor fraterno soubessem.

Agradeço Senhor:
Por Ter colocado em meu caminhar esta árvore chamada amigo, que cresce frondosa oferecendo sombra e guarida a quantos dela precisarem.

Agradeço Senhor:
Por me ensinar  que esta linda e benfazeja árvore para ter  longos galhos e ser assim, forte e  frondosa necessita ser constantemente regada com gotas de amor, carinho e compreensão.

Por fim, agradeço ao Senhor por ter colocado você em meu caminho.
Amigo, obrigado por você existir.

Luis Carlos Mordegane



- Postado por: Rodrigo às 17h22
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Clarice Lispector - Outros Escritos

"Tenho pouco a dizer sobre magia. E acho que o contato com o sobrenatural é feito em silêncio e [numa profunda] meditação solitária. A inspiração, para qualquer forma de arte, tem um toque mágico porque a criação é absolutamente inexplicável.”

Clarice Lispector

In: Outros Escritos – 2005



- Postado por: Rodrigo às 17h19
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Carlos Assis - No reino do dois mais dois

No reino do dois mais dois

O coração é valente
Não se intimida
Obedece a desejo

A mão é leviana
Abusa da espada e da força
faz da palavra seu grito

Saber errar
Saber com quem se deve errar
Saber que é preciso errar

O tempo todo os homens erram
Principalmente quando escolhem
O amor de suas vidas

Carlos Assis



- Postado por: Rodrigo às 17h14
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Mario Quintana - Os Parceiros

Os Parceiros

Sonhar é acordar-se para dentro:
de súbito me vejo em pleno sonho
e no jogo em que todo me concentro
mais uma carta sobre a mesa ponho.

Mais outra! É o jogo atroz do Tudo ou Nada!
E quase que escurece a chama triste...
E, a cada parada uma pancada,
o coração, exausto, ainda insiste.

Insiste em quê? Ganhar o quê? De quem?
O meu parceiro... eu vejo que ele tem
um riso silencioso a desenhar-se

numa velha caveira carcomida.
Mas eu bem sei que a morte é seu disfarce...
Como também disfarce é a minha vida!

Mario Quintana



- Postado por: Rodrigo às 11h31
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Casimiro de Abreu - Meus oito anos

Meus oito anos

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é - lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!

Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
- Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!

Casimiro de Abreu



- Postado por: Rodrigo às 11h27
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Tobias Barreto de Meneses: 7 de junho de 1839 — 26 de junho de 1889

Amar

Amar é fazer o ninho,
Que duas almas contém,
Ter medo de estar sozinho,
Dizer com lágrimas: vem,
Flor, querida, noiva, esposa...
Cabemos na mesma lousa...
Julieta, eu seu Romeu:
Correr, gritar: onde vamos?
Que luz! que cheiro! onde estamos?
E ouvir uma voz: no céu!

Vagar em campos floridos
Que a terra mesma não tem;
Chegamos loucos, perdidos
Onde não chega ninguém...
E, ao pé de correntes calmas,
Que espelham virentes palmas,
Dizer-te: senta-te aqui;
E além, na margem sombria,
Ver uma corça bravia,
Pasmada olhando pra ti!

Tobias Barreto



- Postado por: Rodrigo às 11h24
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Martha Medeiros - Cartas Extraviadas e outros poemas

87.

o que é mais sagrado, um amor
que permanece inalterado
ou a paixão, que te enfarta três vezes ao dia?

o que é mais danoso, um amor
que deixa a vida em ponto morto
ou a paixão, que te leva contra um poste?

o que é mais procurado, um amor
oferecido em classificados
ou a paixão, que nunca está onde se espera?

o que é mais calamitoso, um amor
gelatinoso ou a paixão explosiva?
não há resposta que nos sirva

Martha Medeiros

In: Cartas Extraviadas e outros poemas
ed. L&PM, 2001 - Porto Alegre
p. 100



- Postado por: Rodrigo às 00h13
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Cruz e Souza - A Grande Sede

A Grande Sede

Se tens sede de Paz e d'Esperança,
Se estás cego de Dor e de Pecado,
Valha-te o Amor, ó grande abandonado,
Sacia a sede com amor, descansa.

Ah! volta-te a esta zona fresca e mansa
Do Amor e ficarás desafogado,
Hás de ver tudo claro, iluminado
Da luz que uma alma que tem fé alcança.

O coração que é puro e que é contrito,
Se sabe ter doçura e ter dolência
Revive nas estrelas do Infinito.

Revive, sim, fica imortal, na essência
Dos Anjos paira, não desprende um grito
E fica, como os Anjos, na Existência.
 
Cruz e Souza

In: Últimos Sonetos



- Postado por: Rodrigo às 00h08
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Jorge de Sena - Como queiras, Amor...

Como queiras, Amor...

Como queiras, Amor, como tu queiras.
Entregue a ti, a tudo me abandono,
seguro e certo, num terror tranqüilo.
A tudo quanto espero e quanto temo,
entregue a ti, Amor, eu me dedico.

Nada há que eu não conheça, que eu não saiba
e nada, não, ainda há por que eu não espere
como de quem ser vida é ter destino.

As pequeninas coisas da maldade, a fria
tão tenebrosa divisão do medo
em que os homens se mordem com rosnidos
de mal contente crueldade imunda,
eu sei quanto me aguarda, me deseja,
e sei até quanto ela a mim me atrai.

Como queiras, Amor, como tu queiras.
De frágil que és, não poderás salvar-me.
Tua nobreza, essa ternura tépida
quais olhos marejados, carne entreaberta,
será só escárnio, ou, pior, um vão sorriso
em lábios que se fecham como olhares de raiva.
Não poderás salvar-me, nem salvar-te.
Apenas como queiras ficaremos vivos.

Será mais duro que morrer, talvez.
Entregue a ti, porém, eu me dedico
àquele amor por qual fui homem, posse
e uma tão extrema sujeição de tudo.

Como tu queiras, Amor, como tu queiras.

Jorge de Sena



- Postado por: Rodrigo às 00h05
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Composição: Frejat / Guto Goffi - Flores do Mal

Flores do Mal

Não me atire no mar de solidão
Você tem a faca, o queijo e meu coração nas mãos
Não me retalhe em escândalos
Nem tão pouco cobre o perdão
Deixe que eu cure a ferida dessa louca paixão
Que acabou feito um sonho
Foi o meu inferno, foi o meu descanso
A mesma mão que acaricia, fere e sai furtiva
Faz do amor uma história triste
O bem que você me fez nunca foi real
Da semente mais rica, nasceram flores do mal

Composição: Frejat / Guto Goffi



- Postado por: Rodrigo às 00h01
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Lya Luft - Convite

Convite

Não sou areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
não sou apenas a pedra que rola
na marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério.

A quatro mãos escrevemos o roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.

Lya Luft

In: Perdas & Ganhos
Editora Record - Rio de Janeiro, 2003
p. 12



- Postado por: Rodrigo às 00h09
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Clarice Lispector - Um sopro de Vida [trecho]

(...) Minha vida é um único dia. E é assim que o passado me é presente e futuro. Tudo numa só vertigem. E a doçura é tanta que faz insuportável cócega na alma. Viver é mágico e inteiramente inexplicável. Eu compreendo melhor a morte. Ser cotidiano é um vício. O que sou? Sou um pensamento. Tenho em mim o sopro? tenho? mas quem é esse tem? quem é que fala por mim? tenho um corpo e espírito? eu sou um eu? "É exatamente isto, você é um eu”, responde-me o mundo terrivelmente. E fico horrorizado. Deus não deve ser pensando jamais senão Ele foge e eu fujo. Deus deve ser ignorado e sentido. Então Ele age. Pergunto-me porque Deus pede tanto que seja amado por nós? resposta possível: porque assim nós amamos a nós mesmos e em nos amando, nós nos perdoamos. E como precisamos de perdão. Porque a própria vida já vem mesclada ao erro. (...)

Clarice Lispector

In: Um sopro de Vida
Editora Nova Fronteira
p. 17-18



- Postado por: Rodrigo às 00h04
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Emma Lazarus: 22 de julho de 1849 — 19 de novembro de 1887

The New Colossus

Not like the brazen giant of Greek fame,
With conquering limbs astride from land to land;
Here at our sea-washed, sunset gates shall stand
A mighty woman with a torch, whose flame
Is the imprisoned lightning, and her name
Mother of Exiles. From her beacon-hand
Glows world-wide welcome; her mild eyes command
The air-bridged harbor that twin cities frame.
"Keep, ancient lands, your storied pomp!" cries she
With silent lips. "Give me your tired, your poor,
Your huddled masses yearning to breathe free,
The wretched refuse of your teeming shore.
Send these, the homeless, tempest-tossed to me,
I lift my lamp beside the golden door!"

* * *

O Novo Colosso

Não como o gigante bronzeado de grega fama,
Com membros conquistadores a abarcar a terra
Aqui nos nossos portões banhados pelo mar e dourados pelo sol, se erguerá
Uma mulher majestosa, com uma tocha cuja chama
É o relâmpago aprisionado e seu nome
Mãe dos Exílios. Do farol de sua mão
Brilha um acolhedor abraço universal; Os seus suaves olhos
Comandam o porto unido por pontes que enquadram cidades gêmeas.
"Mantenham antigas terras sua pompa histórica!" grita ela
Com lábios silentes. "Dai-me os vossos fatigados, os vossos pobres,
As vossas massas encurraladas ansiosas por respirar liberdade
O miserável refugo das suas costas apinhadas.
Mandai-me os sem abrigo, os arremessados pelas tempestades,
Pois eu ergo o meu farol junto ao portal dourado."

1883

Emma Lazarus



- Postado por: Rodrigo às 00h01
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Artur da Távola - Sugestões para quem sofre

Sugestões para quem sofre

Experimente olhar tudo em seu fluxo de conexões e desconexões eternas e começara a compreender a complexidade de viver. Viver é o drama criativo da existência. Existir e insistir será sempre problemático. Impõe cautela, acuidade, observação, ausência de plenas respostas. Viver dói, mas cura. Apesar dos erros.

Repare em tudo o que começa a dar certo dentro de você, compatililizando seu ser com a sua vida. Prepare-se para o que começa a se encaminhar para o que é bom em você! Seja capaz de aceitar e também enfrentar tudo de melhor que tem. É preciso força e coragem para aceitar o bem que mora em nós. Coragem serena, não arrogância.

Prepara-se para a sua capacidade de amar, para sua melhor beleza, para fazer cada vez melhor o que você sabe, seja quindim, amor, coleção de selos, estudos transcendentais, harpa, pipoca, sinuca ou cirurgia ocular. Prepare-se para dar certo. Para ser querido. Para merecer o amor que teme.

Aceite a pluralidade da vida. Somos vários num só e há muitas verdades no mundo, todas precárias. "Há tantas religiões quanto pessoas" (dizia Gandhi). Há tantos métodos quanto indivíduos.

Experimente descobrir e até, se for possível, aceitar a visão da verdade que impulsiona o seu adversário e anima a luta de seu inimigo. Ouça o que ele tem a ensinar ainda que sob o manto da maldade ou da injustiça. Pense em todas as direções, com a mão e contramão em cada estrada.

Repare que só cresce e melhora quem enfrenta e aceita o seu pior. Abra-se sem receio para tudo o que seja compreensão, até do que nunca foi nem será entendido.

Aceite a complexidade que faz a vida e anima o homem a se agitar neste mundo, buscando realizar o que nunca conseguirá plenamente mas lhe dará o alívio do dever cumprido uma das grandes Graças de Deus.

Artur da Távola



- Postado por: Rodrigo às 00h19
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Bruna Lombardi - Alta tensão


Alta tensão

eu gosto dos venenos mais lentos
dos cafés mais amargos
das bebidas mais fortes
e tenho
apetites vorazes
uns rapazes
que vejo passar
eu sonho
os delírios mais soltos
e os gestos mais loucos
que há
e sinto
uns desejos vulgares
navegar por uns mares
de lá
você pode me empurrar pro precipício
não me importo com isso
eu adoro voar.

Bruna Lombardi



- Postado por: Rodrigo às 00h12
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Robert Burns: 25 de Janeiro de 1759 - 21 de Julho de 1796

Auld Lang Syne

Adeus, amor, eu vou partir
Ouço ao longe um clarim
Mas, onde eu for, irei sentir
Os teus passos junto a mim
Estando em luta, estando a sós
Ouvirei a tua voz

A luz que brilha em teu olhar
A certeza me deu
De que ninguém pode afastar
O meu coração do teu
No céu, na terra, aonde for
Viverá o nosso amor

Composição: Robert Burns

Ouça esta música aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=Dq0YJ5nHS5w



- Postado por: Rodrigo às 00h07
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Cesar Veneziani - Espelho Celeste

Espelho Celeste

amo a lua
a sua aura
     sempre acolhedora
a sua luz
     na noite que é a vida em solidão
 
amo a lua
que torna negros vultos
     doces duendes a cantar alegrias
que faz da penumbra
     manto aleitado a aquecer almas tristes
 
amo a lua
que reflete tua luz
     amor que me espera...

(09/05/2009)

Cesar Veneziani

Fonte: http://cesar.veneziani.zip.net/ 



- Postado por: Rodrigo às 10h16
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Dia do Amigo

Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...

Los Angeles, 07.12.1946

Vinicius de Moraes

In: Poesia completa e prosa: "Poesias coligidas"



- Postado por: Rodrigo às 00h43
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Francesco Petrarca: 20 de Julho de 1304 - 19 de Julho de 1374

Soneto 37

Novo piacer che ne gli umani ingegni
spesse volte si trova,
d'amar qual cosa nova
piú folta schiera di sospiri accoglia!
Et io son un di quei che 'l pianger giova;
et par ben ch'io m'ingegni
che di lagrime pregni
sien gli occhi miei sí come 'l cor di doglia;
et perché a cciò m'invoglia
ragionar de' begli occhi,
né cosa è che mi tocchi
o sentir mi si faccia cosí a dentro,
corro spesso, et rïentro,
colà donde piú largo il duol trabocchi,
et sien col cor punite ambe le luci,
ch'a la strada d'Amor mi furon duci.

* * *

Prazer estranho, que nas mentes humanas
muitas vezes se encontra
o de amar qualquer coisa nova
que acolha o mais forte tropel de suspiros!
E eu sou daqueles a quem chorar faz bem;
e bem parece que me esforce
para que de pranto cheios
estejam os meus olhos, como o coração de dor;
e porque a isso me inclina
falar dos belos olhos
não é qualquer coisa que me inspira
a sentir sua presença em minha alma
corro, amiúde, e retorno
para onde mais farta a dor transborde,
e entre os corações castiga a ambos a luz
que à estrada do Amor me foram doces.

Francesco Petrarca



- Postado por: Rodrigo às 00h29
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Marco Bastos - Musa

Musa

os meus versos, todos que te dou,
versos mais bonitos dessa vida,
são os diamantes da jazida
- são do amante que ainda sou.

versos-chama nos teus lábios cheios,
brisa dos caminhos sem vacilos,
arrepio dos pelos e mamilos,
sou farol que arde nos teus seios.

sou fado fundo, guitarra lusa,
dobrado sob a lua o meu gorgeio,
sou eu longe, longe da tua blusa,

triste com teus olhos rasos d´água.
- vesúvio no corpo que incendeio,
na alegria, sou o rio que em ti deságua.

Marco Bastos



- Postado por: Rodrigo às 00h20
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Carlos Drummond de Andrade - Quero

Quero

Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.
Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?
Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.
Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.
Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

Carlos Drummond de Andrade



- Postado por: Rodrigo às 00h12
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Anna Akhmatova - Separação

Separação

Nem semanas nem meses — anos
levamos nos separando. Eis, finalmente,
o gelo da liberdade verdadeira
e as cinzentas guirlandas na fachada dos templos.

Não mais traições, não mais enganos,
e não me terás mais de ficar ouvindo até o
amanhecer,
enquanto flui o riacho das provas
da minha mais perfeita inocência.

Anna Akhmatova

In: Anna Akhmátova - Poesia: 1912-1964
Tradução de Lauro Machado Coelho
Editora L&PM, 1991.



- Postado por: Rodrigo às 11h38
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Guilherme de Almeida - Flor do Asfalto

Flor do Asfalto

Flor do asfalto, encantada flor de seda,
sugestão de um crepúsculo de outono,
de uma folha que cai, tonta de sono,
riscando a solidão de uma alameda...

Trazes nos olhos a melancolia
das longas perspectivas paralelas,
das avenidas outonais, daquelas
ruas cheias de folhas amarelas
sob um silêncio de tapeçaria...

Em tua voz nervosa tumultua
essa voz de folhagens desbotadas,
quando choram ao longo das calçadas,
simétricas, iguais e abandonadas,
as árvores tristíssimas da rua!

Flor da cidade, em teu perfume existe
Qualquer coisa que lembra folhas mortas,
sombras de pôr de sol, árvores tortas,
pela rua calada em que recortas
tua silhueta extravagante e triste...

Flor de volúpia, flor de mocidade,
teu vulto, penetrante como um gume,
passa e, passando, como que resume
no olhar, na voz, no gesto e no perfume,
a vida singular desta cidade!

Guilherme de Almeida



- Postado por: Rodrigo às 11h34
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Oswaldo Antônio Begiato - Oração a mim mesmo

ORAÇÃO A MIM MESMO

Que eu me permita
olhar e escutar e sonhar mais.
Falar menos.
Chorar menos.

Ver nos olhos de quem me vê
a admiração que eles me têm
e não a inveja que prepotentemente penso que seja.
Escutar com meus ouvidos atentos
e minha boca estática,
as palavras que se fazem gestos
e os gestos que se fazem palavras

Permitir sempre
escutar aquilo que eu não tenho
me permitido escutar.

Saber realizar
os sonhos que nascem em mim
e por mim
e comigo morrem por eu não os saber sonhos.

Então, que eu possa viver
os sonhos possíveis
e os impossíveis;
aqueles que morrem
e ressuscitam
a cada novo fruto,
a cada nova flor,
a cada novo calor,
a cada nova geada,
a cada novo dia.

Que eu possa sonhar o ar,
sonhar o mar,
sonhar o amar,
sonhar o amalgamar.
Que eu me permita o silêncio das formas,
dos movimentos,
do impossível,
da imensidão de toda profundeza.

Que eu possa substituir minhas palavras
pelo toque,
pelo sentir,
pelo compreender,
pelo segredo das coisas mais raras,
pela oração mental
(aquela que a alma cria e
que só ela, alma, ouve
e só ela, alma, responde).

Que eu saiba dimensionar o calor,
experimentar a forma,
vislumbrar as curvas,
desenhar as retas,
e aprender o sabor da exuberância
que se mostra
nas pequenas manifestações
da vida.

Que eu saiba reproduzir na alma a imagem
que entra pelos meus olhos
fazendo-me parte suprema da natureza,
criando-me
e recriando-me a cada instante.

Que eu possa chorar menos de tristeza
e mais de contentamentos.
Que meu choro não seja em vão,
que em vão não sejam
minhas dúvidas.

Que eu saiba perder meus caminhos,
mas saiba recuperar meus destinos
com dignidade.
Que eu não tenha medo de nada,
principalmente de mim mesmo:
- Que eu não tenha medo de meus medos!

Que eu adormeça
toda vez que for derramar lágrimas inúteis,
e desperte com o coração cheio de esperanças.

Que eu faça de mim um homem sereno
dentro de minha própria turbulência,
sábio dentro de meus limites
pequenos e inexatos,
humilde diante de minhas grandezas
tolas e ingênuas
(que eu me mostre o quanto são pequenas
minhas grandezas
e o quanto é valiosa a minha pequenez).

Que eu me permita ser mãe,
ser pai,
e, se for preciso,
ser órfão.

Permita-me eu ensinar o pouco que sei
e aprender o muito que não sei,
traduzir o que os mestres ensinaram
e compreender a alegria
com que os simples traduzem suas experiências;
respeitar incondicionalmente
o ser;
o ser por si só,
por mais nada que possa ter além de sua essência,
auxiliar a solidão de quem chegou,
render-me ao motivo de quem partiu
e aceitar a saudade de quem ficou.

Que eu possa amar
e ser amado.

Que eu possa amar mesmo sem ser amado,
fazer gentilezas quando recebo carinhos;
fazer carinhos mesmo quando não recebo
gentilezas.

Que
eu jamais fique só,
mesmo quando
eu me queira só.

Amém.

Oswaldo Antônio Begiato



- Postado por: Rodrigo às 11h29
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Cesar Veneziani - Lenda e Fato

Lenda e Fato

se morreres me mato
porque além da vida
existirá vida além da vida
e a lenda viva
se tornará fato

07/07/2009

Cesar Veneziani

Fonte: http://cesar.veneziani.zip.net/



- Postado por: Rodrigo às 13h42
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CONVITE!

É com imenso prazer que venho convidar a todos aos eventos de lançamento do livro de poesias "Asas", numa parceria com a Editora Utopia e a Zazu Produções.

Dia 21 de julho, no Sarau Politeama que será realizado no Bar Fidalga 33 (Rua Fidalga, 32 - Vila Madalena) haverá o Pré-Lançamento e dia 31 de julho, no Sarau Sopa de Letrinhas que será realizado no Villaggio Café (Rua Teodoro Sampaio, 1229 - Pinheiros) haverá o Lançamento. Além do evento em si do lançamento do livro, no Sarau Sopa de Letrinhas eu serei o poeta homenageado do mês!

Conto com a presença de todos!
Abraços,

Cesar Veneziani



- Postado por: Rodrigo às 13h37
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Osho - Escute seu coração

A vida é uma escola, e, a menos que você aprenda a lição, terá de voltar repetidas vezes para a mesma série. E, uma vez aprendida a lição e aprovado no exame, então, mesmo que deseje voltar para a mesma série, perceberá que todas as portas estarão fechadas para você. Você terá de avançar para um nível de ser mais elevado, diferente.

Nós avançamos de uma forma para outra. O ser humano é a última forma. Além do ser humano, há uma consciência amorfa, cósmica.

Osho

In: Escute seu coração
São Paulo: Ed. Gente, 2006
p. 54-55



- Postado por: Rodrigo às 09h48
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Os diamantes são indestrutíveis?
Mais é meu amor.
O mar é imenso?
Meu amor é maior,
mais belo sem ornamentos
do que um campo de flores.
Mais triste do que a morte,
mais desesperançado
do que a onda batendo no rochedo,
mais tenaz que o rochedo.
Ama e nem sabe mais o que ama.

Adélia Prado



- Postado por: Rodrigo às 09h30
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Os afins se atraem

OS AFINS SE ATRAEM

Os afetos se atraem. Os desafetos se afastam. É uma questão de sintonia. Os afins se atraem e cada um se revela de acordo com o seu modo de pensar. Quem gosta da maledicência, da intrujice, do mexerico produz pensamentos correspondentes e atrai para junto de si, pessoas de igual gosto. Todos nós nos atraímos por pessoas de mesma energia vibracional!

Melhore a sua, que as pessoas que você encontrará pelo caminho e as situações serão melhores também!

Os “lobos” estão à espreita, ávidos por sugar nossas boas energias. Nem sempre atraímos pessoas ruins porque estamos ruins, mas porque estamos numa vibração boa e há aqueles que nos sugam.

Sê bom, dê o melhor de si, mas não ao ponto de fazer o “lobo” usar sua esperteza contra ti. Seja bom e receptivo com quem merece. É isto.

Desconheço o autor



- Postado por: Rodrigo às 09h08
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não tenho cadernos
tudo o que eu escrevo,
escrevo nas paredes do meu quarto.
Se é para estar presa,
que seja entre quatro poemas.

Rita Apoena



- Postado por: Rodrigo às 09h05
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Carlos Drummond de Andrade - O Amor bate na aorta

O Amor bate na aorta

Cantiga do amor sem eira
nem beira,
vira o mundo de cabeça
para baixo,
suspende a saia das mulheres,
tira os óculos dos homens,
o amor, seja como for,
é o amor.

Meu bem, não chores,
hoje tem filme de Carlito!

O amor bate na porta
o amor bate na aorta,
fui abrir e me constipei.
Cardíaco e melancólico,
o amor ronca na horta
entre pés de laranjeira
entre uvas meio verdes
e desejos já maduros.

Entre uvas meio verdes,
meu amor, não te atormentes.
Certos ácidos adoçam
a boca murcha dos velhos
e quando os dentes não mordem
e quando os braços não prendem
o amor faz uma cócega
o amor desenha uma curva
propõe uma geometria.

Amor é bicho instruído.
Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo sangue
que escorre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem,
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.

Daqui estou vendo o amor
irritado, desapontado,
mas também vejo outras coisas:
vejo corpos, vejo almas
vejo beijos que se beijam
ouço mãos que se conversam
e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas
que não ouso compreender...

Carlos Drummond de Andrade

In: Poesia Completa - Nova Aguilar
1a. ed. - 3a. reimpressão
BREJO DAS ALMAS, 2007
p. 46-8



- Postado por: Rodrigo às 17h33
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David Malouf

Pode ser que, no final, até mesmo as mentiras que contamos nos definam; e, algumas delas, muito melhor do que nossas melhores tentativas de alcançar a verdade.

David Malouf

In: Um monte de mentiras, para uma sociologia da mentira
Ed. Papirus
p. 27



- Postado por: Rodrigo às 17h23
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José Saramago - Arte de Amar

Arte de Amar

Metidos nesta pele que nos refuta,
Dois somos, o mesmo que inimigos.
Grande coisa, afinal, é o suor
(Assim já o diziam os antigos):
Sem ele, a vida não seria luta,
Nem o amor amor.

José Saramago

In: Os Poemas Possíveis



- Postado por: Rodrigo às 17h17
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山本常朝 - Hagakure

Dizem que o mestre Yagyu uma vez comentou:

“Eu não conheço o caminho para derrotar os outros, apenas o caminho da minha própria derrota”.

Yamamoto Tsunetomo

In: O Livro do Samurai - Hagakure
Ed. Conrad
p. 40



- Postado por: Rodrigo às 17h17
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Cecília Meireles - Improviso

Improviso

Eu mesma sou a culpada
dos malefícios alheios.
A quem não podia nada,
eu é que fui dar os meios
para me ver maltratada.

Vai correndo, fonte pura,
Não mires quem te bebeu.
Não queiras ver a criatura
que se nutriu do que é teu.
Salva-te da desventura.

Cecília Meireles

In: Mar Absoluto / Retrato Natural
Editora Record / Altaya.



- Postado por: Rodrigo às 17h11
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Ferreira Gullar - Passeio em Lima

PASSEIO EM LIMA

Debaixo desta árvore
sinto no rosto o calor
de suas flores vermelhas (como
se dentro de um relâmpago)
Podiam ser de trapo
essas flores, podia
ser de pano esse
clarão vegetal
que é a mesma matéria da flor,
da palavra
e da alegria no coração do homem.

Ferreira Gullar

In: Toda Poesia/ Dentro da Noite Veloz
Editora José Olympio



- Postado por: Rodrigo às 17h07
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Pedro Luís P. de Sousa: 13 de dezembro de 1839 — 16 de julho de 1884

O LEQUE DE MARFIM

Ela estava bonita a enlouquecer a gente!
Viva, fresca, feliz... gostei de vê-la assim!
Da música ao murmúrio estremecia ardente
E, rindo, machucava o leque de marfim.

Seus olhos eram negros, veludosos, puros...
Dois abismos! Dois céus! Fitei-os a tremer!
Costumado a trilhar caminhos sempre escuros,
Tenho medo da luz... Meu Deus, eu não quis ver.

Mas ela fascinava... Era um olhar, mais nada...
Rebelde, o coração nessa hora me traiu!
Aos dedos dessa virgem a ânfora sagrada
Entornando perfume à luz do sol se abriu.

Encostei-me ao piano. A chácara viçosa
Entoava das flores lânguida canção.
Eu cismava... - sei lá! - no céu, no mar, na rosa...
E minh'alma se foi nas asas da paixão.

Bem como o viajante em regiões polares
Que recorda chorando o seu torrão natal,
E avista de repente, incendiando os mares,
O divino esplendor da aurora boreal,

Assim eu triste, só, sem sombra d'esperança,
Dos gelos da descrença aonde vim parar
Sondei aquele riso! Amei essa criança,
Foi-me aurora de amor o negrejante olhar.

Brilhe embora uma vez... Banhou-me a luz divina
Vale uma eternidade um dia sempre assim...
Sempre hei de me lembrar da cândida menina
Que rindo machucava o leque de marfim.

9 de abril

Pedro Luís Pereira de Sousa

Fonte: http://www.academia.org.br

Arte: P. Picasso - "A Mulher com leque"



- Postado por: Rodrigo às 16h54
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“Não se preocupe com os outros que não o compreendem. Preocupa-se com o fato de você não compreender os outros”

Confúcio

In: Analectos, Capitulo 1, Verso 16



- Postado por: Rodrigo às 00h18
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Sophia de Mello Breyner Andresen - Liberdade

Liberdade

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

Sophia de Mello Breyner Andresen



- Postado por: Rodrigo às 00h11
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Olavo Bilac - A um Poeta

A um Poeta

Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!

Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço; e a trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua,
Rica mas sóbria, como um templo grego.

Não se mostre na fábrica o suplício
Do mestre. E, natural, o efeito agrade,
Sem lembrar os andaimes do edifício:

Porque a Beleza, gêmea da Verdade,
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.

Olavo Bilac



- Postado por: Rodrigo às 00h05
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Nietzsche - "atravessar o rio da vida"

“Niemand kann dir die Brücke bauen, auf der gerade du über den Fluß des Lebens schreiten mußt, niemand außer dir allein.
Zwar gibt es zahllose Pfade und Brücken und Halbgötter, die dich durch den Fluß tragen wollen; aber nur um den Preis deiner selbst; du würdest dich verpfänden und verlieren. Es gibt in der Welt einen einzigen Weg, auf welchem niemand gehen kann, außer dir: wohin er führt?“

Nietzsche

* * *

"Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar para atravessar o rio da vida - ninguém, exceto tu, só tu.
Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias. Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Onde leva? Não perguntes, segue-o."

Nietzsche



- Postado por: Rodrigo às 00h01
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Fernando Pessoa - O que me dói

O que me dói

O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...

São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.

São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caissem suas folhas
Entre o vestigio e a bruma.

Fernando Pessoa



- Postado por: Rodrigo às 00h20
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Lya Luft - Rosto com dois perfis

Rosto com dois perfis

Renuncio às palavras
e às explicações.
Ando pelos contornos,
onde todos os significados
são sutis, são mortais.

Não quero perder o momento
belo. Quero vivê-lo mais,
com a intensidade que exige a vida:
desgarramento e fulguração.

Então me corto ao meio e me solto
de mim:
a que se prende e a que voa,
a que vive e a que se inventa.
Duplo coração:
a que se contempla e a que nunca
se entende,
a que viaja sem saber se chega
- mas não desiste jamais.

Lya Luft



- Postado por: Rodrigo às 00h15
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Florbela Espanca - Confissão

Confissão

Aborreço-te muito. Em ti há qualquer cousa
De frio e de gelado, de pérfido e cruel,
Como um orvalho frio no tampo duma lousa,
Como em doirada taça algum amargo fel.

Odeio-te também. O teu olhar ideal
O teu perfil suave, a tua boca linda,
São belas expressões de todo o humano mal
Que inunda o mar e o céu e toda a terra infinda.

Desprezo-te também. Quando te ris e falas,
Eu fico-me a pensar no mal que tu calas
Dizendo que me queres em íntimo fervor!

Odeio-te e desprezo-te. Aqui toda a minh’alma
Confessa-to a rir, muito serena e calma!
…………………………………………………….
Ah, como eu te adoro, como eu te quero, amor!…

Florbela Espanca

In: Trocando olhares - 03/07/1916



- Postado por: Rodrigo às 00h07
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"A intenção é o poder que move o desejo"

Deepak Chopra



- Postado por: Rodrigo às 23h37
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Martha Medeiros - Cartas Extraviadas e outros poemas

28.

meu cigarro é o lápis com que rabisco trechos do livro
eu o fumo

meu espelho é o reflexo do cálice que carrego nas mãos
eu me vejo

meu almoço é a unha que cresce no meu dedo indicador
eu a devoro

meu banho é o pranto que libero enquanto durmo
eu me encharco

meu terço é o fio do telefone em que me enrosco
eu o rezo

meu albergue é o coração de onde saem meus versos
eu me acolho

Martha Medeiros

In: Cartas Extraviadas e outros poemas
ed. L&PM, 2001 - Porto Alegre
p. 35



- Postado por: Rodrigo às 10h24
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Olegário Mariano - Destino

DESTINO

Aquela voz era intranqüila. Trago-a
No ouvido ainda ininterruptamente:
Voz de alma que sofreu, voz de vivente,
Desoladora e trêmula de mágoa.

Era o rio da Vida; a água paciente
Que, arrastando calhaus, de frágua em frágua
Ora beijava a sombra na corrente,
Ora abraçava o Sol com os braços de água.

Deus te leve, água pura e fresca!... A treva
Não te interrompa a marcha transitória,
Porque o Destino ingrato que te leva

Para o vale florido ou o amplo deserto,
É o mesmo que me arrasta o passo incerto
Para o despenhadeiro ou para a Glória.

(Destino, 1931)

Olegário Mariano

Fonte: http://www.academia.org.br/



- Postado por: Rodrigo às 10h19
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João Bosco, (Ponte Nova, 13 de julho de 1946)

Jade

Aqui meu irmão
Ela é coisa rara de ver
É jóia do Xá
Retina de um mar
De olhar verde já derramante
- Abriu-se Sézamo em mim!
Ah, meu irmão
Áqualouca tara que tem imã
Mergulha no ar
Me arrasta, me atrai
Pro fundo do oceano que dá
Pra lá de Babá
Pra cá de Ali...
Pedra que lasca seu brilho
E queima no lábio
Um quilate de mel
E que deixa na boca melante
Um gosto de língua no céu
Luz, talismã
Misterioso Cubanacã
Delicia sensual de Maça
Saborosa Manhã...
Vou te eleger
Vou me despejar de prazer
Essa noite o que mais quero é ser
Mil e um pra você.

João Bosco



- Postado por: Rodrigo às 10h05
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Pablo Neruda: 12 de Julho de 1904 — 23 de Setembro de 1973

O desejo de ir-se
 
O sol atravessou minha janela
e tudo se ilumina alegremente.
Ladra um cachorro, um pássaro revela
gorjeios harmoniosos em torrentes.

De costas em meu leito sinto um vago
desejo de perder-me além dos dias
e na penumbra me afogar nos lagos
de me cegar na luz de uma alegria.

De cantando seguir no rumo agreste
sentindo o doce declinar das tardes
e o coração repleto da celeste
chama de amor que nos caminhos arde...

Pablo Neruda

In: Cadernos de Temuco (1919-1920)
Tradução de Thiago de Mello
Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998
p. 62



- Postado por: Rodrigo às 11h20
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Pablo Neruda: 12 de Julho de 1904 — 23 de Setembro de 1973

Peço Silêncio

Agora me deixem tranqüilo.
Agora se acostumem sem mim.

Eu vou fechar os olhos

E só quero cinco coisas,
Cinco raízes preferidas.

Uma é o amor sem fim.

Em segundo é ver o outono.
Não posso existir
Sem que as folhas voem
E voltem para a terra.

Em terceiro é o inverno rigoroso,
a chuva que amei,
A carícia do fogo no frio silvestre.

Em quarto lugar o verão,
redondo como uma melancia.

A quinta coisa é teus olhos

Matilde minha, bem amada.
Não quero dormir sem teus olhos,
Não quero ser sem que me olhes.

Eu troco a primavera
Para que continues me olhando.
(...)

Pablo Neruda



- Postado por: Rodrigo às 11h14
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Pablo Neruda: 12 de Julho de 1904 — 23 de Setembro de 1973

Mulher dos meus primeiros sonhos

Mulher que em meu caminho à minha dor te igualas
por este amor estranho que nasceu ao vibrar
aquela mágoa antiga que me rompeu as asas
e que pôs doloridas rosas no meu cantar.

Sempre te levei toda minha vida aos soluços
em meu cansado sangue de inútil bem-querer,
tão-somente neste algo que se fez doloroso
pela inútil lenda, tua voz de mulher.

Sempre, sempre na vida, como a irmãzinha triste,
a quem nunca falei porém sei que ela existe
por este amor estranho que se estancou em dor.

Por estas rosas tristes de meu canto mofino,
porque me perfumaste com aromas do ninho
de todas as minhas dores e deste estranho amor.

12 de outubro

Pablo Neruda

In: Cadernos de Temuco
Tradução de Thiago de Mello
Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.
p. 120



- Postado por: Rodrigo às 11h09
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Arnaldo Antunes - Onde Mora?

Onde Mora?

Pego em seu pé
— é só um pé.
Pego em sua mão
— é sua mão.
Pego em seus cabelos
— são só cabelos.
Aqui tudo é
aquilo que é.
Onde mora
o amor?

Arnaldo Antunes

In: Como é que Chama o Nome Disso



- Postado por: Rodrigo às 13h58
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Um Grande Homem - Autoria Desconhecida

"Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua..."

Sophia de Mello Breyner Andresen

* * *

Um Grande Homem

     Nós, homens, nos caracterizamos por ser o sexo forte, embora muitas vezes caiamos por debilidade. Lembro que um dia, minha irmã chorava em nossa casa. Com muita saudade, observei que meu pai chegou perto dela e perguntou o motivo de sua tristeza. Escutei-os conversando por horas.

     Lembro-me especialmente de uma frase que meu pai lhe disse naquela conversa e que me enche de força a cada manhã. Meu pai acariciou o rosto dela e disse: “Minha filha, apaixone-se por um grande homem e nunca mais voltará a chorar".

     Meu pai lhe dizia: "Não se apaixone por um homem que só fale de si mesmo, de seus problemas, sem preocupar-se com você. Enamore-se de um homem que se interesse por você, que conheça suas forças, suas ilusões, suas tristezas e que a ajude a superá-las... Não creia nas palavras de um homem cujos atos dizem o oposto... Afaste de sua vida um homem que não constrói com você um mundo melhor...  Foge de um homem enfermo espiritual e emocionalmente. É como um câncer, matará  tudo o que há em você (emocional, mental, física, social e economicamente)... Não dê atenção a um homem que não seja capaz de expressar seus sentimentos, que não se ame saudavelmente... Não se agarre a um homem que não seja capaz de reconhecer sua beleza interior e exterior e, suas qualidades morais... Não deixe entrar em sua vida um homem a quem tenha que adivinhar o que ele quer, porque não é capaz de se expressar abertamente... Não creia em um homem que tenha carências afetivas de infância e que trata de preenchê-las com a infidelidade, culpando-a, quando o problema não está em você, e sim nele, porque ele não sabe o que quer da vida, nem quais são suas prioridades... Por que querer um homem que a abandonará se você não for como ele pretendia, ou se já não é mais “útil” ? ... Por que querer um homem que a trocará por um cabelo ou uma cor de pele diferente, ou por uns olhos claros, ou por um corpo mais esbelto? ...  Por que querer um homem que não saiba admirar a beleza que há em você, a verdadeira beleza... a do coração?

     Depois disso, perguntei-me inúmeras vezes qual seria a fórmula exata para chegar a ser esse grande homem e não me deixar vencer pelas coisas pequenas. Com o passar dos anos, descobri que se todos nós homens lutássemos para ser grandes de espírito, grandes de alma e grandes de coração, o mundo seria completamente diferente!

     Aprendi que um grande homem não é aquele que compra tudo o que deseja, porque muitos de nós compramos com presentes a afeição e o respeito aqueles que nos cercam.

     Quantas vezes me deixei levar pela superficialidade das coisas, deixando de lado aqueles que realmente me ofereciam sua sinceridade e integridade e dando mais importância a quem não valorizava meu esforço?

     Custou-me muito compreender que "grande homem" não é aquele que chega no topo, nem o que tem mais dinheiro, casa, automóvel, nem quem vive rodeado de mulheres, nem muito menos o mais bonito.

     Um grande homem é aquele ser humano transparente, que não se refugia atrás de cortinas de fumaça, é o que abre seu coração sem rejeitar a realidade, é quem admira uma mulher por seus alicerces morais e grandeza interior.

     Um grande homem, é o que caminha de frente, sem baixar os olhos; é aquele que não mente, embora às vezes perca por falar a verdade... e sobretudo, um grande homem é o que sabe chorar sua dor sem fugir dela.

     Um grande homem é o que cai e tem a suficiente força para levantar-se e seguir lutando.

     Hoje minha irmã está casada e feliz, e esse grande homem com quem se casou, não era nem o mais popular, nem o mais solicitado pelas mulheres, nem o mais rico ou o mais bonito. Esse grande homem é simplesmente aquele que nunca a fez chorar... é quem no lugar de lágrimas lhe roubou sorrisos... Sorrisos por tudo que conquistaram juntos, pelos triunfos alcançados, por suas lindas recordações e por aquelas tristes lembranças que souberam superar, por cada alegria que repartem e pelos três filhos que preenchem suas vidas.

     Esse grande homem ama tanto a minha irmã que daria o que fosse por ela sem pedir nada em troca. Esse grande homem a quer pelo que ela é, por seu coração e pelo que são quando estão juntos.

     Aprendamos a ser um desses Grandes Homens, para vivenciar os anos junto de uma Grande Mulher e nada nem ninguém nos poderá vencer!

Autoria Desconhecida



- Postado por: Rodrigo às 00h09
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Guilherme de Almeida: 24 de julho de 1890 — 11 de julho de 1969

Nós

Quando as folhas caírem nos caminhos,
ao sentimentalismo do sol poente,
nós dois iremos vagarosamente,
de braços dados, como dois velhinhos,

e que dirá de nós toda essa gente,
quando passarmos mudos e juntinhos?
- "Como se amaram esses coitadinhos!
como ela vai, como ele vai contente!"

E por onde eu passar e tu passares,
hão de seguir-nos todos os olhares
e debruçar-se as flores nos barrancos...

E por nós, na tristeza do sol posto,
hão de falar as rugas do meu rosto
hão de falar os teus cabelos brancos.

Guilherme de Almeida

* * *

CUIDADO!

Ó namorados que passais, sonhando,
quando bóia, no céu, a lua cheia!
Que andais traçando corações na areia
e corações nos peitos apagando!

Desperta os ninhos vosso passo... E quando
pelas bocas em flor o amor chilreia,
nem sei se é o vosso beijo que gorjeia,
se são as aves que se estão beijando...

Mais cuidado! Não vá vossa alegria
afligir tanta gente que seria
feliz sem nunca ouvir nem ver!

Poupai a ingenuidade delicada
dos que amaram sem nunca dizer nada,
dos que foram amados sem saber!

(Messidor, 1919)

Guilherme de Almeida

Fonte: http://www.academia.org.br



- Postado por: Rodrigo às 00h04
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Agostinho dos Santos: 25 de abril de 1932 — 12 de julho de 1973

Balada Do Homem Sem Deus

Oh, Deus que a tanto tempo,
Eu tenho andado a procurar,
Conheço-te de nome,
De ouvir dizer, de ver, amar,
Conheço, as tuas obras,
O céu a terra,
O sol e o mar,
O riso da criança,
A esperança, e o luar.

Oh, Deus, Deus por favor,
Por teu amor, quero ter crença,
Oh Deus, faz-me um dos teus,
Mostrando em mim, tua presença.

Oh, Deus, Deus por favor,
Por teu amor, quero ter crença,
Oh Deus, faz-me um dos teus,
Mostrando em mim, tua presença.

Composição: Agostinho Dos Santos / F. Cezar



- Postado por: Rodrigo às 00h01
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Elisa Lispector - Corpo-a-Corpo

"O esquecimento não perdura, e eis-me de volta ao círculo, ou ao ponto dentro do círculo, o que vem dar na mesma. A memória nos aprisiona com mais força que todas as correntes sejam elas quais forem. Minha memória és tu."

Elisa Lispector

In: Corpo-a-Corpo
Rio de Janeiro: Edições Antares, 1983
p. 63



- Postado por: Rodrigo às 22h12
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Osho - Escute seu coração

A nova humanidade precisa criar a atmosfera certa, onde homens e mulheres sejam amigos, companheiros de viagem, completando-se uns aos outros. A jornada se torna uma alegria, uma canção, uma dança. E se homens e mulheres em total harmonia puderem gerar crianças, essas crianças serão os "super-homens" que sonhamos por milhares de anos. Mas o super-homem só pode ser criado a partir do todo harmonioso da energia do homem e da mulher. Então ele nascerá iluminado.

No passado, as pessoas tinham de procurar iluminação. Mas se uma criança nasce de um casal que está em harmonia, em absoluto amor, nascerá iluminada. Não pode ser de outra forma. A iluminação será o seu começo: a partir do primeiro passo, ela irá além da iluminação. Procurará novos espaços, novos céus.

Osho

In: Escute seu coração
São Paulo: Ed. Gente, 2006
p. 53



- Postado por: Rodrigo às 10h06
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Pablo Neruda - Quando se desfez o encanto...

Quando se desfez o encanto...

Lenta, mui lentamente, se desfez o encanto.
(Irremissivelmente ele ia se acabar.)
Nem trejeito nos lábios, nem nos olhos o pranto,
sequer houve o profundo desejo de chorar...

Vagos pressentimentos vertidos em verdades,
verdades tristes, sim, conquanto bem sabidas.
Eu tive o desalento de quem vê soledades
que farão despertar a mágoa mais dormida.

Pablo Neruda

In: Cadernos de Temuco
Tradução de Thiago de Mello
Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.
p. 73



- Postado por: Rodrigo às 09h48
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Marquesa de Alorna - Sonetos

45.

Da minha alma ditosa faculdade,
Meu tesouro, adorada Fantesia,
Que animada das Graças da alegria
Tiras da mão as armas à saudade:

És tu quem de meus danos tem piedade;
Tu me pagas de noite o horror do dia;
Tu me levas a ver Sintra sombria,
Dando-me em sonhos doce liberdade.

Igualmente me entregas à ventura,
Ou quando da harmonia a lira empregas,
Ou quando os pincéis roubas à Pintura:

Mas só de todo os males meus sossegas
Mostrando-me a lindíssima Figura,
Com que de amor meus ternos olhos cegas.

Marquesa de Alorna

In: Sonetos
Organização de Vanda Anastácio
Rio de Janeiro: 7Letras, 2007
p. 139



- Postado por: Rodrigo às 09h38
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Vinicius de Moraes: 19 de outubro de 1913 — 9 de julho de 1980

Canção do amor ausente

Ah, mulher
Tu que criaste o amor
Aqui estou eu tão só
Na imensa treva
Da tua ausência
Mulher, canção
Noturna flor do adeus
Vem me matar de amor
De amor nos braços teus

É tanto o meu amor
Tanto por ti
Que não há dor maior
Do que eu vivi
A dor desta separação
Ouvindo o próprio coração
Bater cada minuto em vão
Da tua ausência

Ai, quem me dera
Dar-me todo a ti
Ai, quem me dera
O tempo que perdi
Ai, quem me dera
Ser o ar
Que ao menos
Roça os lábios teus
E te beijar
Mais um adeus

Vinicius de Moraes

In: Poesia completa e prosa: "Cancioneiro"



- Postado por: Rodrigo às 17h30
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Vinicius de Moraes: 19 de outubro de 1913 — 9 de julho de 1980

A você, com amor

O amor é o murmúrio da terra
quando as estrelas se apagam
e os ventos da aurora vagam
no nascimento do dia...
O ridente abandono,
a rútila alegria
dos lábios, da fonte
e da onda que arremete
do mar...

O amor é a memória
que o tempo não mata,
a canção bem-amada
feliz e absurda...

E a música inaudível...

O silêncio que treme
e parece ocupar
o coração que freme
quando a melodia
do canto de um pássaro
parece ficar...

O amor é Deus em plenitude
a infinita medida
das dádivas que vêm
com o sol e com a chuva
seja na montanha
seja na planura
a chuva que corre
e o tesouro armazenado
no fim do arco-íris.

Vinicius de Moraes

In: Poesia completa e prosa: "Poesias coligidas"



- Postado por: Rodrigo às 10h02
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Vinicius de Moraes: 19 de outubro de 1913 — 9 de julho de 1980

O grande amor

Haja o que houver
Há sempre um homem para uma mulher
E há de sempre haver
Para esquecer um falso amor
E uma vontade de morrer

Seja como for
Há de vencer o grande amor
Que há de ser no coração
Como um perdão pra quem chorou

Vinicius de Moraes

In: Poesia completa e prosa: "Cancioneiro"



- Postado por: Rodrigo às 09h48
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Vinicius de Moraes: 19 de outubro de 1913 — 9 de julho de 1980

Soneto do maior amor

Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.

Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer – e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.

Vinicius de Moraes

In: Antologia Poética - 22a. Edição
RJ: José Olympio Editora, 1983
p. 98



- Postado por: Rodrigo às 09h39
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Patativa do Assaré: 05 de março de 1909 — 08 de julho de 2002

O peixe 
 
Tendo por berço o lago cristalino,
Folga o peixe, a nadar todo inocente,
Medo ou receio do porvir não sente,
Pois vive incauto do fatal destino.

Se na ponta de um fio longo e fino
A isca avista, ferra-a insconsciente,
Ficando o pobre peixe de repente,
Preso ao anzol do pescador ladino.

O camponês, também, do nosso Estado,
Ante a campanha eleitoral, coitado!
Daquele peixe tem a mesma sorte.
 
Antes do pleito, festa, riso e gosto,
Depois do pleito, imposto e mais imposto.
Pobre matuto do sertão do Norte!

 
Patativa do Assaré

In: Inspiração Nordestina (3a. edição)
Ed. Hedra, 2006 - São Paulo
p. 202



- Postado por: Rodrigo às 12h24
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“Por que publicar o que não presta? Porque o que presta também não presta. Além do mais, o que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto do modo carinhoso do inacabado, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça não chão”.

Clarice Lispector



- Postado por: Rodrigo às 10h13
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Théo Drummond - Tua Sombra

TUA SOMBRA

Andar por onde andares, onde fores,
serei a sombra que há de te seguir,
vivendo as alegrias, tuas dores,
tudo, afinal, que poderás sentir.

Serei o teu jardim de tantas flores,
serei teus passos, no teu ir e vir.
E igual a um pôr do sol, pleno de cores,
serei quem te fará feliz, sorrir.

Serei teu anjo a te guardar de tudo,
sem nada te dizer, serei o escudo
a suportar tuas raivas e protestos.

Serei quem seguirá por teu caminho,
sombra sofrida a proteger sozinho,
o nosso amor, mesmo que sejam restos.

Théo Drummond



- Postado por: Rodrigo às 10h09
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Jayme Caetano Braun: 30 de janeiro de 1924 — 8 de julho de 1999

Sem Diploma

Bendito aquele que estuda
porque estudar é importante,
embora o ignorante
tem sempre um santo que ajuda,
às vezes a sorte muda,
quando existe um santo forte,
cada qual procura um norte,
por isso não encabulo
- que a tava que bota culo
é a mesma que bota sorte!

Meu tetravô foi fronteiro,
meu bisavô domador,
o meu avô - alambrador
e o meu pai foi carreteiro;
a mim não sobrou dinheiro
pra cursar a faculdade,
mas tive a felicidade
graças ao nosso senhor
e me tornei payador
pra guardar a identidade!

O estudo é muito bonito
e até muito necessário,
mas este cantor primário,
cruzando o pago infinito,
continua - a trotezito,
mesmo sem ser diplomado
e me sinto conformado,
o que é meu - ninguém me toma,
pois duvido que um diploma
torne um burro advogado!

Como é lindo colar grau
num salão de faculdade,
embora essa qualidade
não transforme o bom em mau,
o Jayme Caetano Braun,
dessa linha não se afasta,
a inspiração não se gasta
nem me torna mais cruel,
eu conquistei um anel
o de gaúcho - e me basta!

Jayme Caetano Braun

In: Payadas e cantares
Martins Livreiro Editor.



- Postado por: Rodrigo às 10h02
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Laurindo Rabelo: 8 de julho de 1826 — 28 de setembro de 1864

Último canto do cisne

Quando eu morrer, não chorem minha morte,
Entreguem meu corpo à sepultura;
Pobre, sem pompas, sejam-lhe a mortalha
Os andrajos que deu-me a desventura.

Não mintam ao sepulcro apresentando
Um rico funeral d'aspecto nobre:
Como agora a zombar me dizem vivo,
Digam-me também morto - aí vai um pobre!

De amigos hipócritas não quero
Públicas provas de afeição fingida;
Deixem-me morto só, como deixaram-me
Lutar contra a má sorte toda a vida.

Outros prantos não quero, que não sejam
Esse pranto de fel amargurado
De minha companheira de infortúnios,
Que me adora apesar de desgraçado.

O pranto, açucena de minh'alma,
Do coração sincero, d'alma sã,
De um anjo que também sente meus males,
De uma virgem que adoro como irmã.

Tenho um jovem amigo, também quero
Que junte em minha Essa os prantos seus
Aos de um pobre ancião que perfilhou-me
Quando a filha entregou-me aos pés de Deus

Dos meus todos eu sei que terei preces,
Saudades, lágrimas também;
Que não tenho a lembrança de ofendê-los
E sei quanta amizade eles me têm.

E tranqüilo, meu Deus, a vós me entrego,
Pecador de mil culpas carregado:
Mas os prantos dos meus perdão vos pedem,
E o muito que também tenho chorado.

Laurindo Rabelo



- Postado por: Rodrigo às 09h44
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Cazuza: 4 de abril de 1958 — 7 de julho de 1990

"Espero que, no futuro, não esqueçam do poeta que sou. Que as pessoas não se esqueçam de que, mesmo num mundo eletrônico, o amor existe. Existe o romance e a poesia. Que mais crianças venham a nascer e é fundamental o amor aos pais". Cazuza (04/12/1985)


* * *

Preciso dizer que te amo

Quando a gente conversa
Contando casos, besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
E eu não sei que hora dizer
Me dá um medo, que medo

Eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que eu te amo
Tanto

E até o tempo passa arrastado
Só pr’eu ficar do teu lado
Você me chora dores de outro amor
Se abre e acaba comigo
E nessa novela eu não quero
Ser seu amigo

É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que eu te amo, tanto

Eu já nem sei se eu tô misturando
Eu perco o sono
Lembrando cada gesto teu
Qualquer bandeira
Fechando e abrindo a geladeira
A noite inteira

Eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que eu te amo, tanto

Composição: Cazuza / Dé / Bebel Gilberto

Fonte: http://www.cazuza.com.br/

 Ouça esta música aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=VudS00JZH2c



- Postado por: Rodrigo às 10h35
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Cazuza: 4 de abril de 1958 — 7 de julho de 1990

"Gosto de coisas densas, como a literatura de Clarice Lispector. Por falar nela, acabei de compor "Que o Deus venha (03/86)", uma música inspirada em meu livro de cabeceira, 'Água Viva'". Cazuza

* * *

Que o Deus Venha

Sou inquieto, áspero
E desesperançado
Embora amor dentro de mim eu tenha
Só que eu não sei usar amor
Às vezes arranha
Feito farpa

Se tanto amor dentro de mim
Eu tenho, mas no entanto
Continuo inquieto
É que eu preciso que o Deus venha
Antes que seja tarde demais

Corro perigo
Como toda pessoa que vive
E a única coisa que me espera
É o inesperado

Mas eu sei
Que vou ter paz antes da morte
Que vou experimentar um dia
O delicado da vida
Vou aprender
Como se come e vive
O gosto da comida

Composição: Cazuza / R. Frejat / C. Lispector



- Postado por: Rodrigo às 10h14
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Aníbal Freire da Fonseca: 7 de julho de 1884 — 22 de outubro de 1970

(...) É certo que os vícios da nossa educação política, inveterados pelo poder pessoal, onimodo, que dominou todo o segundo reinado - sem embargo da admiração, que devemos ter por Pedro II - levam muitas vezes à crença no deslumbramento do poder do presidente da república. Daí cederem-lhe por vezes prerrogativas, que a lei faculta explicitamente a outro ramo do poder, ou animarem-no à pretensão de exercer uma verdadeira tutela política sobre os homens e as coisas.

Aníbal Freire da Fonseca

In: O Poder Executivo na República Brasileira, 1916

Fonte: http://www.academia.org.br/



- Postado por: Rodrigo às 09h50
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Casimiro de Abreu - Deus

Deus

Eu me lembro! Eu me lembro! - Era pequeno
E brincava na praia; o mar bramia,
E, erguendo o dorso altivo, sacudia,
A branca espuma para o céu sereno.

E eu disse a minha mãe nesse momento:
"Que dura orquestra! Que furor insano!
Que pode haver de maior do que o oceano
Ou que seja mais forte do que o vento?"

Minha mãe a sorrir, olhou pros céus
E respondeu: - Um ser que nós não vemos,
É maior do que o mar que nós tememos,
Mais forte que o tufão, meu filho, é Deus.

Casimiro de Abreu



- Postado por: Rodrigo às 08h48
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Nagai Kafu - American Stories

“... que povo amante de jornais! Eles dirão que o povo de uma nação avançada deve procurar saber tanto quanto possa sobre o que acontece no mundo, e o mais rápido possível... Ah, mas eles não percebem que não há nada extraordinário ou estranho nos assuntos do mundo, a mesma confusão sendo repetida continuamente? Na diplomacia, o conflito de interesses entre A e B; nas guerras, o forte vence; os bancos quebram, há fraudes durante as eleições, descarrilamentos de trem, roubos, assassinatos, tais acontecimentos diários da existência são sempre os mesmos e monótonos ao extremo.

O escritor francês Maupassant já não teve que aguentar a intolerável dor desta terrivelmente tediosa vida e escreveu em seu diário: Abençoados aqueles que ignoram que as mesmas abomináveis coisas são incessantemente repetidas. Abençoados aqueles que andam hoje e amanhã nas mesmas carruagens, conduzidas pelos mesmos animais e têm a energia, sob o mesmo céu, diante do mesmo horizonte, de fazer o mesmo trabalho da mesma forma, rodeados pelos mesmos móveis. Abençoados aqueles que não se dão conta, com grande ódio, de que nada mudará ou acontecerá neste esgotado e cansado mundo..."

Nagai Kafu

In: American Stories - Two days in Chicago
Tradução de Mitsuko Iriye

 
Nagai Kafu é um escritor japonês do começo do século XX e os principais temas de suas obras são a vida e o cotidiano dos bairros de gueixas, das casas de chás, das prostitutas e de seus freqüentadores, figuras do “mundo flutuante” japonês. Durante sua juventude, o escritor passou alguns anos nos Estados Unidos e American Stories é baseada nessa sua estadia.



- Postado por: Rodrigo às 08h39
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Castro Alves: 14 de março de 1847 — 6 de julho de 1871

O Baile na Flor

Que belas as margens do rio possante,
Que ao largo espumante campeia sem par!...
Ali das bromélias nas flores doiradas
Há silfos e fadas, que fazem seu lar...
E, em lindos cardumes,
Sutis vaga-lumes
Acendem os lumes
P’rá o baile na flor.
E então – nas arcadas
Das pet’las doiradas,
Os grilos em festa
Começam na orquestra
Febris a tocar...
E as breves
Falenas
Vão leves,
Serenas,
Em bando
Girando,
Valsando,
Voando
No ar!...
Na Margem

Castro Alves



- Postado por: Rodrigo às 08h29
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Toquinho: São Paulo, 6 de julho de 1946

COMO DIZIA O POETA

Quem já passou por essa vida e não viveu,
Pode ser mais mas sabe menos do que eu.
Porque a vida só se dá pra quem se deu,
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu.

Quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não.

Não há mal pior do que a descrença,
Mesmo o amor que não compensa
É melhor que a solidão.

Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair.
Pra que somar se a gente pode dividir.
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer.

Ai de quem não rasga o coração,
Esse não vai ter perdão.
Quem nunca curtiu uma paixão,
Nunca vai ter nada, não.

Composição: Toquinho / Vinicius de Moraes

 Ouça esta música aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=YrNhvsdTHmc



- Postado por: Rodrigo às 08h24
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De Papel: Zeca Baleiro / Vanessa Bumagny

De Papel

De papel de céu se cai o véu
O mel escorre no canto da boca
Rouca a pouca voz que diz
Eu sempre tive alergia a giz
Mas fiz essa escada

O leão que ruge é só papel
Mas suas garras são de prata, origami, arame
Mesmo que o peito inflame
E sempre tão sutil

Eu vi, a acrobata de éter
Que se dedica ao trapézio
Só pra ficar mais perto de si
Só pra ficar mais perto

Coberta de tule branco a lua
De agora em diante é também sua
Nunca vil, nunca vi
Sofrer de amor assim
Com tanta elegância

Composição: Zeca Baleiro / Vanessa Bumagny



- Postado por: Rodrigo às 00h31
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Olegário Mariano - O meu retrato

O MEU RETRATO

Sou magro, sou comprido, sou bizarro,
Tendo muito de orgulho e de altivez.
Trago a pender dos lábios um cigarro,
Misto de fumo turco e fumo inglês.

Tenho a cara raspada e cor de barro.
Sou talvez meio excêntrico, talvez.
De quando em quando da memória varro
A saudade de alguém que assim me fez.

Amo os cães, amo os pássaros e as flores.
Cultivo a tradição da minha raça
Golpeada de aventuras e de amores.

E assim vivo, desatinado e a esmo.
As poucas sensações da vida escassa
São sensações que nascem de mim mesmo.

(Evangelho da sombra e do silêncio, 1912)

Olegário Mariano

Fonte: http://www.academia.org.br/



- Postado por: Rodrigo às 00h21
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Martha Medeiros - Cartas Extraviadas e outros poemas

96.

a partir de amanhã não corro mais para atender o telefone
a caixa de fotos vou colocar na última prateleira do armário
onde só alcançarei com muito esforço e escada
a partir de amanhã não abro mais o correio eletrônico
nem voo até a sua letra no alfabeto, não haverá encontro
não passarei mais pela sua rua, a partir de amanhã
nem na vizinhança, atalharei por outro bairro
não há necessidade e meu coração não é de confiança
a partir de amanhã interrompo o surto e esqueço a placa do seu carro]
não há perigo de eu sonhar com você, a partir de amanhã
não durmo mais, e as músicas que eu escutava, evitarei
já não te velarei, a partir de amanhã saio do luto

Martha Medeiros

In: Cartas Extraviadas e outros poemas
Ed. L&PM, 2001 - Porto Alegre
p. 110



- Postado por: Rodrigo às 00h13
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Clarice Lispector - Perto do Coração Selvagem

Agora subitamente compreendia que o amor podia fazer com que se desejasse o momento que vem num impulso que era a vida... — Sentia o mundo palpitar docemente em seu peito, doía-lhe o corpo como se nele suportasse a feminilidade de todas as mulheres.

Clarice Lispector

In: Perto do Coração Selvagem



- Postado por: Rodrigo às 00h08
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Monteiro Lobato: 18 de abril de 1882 — 4 de julho de 1948

Loucura ? Sonho? Tudo é loucura ou sonho no começo. Nada do que o homem fez no mundo teve início de outra maneira - mas já tantos sonhos se realizaram que não temos o direito de duvidar de nenhum.

Monteiro Lobato

In: Miscelâneas.
São Paulo: Brasiliense. 1956. 7ª. Edição
p. 178

(Arte: Monteiro Lobato)



- Postado por: Rodrigo às 09h36
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Elisa Lispector - Corpo-a-corpo (trecho)

... ah, aquele tempo de tua longa ausência! (...) Em tuas cartas, que agora recordo com tão viva lembrança, me amavas tanto, me adoravas, me engrandecias. Vias em mim sensibilidades de que eu mesma não suspeitava. E mais: induzias-me,  quase que me imploravas, para que eu fosse feliz, apesar da tua ausência. Através da distância me sublinhavas. Pelas cartas, o nosso amor era um tão grande amor!

Elisa Lispector

In: Corpo-a-corpo
Rio de Janeiro: Edições Antares, 1983
p. 60



- Postado por: Rodrigo às 09h28
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Silvana Duboc - Fakes

FAKES

Fake é algo falso, fantasioso, em que o indivíduo usurpa a identidade de outrem ou cria uma identidade falsa,  fazendo-se passar por quem não é verdadeiramente.

Geralmente Fakes são encontrados no mundo virtual.
 
Quem são os fakes? Como identificá-los?

Inútil tentar identificar um deles, porém sei de algumas das suas características principais.  São atenciosos, amáveis,  mestres em encantar, cativar e depois desaparecer.

Internet, terra de ninguém, tanto que para ela não existem leis. Terra desconhecida, facilmente penetrável, porém, indecifrável.

Não pretendo analisar esses "personagens" mas, sinceramente, adoraria entendê-los.

Apenas sei que eles possuem diferenças entre si, alguns são do bem, outros do mau, mas acho que no final das contas ambos levam até às pessoas com quem se relacionam algo de ruim, a decepção, quando chegam a ser descobertos ou quando por um passe de mágica somem.
 
"Eu dediquei minha amizade a você que não era quem dizia ser? Eu me apaixonei por alguém que nunca existiu?
 
Dirão muitos fakes: Mas eu existo, eu fui seu amigo, eu fui sincero, eu também me apaixonei por você, ou, eu não me apaixonei por você e jamais lhe dei ilusões quanto a isso. Eu apenas não divulguei minha identidade verdadeira. Terei cometido algum erro?"
 
Pois eu acredito que sim.

Em primeiro lugar os fakes, normalmente, passam uma imagem distorcida da sua realidade. Tímidos tornam-se desenvoltos, tristes mostram-se alegres, conservadores deixam passar a imagem de liberais e vice-versa e por aí vai...

Nunca revelam nada de suas vidas. Não que sejam obrigados a isso, eu até sou a favor que na internet se faz necessária uma certa preservação de nossas vidas, mas um contato verdadeiro deveria levar aos poucos ao caminho da via dupla, mas que pelas circunstancias, acaba sendo da via única.

Enquanto o fake armazena dados da vida pessoal de seus "amigos", esconde-se atrás de si mesmo e mantém o silêncio absoluto ou conta inverdades.

Amizade, carinho, amor, afeto, companheirismo são sentimentos que, obrigatoriamente, têm de ser calcados na honestidade, na confiança mútua e como sabemos a confiança é como cristal, se trinca, perde a sua beleza, se quebra, não tem conserto.

Com o tempo os fakes que frequentam o mundo virtual vão se aproximando cada vez mais de pessoas virtuais/ reais.

Essas pessoas reais cultivam diversas espécies de bons sentimentos em relação a eles por serem solitárias e precisarem de companhia. Algumas, por serem desequilibradas, se envolvem de forma doentia com esses seres que não são reais e que nunca poderão dar à elas o retorno que elas desejam e aí eles, muitas vezes, desaparecem para fugir daquilo que acaba se tornando um problema.

Tão simples deletar um Orkut, um MSN, um Skype, um endereço de e-mail, um personagem. Difícil é deletar do coração alguém que entrou dentro dele seja pela porta da amizade ou pela porta do amor.

Acontece que quando um fake deleta seu perfil, por ter cansado da brincadeira, por alguma necessidade ou por motivos diversos, não se preocupa que está deixando para trás pessoas que se afeiçoaram a ele, que vão sentir sua falta e preocupadas vão se perguntar por longo tempo; o que terá acontecido com ele?

Não sei como essas pessoas "falsas" se sentem a respeito de tudo isso, não sei se essa situação dá algum tipo de satisfação à elas, não sei se na verdade sofrem por "precisarem" enfrentar o mundo virtual dessa maneira.

Não sei exatamente o que as leva a isso, se é medo de se expor, de ser quem é, de não ser aceito como é, de necessitar ser o que não é.

É como se nas entrelinhas de sua história viesse escrito; eu preciso de amigos dos quais não serei amigo, eu preciso de amores que não serão amados por mim, eu preciso de uma vida que nunca eu viverei, eu preciso ser o que não tenho como ser.

A verdade é que, dentro ou fora da internet, ninguém admite ser enganado, nem mesmo os maiores enganadores.

Se você não quer ou acha que não pode ser quem é desista do mundo virtual para não se prejudicar e não prejudicar ninguém.

O que pode ser uma diversão para você, para outros pode se tornar uma dependência e vice-versa.
 

15/05/2007

Silvana Duboc



- Postado por: Rodrigo às 09h22
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Cesar Veneziani - Esquecida

Esquecida

a rosa ao piso esquecida
no chão ainda viçosa
uma paixão não correspondida?
uma desilusão amorosa?
o fato é que a rosa esquecida
se torna pura tristeza
desperdício de beleza
perfume que se dispersa
imerso no símbolo perdido

13/06/2009

Cesar Veneziani



- Postado por: Rodrigo às 09h38
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A Via Láctea - Dado Villa-Lobos / Renato Russo/ Marcelo Bonfá

A Via Láctea

Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz...

Mas não me diga isso...

Hoje a tristeza
Não é passageira
Hoje fiquei com febre
A tarde inteira
E quando chegar a noite
Cada estrela
Parecerá uma lágrima...

Queria ser como os outros
E rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza
Das coisas com humor...

Mas não me diga isso...

É só hoje e isso passa
Só me deixe aqui quieto
Isso passa
Amanhã é um outro dia
Não é?...

Eu nem sei porque
Me sinto assim
Vem de repente um anjo
Triste perto de mim...

E essa febre que não passa
E meu sorriso sem graça
Não me dê atenção
Mas obrigado
Por pensar em mim...

Composição: D. Villa-Lobos / R. Russo/ M. Bonfá

 Ouça esta música aqui:
http://br.youtube.com/watch?v=FBFc3OggIzA



- Postado por: Rodrigo às 09h32
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Vladimir Maiakóvski - E então, que quereis?...

E então, que quereis?...

Fiz ranger as folhas de jornal
abrindo-lhes as pálpebras piscantes.
E logo
de cada fronteira distante
subiu um cheiro de pólvora
perseguindo-me até em casa.
Nestes últimos vinte anos
nada de novo há
no rugir das tempestades.
 
Não estamos alegres,
é certo,
mas também por que razão
haveríamos de ficar tristes?
O mar da história
é agitado.
As ameaças
e as guerras
havemos de atravessá-las,
rompê-las ao meio,
cortando-as
como uma quilha corta
as ondas.

Vladímir Maiakóvski

Poema extraído do livro “Maiakóvski — Antologia Poética”, Editora Max Limonad, 1987, tradução de E. Carrera Guerra.

(Arte: E. Drooker)



- Postado por: Rodrigo às 09h25
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Florbela Espanca - Dois poemas...

Vaidade

Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho...

                                E não sou nada!...
 
* * *

Aos olhos dele
 
Não acredito em nada. As minhas crenças
Voaram como voa a pomba mansa;
Pelo azul do ar. E assim fugiram
As minhas doces crenças de criança.

Fiquei então sem fé; e a toda a gente
Eu digo sempre, embora magoada:
Não acredito em Deus e a Virgem Santa
É uma ilusão apenas e mais nada!

Mas avisto os teus olhos, meu amor,
Duma luz suavíssima de dor...
E grito então ao ver esses dois céus:

Eu creio, sim, eu creio na Virgem Santa
Que criou esse brilho que m'encanta!
Eu creio, sim, creio, eu creio em Deus!

Florbela Espanca

Textos extraídos do livro "Poemas", Martins Fontes Editora - São Paulo, págs.06 e 22.



- Postado por: Rodrigo às 09h17
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Adélia Prado - Neurolinguística

Neurolinguística

Quando ele me disse
ô linda,
pareces uma rainha,
fui ao cúmice do ápice
mas segurei meu desmaio.
Aos sessenta anos de idade,
vinte de casta viuvez,
quero estar bem acordada,
caso ele fale outra vez.

Adélia Prado



- Postado por: Rodrigo às 17h18
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Ernest M. Hemingway: 21 de Julho 1899 — 2 de Julho 1961

“Quando a primavera chegava, mesmo a falsa primavera, não havia problemas exceto o de onde ser mais feliz. A única coisa que poderia estragar um dia eram as pessoas, e se você pudesse evitar compromissos, cada dia era ilimitado. As pessoas eram sempre as limitadoras da felicidade, com exceção daquelas poucas que eram tão boas quanto a própria primavera.”

Ernest Hemingway

In: A moveable Feast



- Postado por: Rodrigo às 17h12
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Hermann Hesse: 2 de julho de 1877 — 9 de agosto de 1962

Não há porque fazer a este cômico mundo a honra de levá-lo a sério.

Hermann Hesse



- Postado por: Rodrigo às 16h57
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David Mourão-Ferreira - Tentei fugir da mancha mais escura

Tentei fugir da mancha mais escura

Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.

Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.

Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão...

Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que me sai, sem voz, do coração.

David Mourão-Ferreira



- Postado por: Rodrigo às 16h53
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Carlos Assis - Sorriso pneumático

Seu sorriso vicia como se não fosse desta Terra.
Se estar próximo de você fosse um veneno,
queria estar contigo até morrer...

* * *

Sorriso pneumático

Na maré mais alta
Decifrando o mais complexo dos verbos
Toda vez que penso em você
a minha consciência peca

Carlos Assis



- Postado por: Rodrigo às 11h31
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Augusto Meyer - Elegia de Maio

ELEGIA DE MAIO

Longo, lento, infindável o crepúsculo.
Na larga enseada uma tinta imprecisa
antes do lusco-fusco
insinua-se em tudo, esmaiada.
Corre um brusco arrepio de brisa,
encrespa-se de leve a água vidrada.

Difuso em tudo, o ouro da luz de outono
resiste, como a clara
recordação de um longo dia pára
e ainda hesita, antes da noite e o sono.

Escurecer que é quase amanhecer...
Um não sei quê de claridade escura
diluído em tudo, em tudo arde e perdura:
já é quase noite o longo dia
e a noite espera e sonha: ainda é dia.

Lá no alto, o adeus da tarde que ficou...
É dia ainda, o sol acorda agora
no largo oceano o sono de outra aurora,
mas derrama no seio do meu rio
todo o ouro do dia que passou.
Serena esta luz de ouro em meu outono:
recordação, antes do grande sono...

Augusto Meyer

In: Poesias, 1957



- Postado por: Rodrigo às 11h08
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Fatima Venutti - Incógnita

INCÓGNITA
 
Incógnita esta tua chegada
De repente, fez-se o azul.
A clarear meus dias nublados
A emoldurar-me nas noites abissais
A degustar de mim
O resgate dos versos derramados
Na soleira do meu tempo
 
Incógnito desejo
Que embora distante estejas
Íntimo almejado são teus beijos madrigais
Na ânsia deste novo que principia
Respiro e navego no teu aroma,
Êxtase guardado sob o véu da tua ternura
 
Calada e distante, confesso
Meu vislumbre por sobre a tua vinda
A rechear-me os dias, já azulados,
Com outra incógnita:
O germinar deste amor
Que agora respira em mim.  
 
Fatima Venutti

Fonte: http://www.overmundo.com.br/perfis/fatima-venutti



- Postado por: Rodrigo às 11h03
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Marisa Monte (Rio de Janeiro, 1 de julho de 1967)

A Sua

Eu só quero que você saiba
Que estou pensando em você
Agora e sempre mais
Eu só quero que você ouça
A canção que eu fiz pra dizer
Que eu te adoro cada vez mais
E que eu te quero sempre em paz

Tô com sintomas de saudade
Tô pensando em você
E como eu te quero tanto bem
Aonde for não quero dor
Eu tomo conta de você
Mas te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem

Eu só quero que você caiba
No meu colo
Porque eu te adoro cada vez mais
Eu só quero que você siga
Para onde quiser
Que eu não vou ficar muito atrás

Tô com sintomas de saudade
Tô pensando em você
E como eu te quero tanto bem
Aonde for não quero dor
Eu tomo conta de você
Mas te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem

Eu só quero que você saiba
Que estou pensando em você
Mas te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem
E que eu te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem

Composição: Marisa Monte

 Ouça esta música aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=9WAc1aZO_58



- Postado por: Rodrigo às 10h57
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