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Feliz Natal


John Keats: 31 de outubro de 1795 - 23 de fevereiro de 1821

 

"Eu de nada tenho certeza, a não ser da realidade das afeições do coração e da verdade da Imaginação. A beleza apreendida pela Imaginação deve ser verdade. A Imaginação pode ser comparada ao sonho de Adão. Adão despertou e viu que era verdadeiro".

John Keats

In: Carta a Benjamin Bailey (1817)



- Postado por: Rodrigo às 18h28
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FELICIDADE
 
A felicidade é assim sem motivo aparente...
Uma quietude branda, um estar bem consigo,
Uma alegria serena que domina a Gente:
Esta ventura completa que hoje está comigo !

E por que não dizer que ela se repete,
Quando me envolvo vibrante em um poema,
Quando a paz me edifica um novo esquema
No engenho de amor que a vida reflete ?

Felicidade é assim e não se explica,
Não se sabe quando chega e por que começa,
Não depende de algo que com a Gente fica
Não decorre de nada que se peça !

Felicidade é o lugar que procuro
Fora do tempo e do espaço,
Nada que dependa de outrem
Mas só daquilo que faço !

Se não sei por que sou feliz,
Se razões não vejo neste aqui e agora,
Está certo quem sempre diz:
A felicidade não vem de fora !

José Carlos Moreira da Silva

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.



- Postado por: Rodrigo às 17h59
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Itabira, 31 de outubro de 1902 — Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987

Segredo

A poesia é incomunicável.
Fique torto no seu canto.
Não ame.

Ouço dizer que há tiroteio
ao alcance de nosso corpo.
É a revolução? o amor?
Não diga nada.

Tudo é possível, só eu impossível.
O mar transborda de peixes.
Há homens que andam no mar
como se andassem na rua.
Não conte.

Suponha que um anjo de fogo
varresse a face da terra
e os homens sacrificados
pedissem perdão.
Não peça.

Carlos Drummond de Andrade



- Postado por: Rodrigo às 17h57
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A ARTE DE SER FELIZ

"HOUVE um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa e sentia-me completamente feliz.

HOUVE um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém a minha alma ficava completamente feliz.

HOUVE um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, e às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.

HOUVE um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma regra: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

MAS, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim."

Cecília Meireles

In: Cecília Meireles. Quadrante: crônicas.
Rio de Janeiro,
Editora Autor, 1962

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- Postado por: Rodrigo às 17h43
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Paul Valéry: 30 de outubro de 1871 – 20 de julho de 1945

"Os homens se diferenciam pelo que mostram,
e se parecem pelo que escondem."

Paul Valéry

 Esta Mensagem para Orkut:



- Postado por: Rodrigo às 17h40
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Adalgisa Nery: 29 de outubro de 1905 - 7 de junho de 1980

Poema natural
 
Abro os olhos, não vi nada
Fecho os olhos, já vi tudo.
O meu mundo é muito grande
E tudo que penso acontece.
Aquela nuvem lá em cima?
Eu estou lá,
Ela sou eu.
Ontem com aquele calor
Eu subi, me condensei
E, se o calor aumentar, choverá e cairei.
Abro os olhos, vejo um mar,
Fecho os olhos e já sei.
Aquela alga boiando, à procura de uma pedra?
Eu estou lá,
Ela sou eu.
Cansei do fundo do mar, subi, me desamparei.
Quando a maré baixar, na areia secarei,
Mais tarde em pó tomarei.
Abro os olhos novamente
E vejo a grande montanha,
Fecho os olhos e comento:
Aquela pedra dormindo, parada dentro do tempo,
Recebendo sol e chuva, desmanchando-se ao vento?
Eu estou lá,
Ela sou eu.
 
ADALGISA NERY

In: Poemas (1937)



- Postado por: Rodrigo às 21h28
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40. ANTE O OBJETIVO

"Para ver se de algum modo posso chegar à ressurreição"  Paulo. (FILIPENSES, 3:11)

 

Alcançaremos o alvo que mantemos em mira.

O avarento sonha com tesouros amoedados e chega ao cofre forte.

O malfeitor comumente ocupa largo tempo, planificando a ação perturbadora, e comete o delito.

O político hábil anseia por autoridade e atinge alto posto no domínio terrestre.

A mulher desprevenida, que concentra as idéias no desperdício das emoções, penetra o campo das aventuras inquietantes.

 E cada meta a que nos propomos tem o preço respectivo.

 O usurário, para amealhar o dinheiro, quase sempre perde a paz.

O delinqüente, para efetuar a falta que delineia, avilta o nome.

O oportunista, para conseguir o lugar de mando, muitas vezes desfigura o caráter.

 A mulher desajuizada, para alcançar fantasiosos prazeres, abdica, habitualmente, o direito de ser feliz.

 Se impostos tão pesados são exigidos na Terra aos que perseguem resultados puramente inferiores, que tributos pagará o espírito que se candidata à glória na vida eterna?

 O Mestre na cruz é a resposta para todos os que procuram a sublimidade da ressurreição. Contemplando esse alvo, soube Paulo buscá-lo, através de incompreensões, açoites, aflições e pedradas, servindo constantemente, em nome do Senhor. Se desejas, por tua vez, chegar ao mesmo destino, centraliza as aspirações no objetivo santificante e segue, com valoroso esforço, na conquista do eterno prêmio.

Ditado pelo espírito de Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier

In: Fonte Viva, FEB
p. 95-6



- Postado por: Rodrigo às 20h27
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Pintura admirável de uma beleza

Vês esse Sol de luzes coroado?
Em pérolas a Aurora convertida?
Vês a Lua de estrelas guarnecida?
Vês o Céu de Planetas adorado?

O Céu deixemos; vês naquele prado
A Rosa com razão desvanecida?
A Açucena por alva presumida?
O Cravo por galã lisonjeado?

Deixa o prado; vem cá, minha adorada,
Vês de esse mar a esfera cristalina
Em sucessivo aljôfar desatada?

Parece aos olhos ser de prata fina?
Vês tudo isto bem? Pois tudo é nada
À vista do teu rosto, Caterina.

Gregório de Matos

In: Clássicos da Poesia Brasileira
Seleção e Organização: Frederico Barbosa
Ed. Klick, 1999
p.15-16

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- Postado por: Rodrigo às 20h23
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Procuro-te...

Procuro-te todas as noites
quando o desejo desperta,
a saudade aperta,
e tua ausência me consome...

Procuro-te nos meus sonhos
quando a solidão atormenta,
a alma entristece
e o coração padece

Procuro-te nas palavras,
em cada verso, em cada linha,
mas perco-me a cada letra...

Procuro-te em mim, e
encontro-te nas simples palavras
que o meu coração dita.
Estás lá, sinto-o!

Andréa R. Costa

Amo o teu mais profundo ser!

Fonte: http://www.euautor.com.br/obra_mostra.asp?IDTexto=17316&IdTipo=5&IdCat=17

 

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- Postado por: Rodrigo às 21h47
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Conclusão

Que cerros mais altos,
vista mais calmante,
sítios mais benignos,
nuvens mais de sonho,
fontes mais pacíficas,
gente mais cordata,
bichos mais tranquilos,
noites mais sossego,
sempiternamente
vida mais redonda...
vida mais difícil.

Carlos Drummond de Andrade

In: Boitempo



- Postado por: Rodrigo às 20h53
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NADA E TUDO

Nada do que fomos
foi apenas um apenas.

Nada do que tivemos
foi pouco de um pouco.

Nada do que fizemos
foi somente um somente.

Tudo o que somos
é tudo de nós mesmos.

Tudo o que fazemos
é sentir a falta do outro.

E a gente vai como Deus quer.

Oswaldo Antônio Begiato



- Postado por: Rodrigo às 20h47
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A BAILARINA

A bailarina feito
de borracha e pássaro
dança no pavimento
anterior do sonho

A três horas de sono,
mais além dos sonhos,
as secretas câmaras
que a morte revela.

Entre monstros feitos
a tinta de escrever,
a bailarina feita
de borracha e pássaro.

Da diária e lenta
borracha ou pássaro
do inseto ou pássaro
que não sei caçar.

João Cabral de Melo Neto

In: Antologia Poética
7a. ed. RJ: Editora JO José Olympio
p. 195



- Postado por: Rodrigo às 20h28
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Graciliano Ramos: 27 de outubro de 1892 — 20 de março de 1953

"Se não fosse aquilo... Nem sabia. O fio da idéia cresceu, engrossou – e partiu-se. Difícil pensar. Vivia tão agarrado aos bichos... Nunca vira uma escola. Por isso não conseguia defender-se, botar as coisas nos seus lugares. O demônio daquela história entrava-lhe na cabeça e saía. Era para um cristão endoidecer. Se lhe tivessem dado ensino, encontraria meio de entendê-la. Impossível, só sabia lidar com bichos.”

Graciliano Ramos

In: Vidas Secas (1938),
Cap. 3



- Postado por: Rodrigo às 20h20
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Enigma

sou este ponto de espanto
no entra-e-sai – no vai-e-vem
metade de mim é quando
a outra metade é quem

parte em mim é desespero
outra parte desencanto
só sei ser múltiplo inteiro
quando eu amo – quando eu canto

tento juntar os pedaços
passos, pessoas passadas
não sei onde estão meus rastros
meu retrato mais exato

entre estes cacos e restos
nem perfil nem biografia
se me perdi nos meus versos
um dia viro poesia

Cairo Trindade



- Postado por: Rodrigo às 20h10
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(...) ”A palavra tem que se parecer com a palavra. Atingi-la é o meu primeiro dever para comigo. E a palavra não pode ser enfeitada e artisticamente vã, tem que ser apenas ela. Bem, é verdade que também queria alcançar uma sensação fina e que esse finíssimo não se quebrasse em linha perpétua. Ao mesmo tempo que quero também alcançar o trombone mais grosso e baixo, grave e terra, tão a troco de nada que por nervosismo de escrever eu tivesse um acesso incontrolável de riso vindo do peito. E quero aceitar minha liberdade sem pensar o que muitos acham: que existir é coisa de doido, caso de loucura. Porque parece. Existir não é lógico.” (Rodrigo S.M.)

Clarice Lispector

In: A Hora da Estrela
Ed. Rocco, 1998.
p. 20

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- Postado por: Rodrigo às 10h31
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Cântico do calvário

À memória de meu filho
morto a 11 de dezembro de 1863.

Eras na vida a pomba predileta
Que sobre um mar de angústias conduzia
O ramo da esperança. Eras a estrela
Que entre as névoas do inverno cintilava
Apontando o caminho ao pegureiro.

Eras a messe de um dourado estio.
Eras o idílio de um amor sublime.
Eras a glória, a inspiração, a pátria,
O porvir de teu pai! - Ah! no entanto,
Pomba, - varou-te a flecha do destino!

Astro, - engoliu-te o temporal do norte!
Teto, - caíste! - Crença, já não vives!
(...)

Como eras lindo! Nas rosadas faces
Tinhas ainda o tépido vestígio
Dos beijos divinais, - nos olhos langues
Brilhava o brando raio que acendera
A bênção do Senhor quando o deixaste!

Sobre teu corpo a chusma dos anjinhos,
Filhos do éter e da luz, voavam,
Riam-se alegres, das caçoilas níveas
Celeste aroma te vertendo ao corpo!

E eu dizia comigo:- teu destino
Será mais belo que o cantar das fadas
Que dançam no arrebol, - mais triunfante
Que o sol nascente derribando ao nada
Muralhas de negrume!... Irás tão alto
Como o pássaro-rei do Novo Mundo!
 
Ai! doido sonho!... Uma estação passou-se
E tantas glórias, tão risonhos planos
Desfizeram-se em pó! O gênio escuro
Abrasou com seu facho ensangüentado
Meus soberbos castelos. A desgraça
Sentou-se em meu solar, e a soberana
Dos sinistros impérios de além-mundo
Com seu dedo real selou-te a fronte!
Inda te vejo pelas noites minhas,
Em meus dias sem luz vejo-te ainda,
Creio-te vivo, e morto te pranteio!...
(...)

Fagundes Varela

In: Clássicos Da Poesia Brasileira
Seleção e Organização de Frederico Barbosa
Ed. Klick, 1999
p. 126-127

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Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.



- Postado por: Rodrigo às 10h25
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“Para o homem de bem existem três temores: o destino, os grandes homens e as palavras dos sábios. O homem mesquinho, sem conhecimento do destino e temor, menospreza os grandes homens e converte as palavras dos sábios em objeto de zombaria”

Confúcio

In: Analectos, Cap. XVI, Verso 8



- Postado por: Rodrigo às 21h48
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O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.
Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e o lacaio
das empresas nacionais e multinacionais.

*

Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis

*

Nada é impossível de mudar
Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.

Bertold Brecht



- Postado por: Rodrigo às 00h08
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PRONOME 

Ontem fiz aniversário.

Ansioso, convidei a mim mesmo. Pensei que não aceitaria, mas aceitei. Pensei que não viria, mas vim. À porta, me vi trajado a rigor, me visto bem, exercito Armanis. Me cumprimentei, teci alguns comentários sobre Rimbaud, o 3- reich e, pasmem, fiquei-me... como me gosto!

Só eu e eu na festa de mim.

Impetuoso, tomei-me logo pelos braços e me levei ao quarto, na vitrola Duran Duran, mas gostamos mesmo é de Accept, eu e eu. Na cama, entreguei-me por completo a mim, beijando onde podia e cabia e delineando a entrega do que me tinha, me possuí com completude e vigor.

Me despedi quando já amanhecia e prometi me ligar assim que pudesse. Fui.

Hoje estou sábado.
E me espero ansiosamente.

Muryel De Zoppa

http://dezoppa.blogspot.com

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- Postado por: Rodrigo às 00h02
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7.

eu diria do amor que o amor é reto
que o asfalto do amor acaba
mas o amor continua
desbravando o mato

Martha Medeiros

In: Cartas Extraviadas e outros poemas
ed. L&PM, 2001 - Porto Alegre
p. 13

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- Postado por: Rodrigo às 19h09
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OFERTA

Eu te ofereço
Todas as minhas rugas
Todos os meus calos
Todas as minhas obturações
Todas as minhas cicatrizes
Todas as minhas lágrimas
Todas as minhas mutilações
Toda a minha insônia
Todos os meus vícios
Todas as minhas próteses
Todas as minhas viroses
Todas as minhas micoses
Todas as minhas decepções
Toda a minha fome
Toda a minha sede
Toda a minha feiúra
Toda a minha ignorância
Todos os meus complexos
Toda a minha pobreza
Todos os meus recuos
Todas as minhas inversões

Leva-os embora daqui.

Eu quero varandas,
Pirilampos e borboletas,
Cercas baixas e brancas,
Jardins cuidados.

Eu quero cigarras ao entardecer.
Eu quero grilos ao anoitecer.

Eu quero casas livres,
Crianças aprendendo,
Adultos envelhecendo,
Anjos despreocupados.

Eu quero namorar no banco da praça.

Oswaldo Antônio Begiato

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- Postado por: Rodrigo às 19h05
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AS ÁRVORES
 
Escuta este segredo: o crescimento 
é no passado, o presente 
é um disfarce 
e as árvores que permanecem 
quase sempre não têm 
a cor normal de árvores. 
 
Fica assim muito claro: como 
sobreviver com o vento 
não te poupando as crinas dos cavalos 
e os pássaros negros te seguindo 
vindos de um desenho fúnebre 
voando em formação 
pelas inscrições no céu 
das palavras e gestos 
que nos esconderam 
as pessoas que amamos? 
  
No passado é que crescem as árvores 
sempre no começo do outono 
de países distantes. 

Álvaro Pacheco

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- Postado por: Rodrigo às 19h01
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O Catador

Um homem catava pregos no chão.
Sempre os encontrava deitados de comprido,
ou de lado,
ou de joelhos no chão.
Nunca de ponta.
Assim eles não furam mais - o homem pensava.
Eles não exercem mais a função de pregar.
São patrimônios inúteis da humanidade.
Ganharam o privilégio do abandono.
O homem passava o dia inteiro nessa função de catar
pregos enferrujados.
Acho que essa tarefa lhe dava algum estado.
Estado de pessoas que se enfeitam a trapos.
Catar coisas inúteis garante a soberania do Ser.
Garante a soberania de Ser mais do que Ter.

Manoel de Barros

In: Tratado geral das grandezas do ínfimo,
Editora Record - 2001,
pág. 43.

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- Postado por: Rodrigo às 18h23
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Esse texto NÃO É de Carlos Drummond de Andrade

Recomeçar

Não importa onde você parou...
Em que momento da vida você cansou...
O que importa é que sempre é possível e necessário "recomeçar”.
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo...
É renovar as esperanças na vida e, o mais importante, acreditar em você de novo.
Sofreu muito neste período? Foi aprendizado...
Chorou muito? Foi limpeza da alma...
Ficou com raiva das pessoas? Foi para perdoá-las um dia...
Sentiu-se só por diversas vezes? É porque fechaste a porta até para os anjos...
Acreditou que tudo estava perdido? Era o início de tua melhora...
Onde você quer chegar? Ir alto? Sonhe alto... Queira o melhor do melhor...
Se pensamos pequeno... Coisas pequenas teremos...
Mas se desejarmos fortemente o melhor e principalmente lutarmos pelo melhor...
O melhor vai se instalar em nossa vida.

Paulo Roberto Gaefke

OBS: Este texto aparece com vários títulos: Faxina na Alma/Limpeza da alma/Recomeço(ar). Se tiver a frase final: Porque sou do tamanho daquilo que vejo,e não do tamanho da minha altura de Alberto Caeiro, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, provavelmente adicionada pelo repassador.



- Postado por: Rodrigo às 18h14
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Aniversário - Pelé: 23/10/1940

 

(...) “Sozinho, liquidou a partida, liquidou o América, monopolizou o placar. Ao meu lado, um americano doente estrebuchava: — “Vá jogar bem assim no diabo que o carregue!”. De certa feita, foi até desmoralizante. Ainda no primeiro tempo, ele recebe o couro no meio do campo. Outro qualquer teria despachado. Pelé, não. Olha para frente e o caminho até o gol está entupido de adversários. Mas o homem resolve fazer tudo sozinho. Dribla o primeiro e o segundo. Vem-lhe ao encalço, ferozmente, o terceiro, que Pelé corta sensacionalmente. Numa palavra: — sem passar a ninguém e sem ajuda de ninguém, ele promoveu a destruição minuciosa e sádica da defesa rubra. Até que chegou um momento em que não havia mais ninguém para driblar. Não existia uma defesa. Ou por outra: — a defesa estava indefesa.”

Nelson Rodrigues

Nota: Manchete Esportiva de 08/03/1958 (sobre Santos 5 x 3 América, 25/02/1958, no Maracanã, pelo Torneio Rio-São Paulo. Foi a primeira crônica de Nelson Rodrigues sobre Pelé.



- Postado por: Rodrigo às 18h04
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METAFISIQUICES
 
De que serve ao triste a tal filosofia!
Kant ou Schopenhauer ou Nietzsche ou Bérgson...
Metafisiquices! Porém, por meu mal,
partiste. Ana cara, e não sei todavia
onde há de buscar-te meu ser racional.
 
Metafisiquices, pura teoria!
Ninguém sabe nada de nada: melhor
que essa pobre ciência confusa e vazia,
nos aquece a alma como a luz do dia
o secreto instinto do eternal amor!
 
Não existe abismo que este amor não sonde –
e hei de achar-te. Onde? Não me importa onde!
Quando? Não me importa, mas te encontrarei!
Se pergunto a um sábio, “Que sou eu!” – responde –
Se a alma me interrogo, ela me diz: “Eu sei!”

Amado Nervo



- Postado por: Rodrigo às 20h32
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Oswald de Andrade: 11/01/1890 — 22/10/1954

Relógio

As coisas são
As coisas vêm
As coisas vão
As coisas
Vão e vêm
Não em vão
As horas
Vão e vêm
Não em vão

_______________

Erro de português

Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena! Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português

__________________

O ócio não é a negação do fazer, mas ocupar-se em ser o humano do homem.

_________________

Aprendi com meu filho de dez anos
Que a poesia é a descoberta
Das coisas que eu nunca vi.

Oswald de Andrade



- Postado por: Rodrigo às 00h02
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5.

A cidade acordou antes de mim,
me serviu buzinaços na cama
e caminhões despejando cimento.

Comi pão dormido e o café estava frio,
vesti a camiseta do lado errado
e não tive tempo de passear com o cachorro.

Cheguei atrasado no trabalho
trabalhei com sono até a noite,
quando então voltei sozinho.

Subi pela escada e assim que entrei em casa,
dormi

Hoje eu não vivi.

Martha Medeiros

In: Cartas Extraviadas e outros poemas
ed. L&PM, 2001 - Porto Alegre
p. 11

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- Postado por: Rodrigo às 23h31
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Entre os homens, há assassinos que nunca verteram sangue e ladrões que nunca roubaram, e mentirosos que nunca disseram uma mentira. (Curiosidades e Belezas)

Khalil Gibran

In: Os Mais Belos Pensamentos de Gibran
Seleção de Mansour Challita
ACIGI
p. 34



- Postado por: Rodrigo às 23h28
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Hoje: Dia do Poeta

Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhas de oiro e de cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca



- Postado por: Rodrigo às 19h19
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Arthur Rimbaud: 20/10/1854 - 10/11/1891

Oh estações, oh castelos!
Que alma é sem defeitos?

Eu estudei a alta magia
Do Amor, que nunca sacia.

Saúdo-te toda vez
Que canta o galo gaulês.

Ah! Não terei mais desejos:
Perdi a vida em gracejos.
Tomou-me corpo e alento,
E dispersou meus pensamentos.

Ó estações, ó castelos!

Quando tu partires, enfim
Nada restará de mim.

Ó estações, ó castelos!

Arthur Rimbaud



- Postado por: Rodrigo às 19h16
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"Quem aplica um castigo quando está irritado,
não corrige, vinga-se."

Michel de Montaigne

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- Postado por: Rodrigo às 21h50
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Não há porque fazer a este cômico mundo a honra de levá-lo a sério.

Hermann Hesse

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- Postado por: Rodrigo às 00h30
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Marcus Vinicius da Cruz de Melo Moraes: 19/10/1913 — 09 /07/1980

Acontecimento

Haverá na face de todos um profundo assombro
E na face de alguns, risos sutis cheios de reserva
Muitos se reunirão em lugares desertos
E falarão em voz baixa em novos possíveis milagres
Como se o milagre tivesse realmente se realizado
Muitos sentirão alegria
Porque deles é o primeiro milagre
Muitos sentirão inveja
E darão o óbolo do fariseu com ares humildes
Muitos não compreenderão
Porque suas inteligências vão somente até os processos
E já existem nos processos tantas dificuldades…
Alguns verão e julgarão com a alma
Outros verão e julgarão com a alma que eles não têm
Ouvirão apenas dizer…
Será belo e será ridículo
Haverá quem mude como os ventos
E haverá quem permaneça na pureza dos rochedos.
No meio de todos eu ouvirei calado e atento, comovido e risonho
Escutando verdades e mentiras
Mas não dizendo nada.
Só a alegria de alguns compreenderem bastará
Porque tudo aconteceu para que eles compreendessem
Que as águas mais turvas contêm às vezes as pérolas mais belas.

Vinicius de Moraes

In: Poesia completa e prosa: "Poesias coligidas"



- Postado por: Rodrigo às 00h25
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"Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever"

Carlos Drummond de Andrade

_________________

Verso náufrago

Plagio a mim enquanto espero o tempo
- esse impostor que não sabe das horas -
e me repito em versos de silêncio

Três horizontes adiante avisto
o que há de ser um porto ou um conforto
ou um rochedo, e aceito o oceano

Nenhuma chama acende o que me inspira
e a pira acesa rouba o oxigênio
leva consigo o fôlego e a coragem

Não haverá mergulho em águas profundas
somente a pena a rabiscar barquinhos
E um verso náufrago em forma de olhar.

Anderson Santos

Fonte: http://andy1977.multiply.com/



- Postado por: Rodrigo às 00h12
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Casimiro de Abreu: 04/01/1839 — 18/10/1860

Que é - simpatia

Simpatia - é o sentimento
Que nasce num só momento,
Sincero, no coração;
São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atração.

Simpatia - são dois galhos
Banhados de bons orvalhos
Nas mangueiras do jardim;
Bem longe às vezes nascidos,
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim.

São duas almas bem gêmeas
Que riem no mesmo riso,
Que choram nos mesmos ais;
São vozes de dois amantes,
Duas liras semelhantes,
Ou dois poemas iguais.

Simpatia - meu anjinho,
É o canto de passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d'agosto
É o que m'inspira teu rosto...
- Simpatia - é quase amor!

Casimiro de Abreu



- Postado por: Rodrigo às 00h10
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"A ambição domina as almas pequenas com mais facilidade do que as grandes, como o fogo pega melhor na palha e nas choupanas do que nos castelos."

Nicolas Chamfort


Coletânea: Ana Amélia Cavalcanti

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- Postado por: Rodrigo às 00h05
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As palavras e a criação da poesia

Palavras são conceitos
a sons associados.
Mas elas tem vida.
Crescem, amadurecem,
ficam famosas algumas
e eventualmente caem em desuso,
ficam velhas, morrem,
e são enterradas em algum dicionário ou texto antigo.
Mas todas,
absolutamente todas,
às vezes fazem festa,
se juntam por um tempo sem medida,
contam piada,
brincam de esconde-esconde,
encenam peças onde vivem vários personagens...
Depois,
plenas em prazer,
se abraçam em reverência.

Cesar Veneziani

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- Postado por: Rodrigo às 00h01
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Francisca Edwiges Neves Gonzaga: 17/10/1847 — 28/02/1935

LUA BRANCA

Ó lua branca de fulgores e de encanto!
Se é verdade que ao amor tu dás abrigo
Vem tirar dos olhos meus o pranto
Ai, vem matar esta paixão que anda comigo!

Ai por que és, desce do céu, ó lua branca!
Essa amargura do meu peito, ó vem arranca!
Dá-me o luar da tua compaixão
Ó vem, por Deus, iluminar meu coração!

E quantas vezes lá no céu me aparecias
A brilhar em noite calma e constelada!
A sua luz então me surpreendia

Ajoelhado junto aos pés da minha amada!

E ela a chorar, a soluçar cheia de pejo
Vinha em seus lábios me ofertar um doce beijo
Ela partiu, me abandonou assim
Ó Lua branca, por que és, tem dó de mim!

Chiquinha Gonzaga

 Ouça esta música aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=3iaXBasv9yw

Fonte: http://www.chiquinhagonzaga.com/



- Postado por: Rodrigo às 10h36
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2.

saudade eu tenho do que não nos coube
lamento apenas o desconhecimento
daquilo que não deu tempo de repartir
você não saboreou meu suor
eu não lhe provei as lágrimas
é no líquido que somos desvendados
no gosto das coisas o amor se reconhece
o meu pior e o meu melhor e os seus
ficaram sem ser apresentados

Martha Medeiros

In: Cartas Extraviadas e outros poemas
ed. L&PM, 2001 - Porto Alegre
p. 08

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- Postado por: Rodrigo às 00h06
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ESPELHOS D'ALMA...
 
Olhos enigmáticos assim tão profundos,
Dúbios espelhos d´alma que tanto seduzem
Todos os incautos de todos os mundos
Tantos sonhadores que ilusão produzem!

Eis que os olhos apenas escondem
O que lhes vai por dentro e que é segredo,
Reflexos antigos de experiências estranhas
Vivências pregressas de puro degredo!

Olhos especiais, raiz de promessa,
Esperança de luz que me acalenta,
Segredo incontido que esta alma confessa,
Delicioso entrevero que me atormenta

Quisera buscar nesses teus olhos
a pureza singela da minha infância
Ainda que a busca seja um mar de escolhos
Ou melhor, se perca em suave fragância!

Olhos brilhantes de carência confessa,
Marco indelével de identidade,
Com tantos sonhos de felicidade
Com toda a quimera que este peito expressa!

José Carlos Moreira da Silva

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- Postado por: Rodrigo às 00h01
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Oscar Wilde: 16/10/1854 — 30/11/1900

"[...] Até hoje dificilmente o Homem tem cultivado a solidariedade. Ele é solidário apenas na dor, e a solidariedade na dor não é a forma mais elevada de solidariedade. ... tal solidariedade (na dor) é muito limitada. Deveríamos ser solidários com a vida na sua totalidade, não apenas na dor e na doença, mas também na alegria, na saúde e na liberdade. ... Qualquer um pode se sentir solidário na dor sofrida por uma amigo, mas é preciso uma natureza muito superior ... para se sentir solidário no êxito alcançado por um amigo. [...]"

Oscar Wilde

In: O Retrato de Dorian Gray
Traduzido por Enrico Corvisieri,
da Editora Nova Cultural, 2003

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- Postado por: Rodrigo às 10h53
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amor e fé

o meu amor é religioso
porque é questão de fé.
e, se eu creio, ele logo existe.

é cristão, é pagão,
é pecado, e remissão.

quando eu digo: eu te amo,
ele me diz: eu também.

às vezes, não.

nunca o contrário.

- coitado.
eu o entendo.
o meu amor é pobre,
é covarde.

mas eu o amo mesmo assim.

Cássio Junqueira

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- Postado por: Rodrigo às 10h03
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“Lúcio: Imagine que eu estava junto da mesa, pronta para escrever para você e contar coisas, quando bateram à porta e trouxeram-me, vindo do Rio, o que você publicou no Diário Carioca. Isso valeu como se você tivesse respondido à minha primeira carta... Gostei tanto. Fiquei assustada com o que você diz – que é possível que meu livro seja o meu mais importante. Tenho vontade de rasgá-lo e ficar livre de novo: é horrível a gente já estar completa.” (Carta a Lúcio Cardoso, 1944)

Clarice Lispector

In: Correspondências, 2002 - Ed. Rocco

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- Postado por: Rodrigo às 09h57
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"A estrada da vida é uma reta marcada de encruzilhadas. Caminhos certos e errados, encontros e desencontros do começo ao fim. Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina. O melhor professor nem sempre é o de mais saber, é sim aquele que, modesto, tem a faculdade de transferir e manter o respeito e a disciplina da classe."

Cora Coralina

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- Postado por: Rodrigo às 12h38
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Dia dos Professores

MESTRES E ALUNOS

"É tarefa essencial do professor despertar a alegria de trabalhar e de conhecer. Caros meninos, como estou feliz por vê-los hoje diante de mim, juventude alegre de um país ensolarado e fecundo.

Pensem que todas as maravilhas, objetos de seus estudos, são a obra de muitas gerações, uma obra coletiva que exige de todos um esforço entusiasta e um labor difícil e impreterível. Tudo isto, nas mãos de vocês, se torna uma herança. Vocês a recebem, respeitam-na, aumentam-na e, mais tarde, irão transmiti-la fielmente à sua descendência. Deste modo somos mortais imortais, porque criamos juntos obras que nos sobrevivem.

Se refletirem seriamente sobre isto, encontrarão um sentido para a vida e para seu progresso. E o julgamento que fizerem sobre os outros homens e as outras épocas será mais verdadeiro."

Albert Einstein

In: Como vejo o Mundo - “Mein Weltbild” (1953)
Ed. Nova Fronteira – 11ª edição
Tradução de H. P. de Andrade

_________________

Por que presentear os professores com maçãs?

Saiba em: http://pessoas.hsw.uol.com.br/professor-maca.htm

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- Postado por: Rodrigo às 00h12
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Se você ama...

Versão do pessimista

Se você ama alguma coisa, deixe-a livre
Se ela voltar, é porque já era sua
Se não voltar, nunca foi...

*

Versão do otimista

Se você ama uma pessoa
que lhe é importante, deixe-a livre...
não se preocupe, ela irá voltar.

*

Versão dos impacientes

Se você ama alguém, deixe-a livre
se ela não voltar
dentro de um limite de tempo
esqueça-a.

*

Versão do possessivo

Se você ama uma pessoa
que lhe é importante
não se livre dela
jamais

Autoria Desconhecida



- Postado por: Rodrigo às 00h08
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Ler-te-ia

Ler-te-ia se os dias fossem pássaros;
em cada página que o corpo ateia
alimentava a chama como a veia
eleva o sangue aos corações nos cárceres.
E quando a escrita te constrói o rosto
festejo a vida na alegria feita
contemplação com o sabor do mosto
em cada frase na pronúncia eleita.
Porquê de tanto belo canta a morte
se o livro que folheio não me diz
o canto por que anseio de tal arte
que o gesto me conduz para a matriz.
O corpo livro que alimenta a ceia
vai saciando a sede que semeia.
 
José Félix

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- Postado por: Rodrigo às 00h03
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Anoitecer

a noite chega
quer a noite ser
tão fase do dia
como as fases da vida
é o império dos contornos
é o prenúncio do sono restaurador
ou a vida sem pudor
é o esconder-se de enganos
ou o buscar respostas escondidas

há que se temer
não o anoitecer do dia
mas sim o da alma

Cesar Veneziani

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- Postado por: Rodrigo às 21h57
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"Nós aprendemos a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos."

Martin Luther King

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- Postado por: Rodrigo às 09h53
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Esse texto não é de Vinicius de Moraes

Meus secretos amigos

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida  em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas  enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende  de suas existências... 

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na  sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como  são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente,  construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é  que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.   E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez,  fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de  mim, compartilhando daquele prazer... 

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os  meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus  amigos!

PAULO SANT'ANA

Cronista do jornal Zero Hora
Texto re-publicado no dia 15/01/2007,
no jornal Zero Hora

e-mail do autor: psantana.colunistas@zerohora.com.br

*

A frase que às vezes aparece no final: "A gente não faz amigos reconhece-os!" É de Garth Henrichs. O texto do Paulo Sant'Ana não tinha essa frase no final (...) foi acrescentado por algum repassador! Outros títulos dado ao mesmo texto na net: “Amigos”, “Meus Amigos”, ou “Meus Secretos Amigos”,  este texto vem sendo confundido como sendo do autor Vinicius de Moraes.



- Postado por: Rodrigo às 09h49
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Manuel Bandeira: 19/04/1886 - 13/10/1968

O último poema

Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

Manuel Bandeira

In: Libertinagem & Estrela da Manhã
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.
p. 70

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- Postado por: Rodrigo às 10h47
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Última página

Primavera. Um sorriso aberto em tudo. Os ramos
Numa palpitação de flores e de ninhos.
Doirava o sol de outubro a areia dos caminhos
(Lembras-te, Rosa?) e ao sol de outubro nos amamos.

Verão. (Lembras-te Dulce?) À beira-mar, sozinhos,
Tentou-nos o pecado: olhaste-me... e pecamos;
E o outono desfolhava os roseirais vizinhos,
Ó Laura, a vez primeira em que nos abraçamos...

Veio o inverno. Porém, sentada em meus joelhos,
Nua, presos aos meus os teus lábios vermelhos,
(Lembras-te, Branca?) ardia a tua carne em flor...

Carne, que queres mais? Coração, que mais queres?
Passas as estações e passam as mulheres...
E eu tenho amado tanto! e não conheço o Amor!

Olavo Bilac

In: Clássicos da Poesia Brasileira
Seleção e Organização de Frederico Barbosa
Ed. Klick, 1999.
p.154

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- Postado por: Rodrigo às 09h15
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Sem tempo para a poesia

Acordo Levanto Dever Destino
Banho Desodorante Cabelos Dentes
Camisa Blusa Calça Meias Sapatos
Ando Corro Trabalho Café Telefones
Almoço Negócios Conversas Emails Contratos Pagamentos
 
O dia se perde nos papéis
Dinheiro passando de mão em mão
Mercadorias chegando Mercadorias saindo
Transportadoras Motoristas Carreteiros Motoqueiros
Lucro Perdas Prejuízos Multas Taxas Juros
 
Pedidos Notas Fiscais Cheques Cartões de Crédito
Vassouras Rodos Cestos Lixeiras Varais Vasos
Panos de Chão Prendedores de Roupa Bolas de Plástico
Tubos de Pvc Torneiras Tomadas Alicates Pregos
Parafusos Buchas Martelos Termômetros Manômetros
 
Caixas que se abrem
Caixas que se fecham
Correio entrando, correio partindo
Compradores Vendedores Representantes Eletricistas
Gerentes de banco Caixeiros viajantes Pedreiros Vizinhos
 
Porta de Aço Cadeado Chave Alarme
Caminho Subida Cansaço Preguiça Gripe Tosse
Preocupações Indecisões Insatisfações Atormentações
Noite Nuvens Raios Ventania Guarda-chuva
Pensamentos Saudade Jantar Televisão Banho Dormir
 
Carlos Assis

Fonte: http://www.carlosassis.recantodasletras.com.br



- Postado por: Rodrigo às 09h06
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"A criança aprende pelo que o adulto é,
não pelo que ele fala".

(A.D.)

________________

MENSAGEM DA CRIANÇA

Dizes que sou o futuro,
Não me desampares no presente.
Dizes que sou a esperança da paz,
Não me induzas à guerra.
Dizes que sou a promessa do bem,
Não me confies ao mal.
Dizes que sou a luz dos teus olhos,
Não me abandones às trevas.
Não espero somente o teu pão,
Dá-me luz e entendimento.
Não desejo tão só a festa do teu carinho,
Suplico-te amor com que me eduques.
Não te rogo apenas brinquedos,
Peço-te bons exemplos e boas palavras.
Não sou simples ornamento de teu carinho,
Sou alguém que te bate à porta em nome de Deus.
Ensina-me o trabalho e a humildade, o devotamento e o perdão.
Compadece-te de mim e orienta-me para o que seja bom e justo.
Corrija-me enquanto é tempo, ainda que eu sofra...
Ajude-me hoje para que amanhã eu não te faça chorar.

Meimei / Psicografado por Chico Xavier



- Postado por: Rodrigo às 17h38
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Prêmio Nobel de Literatura 2008

“É à África que quero incessantemente voltar, à minha memória de criança. À fonte de meus sentimentos e de minhas determinações.

(...) Às vezes, no entanto, vou andando ao acaso pelas ruas de uma cidade e, bruscamente, ao passar por uma porta, na parte baixa de um imóvel em construção, aspiro aquele cheiro frio de cimento recém-moldado e eis que estou na choupana de passagem de Abakaliki, eis que entro no cubo sombrio de meu quarto e vejo atrás da porta o grande calango azul que nossa gata estrangulou e me trouxe como um sinal de boas-vindas. Ou então, quando menos espero, sou invadido pelo perfume de terra molhada do nosso quintal em Ogoja, quando a chuva de monção rola pelo telhado da casa para ir zebrar riachinhos cor de sangue no solo todo fendido. Chego até a escutar, por cima da vibração dos carros engarrafados numa avenida, a música contundente e doce do rio Aiya.”

Jean-Marie Gustave Le Clézio

In: "O africano"



- Postado por: Rodrigo às 00h48
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Cesar Veneziani



- Postado por: Rodrigo às 00h41
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Cartola: 11/10/1908 - 30/11/1980

AUTONOMIA

É impossível nesta primavera, eu sei
Impossível pois longe estarei
Mas pensando em nosso amor
Amor sincero
Ai, se eu tivesse autonomia
Se eu pudesse gritaria
Não vou, não quero

Escravizaram assim um pobre coração
É necessária nova abolição
Pra trazer de volta a minha liberdade
Se eu pudesse gritaria, amor
Se eu pudesse brigaria, amor
Não vou, não quero.

Composição: Cartola


Saiba mais sobre Cartola em:

http://www.cartola.org.br/cartola.html



- Postado por: Rodrigo às 22h22
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A PEDRA

O distraído
nela tropeçou.

O bruto a usou
como projétil.

O empreendedor,
usando-a, construiu.

O camponês, cansado
da lida, dela fez assento.

Para meninos,
foi brinquedo.

Drummond a poetizou.

Já, David matou Golias, e
Michelangelo extraiu-lhe a
mais bela escultura...

E em todos esses casos,
a diferença não esteve na
pedra, mas no homem!

Não existe "pedra" no seu
caminho que você não
possa aproveitá-la para
o seu próprio
crescimento.

Cada instante que passa
é uma gota de vida que
nunca mais torna a cair,
aproveite cada gota para
evoluir...
[...]

Antonio Carlos Vieira



- Postado por: Rodrigo às 12h26
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Música do blog

Chanson Triste - Carla Bruni

Chanson juste pour toi,
Canção justamente para você,
Chanson un peu triste je crois,
Canção um pouco triste, eu creio,
Trois temps de mots froissées,
Três tempos de palavras feridas,
Quelques notes et tous mes regrets,
Algumas notas e todos meus lamentos,
Tous mes regrets de nous deux,
Todos meus lamentos de nos dois,
Sont au bout de mes doigts,
Estão na ponta de meus dedos,
Comme do, ré, mi, fa, sol, la, si, do.
Como do, ré, mi, fa, sol, la, si, do.

C'est une chanson d'amour fané,
É uma canção de amor desvanecido,
Comme celle que tu fredonnais,
Como aquela que você cantou,
Trois fois rien de nos vies,
Três vezes, nada de nossas vidas,
Trois fois rien comme cette mélodie,
Três vezes, nada como essa melodia,
Ce qu'il reste de nous deux,
É o que resta de nós dois,
Est au creux de ma voix,
No grito de minha voz,
Comme do, ré, mi, fa, sol, la, si, do.
Como do, ré, mi, fa, sol, la, si, do.

C'est une chanson en souvenir
É uma canção em recordação...
Pour ne pas s'oublier sans rien dire
Para não se esquecer, sem nada dizer
S'oublier sans rien dire
Se esquecer, sem nada dizer

Composição: Carla Bruni

In: Álbum 'Quelqu'un M'a Dit' - Carla Bruni
Grav. ST2 (2004)

 

 Assista o vídeo acústico desta música aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=h32j42BdKaQ



- Postado por: Rodrigo às 12h17
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"Quando tu falas eu penso
Que, livre da tempestade,
Vejo o sol na imensidade
Nadando em vivo esplendor
E sobre um torrão bendito,
Salvo da fúria das vagas
Ouço da tormenta as pragas
Ouço do raio o estridor.

Sim, teu amor é o porto
Onde minh'alma descrita
No naufrágio desta vida
Asilo e calma encontrou.
Praia amiga, ilha das fadas,
Que a mão de Deus sobre os mares
Cobriu de eternos palmares,
De areias de ouro cercou!

Fala! Teu falar é grato
Como o vinho que embriaga,
Se n'alma a tristeza apaga,
Traz sonhos que não têm fim.
Ai! Se além na eterna glória
Também os anjos se falam,
Se não te entendem, se calam,
Ou senão, falam assim!”

Fagundes Varela



- Postado por: Rodrigo às 12h03
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Eu sou teu vento

Que vento tu me preferes?

Vento sutil, ária fresca
ventando bem de mansinho,
te afagando num carinho
eriçando os teus pêlos

ou um vento intepestivo
ousado, chegando forte
a embaraçar teus cabelos
e te fazendo cativo
perdido nele, sem norte

Diz, como queres que eu vente?

Tépido cálido e faceiro
vento bem passageiro
afoito e atrevido
que sai às ruas furtivo
alevantando vestidos
fazendo festa no ar

ou me queres furiosa
em tarde tempestuosa
vento descompassado
te fazendo agitado
crispando as ondas do mar

Que vento, amor, me queres?

Um uivante vendaval
anúncio de furacão
que deixa marcas, fustiga
ou um sopro apaixonado
sussurro quente no ouvido
brisa tranquila ou tufão?
Pense bem, depois me diga!

Lou Melegaro (29-09-08)



- Postado por: Rodrigo às 22h05
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Ah se eu tivesse – se eu pudesse – se eu fosse

Julinha está muito irritada
“que cabeleira desajeitada!”
Ah, como adoraria ter
os longos fios da princesa Ester!

Já a princesa Ester não gosta
de pratos finos nem de lagosta
Quer só comer arroz e feijão
e ficar gorda como João

João, o velho cozinheiro,
queria mesmo é ser padeiro
Morre de inveja do Rodrigo
grande mestre do pão de trigo

Para Rodrigo, isso não é nada,
só não gosta da casa apertada
Sonha em morar no casarão
em que Sonia passa o verão

Condessa Sonia só quer dançar
e nem liga para o luxo do lugar
Daria tudo o que tem em troca
para dançar tão bem como o Joca

Joca é craque nos aparelhos,
nas argolas estica bem os joelhos
Mas se aborrece noite e dia
Com o equilíbrio de Maria

Maria acha muito engraçado
que Joca fique tão irado
Queria tocar trombeta
tão bem como toca Preta

E de Preta, o que dizer?
Tantas coisas queria ter
Os dentes de Estela, por exemplo,
brilhantes como o firmamento

Estela é famosa na região
por criar cães de exposição
Mas quem ganhou a competição
Foi o Totó da Conceição

D. Conceição fez cem anos
Bela idade para os humanos
Mas não comenta de jeito algum
Que o seu José tem cento e um

José está feliz da vida
Só conta piada repetida
Estranha que seu filho Sebastião
Não presta muita atenção

Sebastião tem pouco cabelo
e bem que tenta escondê-lo
Admira a juba enrolada
que deixa a Julinha chateada

Mas ele acaba pensando
que é melhor ir se conformando
Não tem mais o que fazer
com a careca vai ter de viver

O negócio dele é festejar
comer, beber, brincar e dançar
Tudo com muita alegria e cor
Quem será que faz isso melhor?

Karen Holländer

In: Ah se eu tivesse – se eu pudesse – se eu fosse (Ach hätte – könnte – wäre ich)
Residenz Verlag
St. Pölten / Salzburg 2007
Traduzido por Christine Rohrig



- Postado por: Rodrigo às 21h26
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ACENDE A LUZ

Ao longo do caminho em que jornadeias para diante, encontrarás a treva a cercar-te em todos os flancos.

Trevas da ignorância em forma de incompreensão, nevoeiros de ódio em forma de desespero, neblinas de impaciência em forma de lágrimas e sombras de loucura em forma de tentações sinistras.


*

Acende, porém, a luz da oração e caminha. A prece é claridade que te auxiliará a ver a amargura das vítimas do mal, as feridas dos que te ofendem sem perceber, as mágoas dos que te perseguem e a infelicidade dos que te caluniam.


*

Ora e segue, adiante.
O horizonte é sempre mais nobre e a estrada sempre mais sublime, desde que a oração permaneça em tua alma em forma de confiança e de luz.
                                                          
   
Ditado pelo espírito de André Luiz, psicografia de Chico Xavier 

In: Livro Servidores no Além



- Postado por: Rodrigo às 21h18
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Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mão à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade

(foi mantida a grafia original)

O verso acima foi  extraído do livro "Poemas 1945 - 1965", 3ª edição, 1971.



- Postado por: Rodrigo às 17h42
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Reflexão n°1

Ninguém sonha duas vezes o mesmo sonho
Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio
Nem ama duas vezes a mesma mulher.
Deus de onde tudo deriva
E a circulação e o movimento infinito.

Ainda não estamos habituados com o mundo
Nascer é muito comprido.

Murilo Mendes

Melhores Poemas - Murilo Mendes
Global Editora
p. 63



- Postado por: Rodrigo às 17h35
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De cara lavada - 177

hoje me desfiz dos meus bens
vendi o sofá cujo tecido desenhei
e a mesa de jantar onde fizemos planos

o quadro que fica atrás do bar
rifei junto com algumas quinquilharias
da época em que nos juntamos

a tevê e o aparelho de som
foram adquiridos pela vizinha
testemunha do quanto erramos

a cama doei para um asilo
sem olhar pra trás e lembrar
do que ali inventamos

aquele cinzeiro de cobre
foi de brinde com os cristais
e as plantas que não regamos

coube tudo num caminhão de mudança
até a dor que não soubemos curar
mas que um dia vamos

Martha Medeiros

Texto extraído do livro "Martha Medeiros - Poesia Reunida", L&PM Editores - Porto Alegre, 1999, pág. 127.



- Postado por: Rodrigo às 20h22
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DIAS

Eram dias felizes, estes
Em que cavalgávamos nossos corações selvagens
Ferindo nossas pernas com seus espinhos,
Sangrando rios de sal, acordando manhãs não raiadas
E dormindo noites mal sonhadas

Eram dias estranhos, estes
Dias sem frases inteiras, dias desconexos
Em que se lançavam ferozmente palavras ao céu
Para recebê-las de volta em forma de luz, cobertas de cor
Com os braços bem abertos

Foram dias, enfim, e não noites
Em que tudo foi humano até seu próprio limite
Em que nossas mãos deslizaram pelos mares
De mármore branco de escadas fugidias
Naufragando-nos, solenes, para dentro de nós mesmos.

Alessandra Siedschlag



- Postado por: Rodrigo às 20h15
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Quando eu achei você
Na noite
Eu perguntei alguma coisa ao meu coração:
Eu poderia levá-la à luz de novo?

Nesse pouco tempo, eu despertei
Eu vi um futuro para você
Um milhar de sorrisos
em seu plano

Quero você pra mim
E tentarei
Farei com que você veja
em meus olhos para sentir
O meu sentimento de aço
Eu sei fazer você feliz

Pegue todos os mentirosos
Na sua vida
E tranque-os no passado
Você precisa de novas memórias

E agora você está
Na minha linha
E vou fazer o melhor
Para fazer com que seu sangue flua em minhas veias

Quero você pra mim
E tentarei
Farei com que você veja
em meus olhos para sentir
O meu sentimento de aço
Eu sei fazer você feliz

você sabe
o tempo todo
a verdade
nos meus olhos
você sabe
a minha verdade
é você
nos meus olhos.

Felipe Luna

Fonte: Mensagens Perfeitas (http://amandaprates.zip.net/)



- Postado por: Rodrigo às 10h33
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É ABANDONÁVEL...

Um sentimento ruim
Uma relação desgastante
Que até chegou ao fim
Pela tristeza constante.

A tal da droga
Um mau hábito
Viciado que joga
Não um inválido!

Um trabalho estressante
A arma branca ou de fogo
Até a velha estante
Aquele chato jogo.

Um velho jargão
As famosas frases prontas
Que inibem a criação
Deixam as pessoas tontas.

Tudo que você quiser
Odiar ou achar lamentável
Pensar ou imaginar.
Tudo é abandonável!

Sandro Nicodemo



- Postado por: Rodrigo às 10h13
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Nuvens (I)

"Não haverá uma só coisa que não seja
uma nuvem. São nuvens as catedrais
de vasta pedra e bíblicos cristais
que o tempo aplanará. São nuvens a Odisséia
que muda como o mar. Algo há distinto
cada vez que a abrimos. O reflexo
de tua cara já é outro no espelho
e o dia é um duvidoso labirinto.
Somos os que se vão. A numerosa
nuvem que se desfaz no poente
é nossa imagem. Incessantemente
a rosa se converte noutra rosa.
És nuvem, és mar, és olvido.
És também aquilo que perdeste".

Jorge Luis Borges

In: Os Conjurados
Ed. Três, 1985

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- Postado por: Rodrigo às 10h09
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O peixe 
 
Tendo por berço o lago cristalino,
Folga o peixe, a nadar todo inocente,
Medo ou receio do porvir não sente,
Pois vive incauto do fatal destino.

Se na ponta de um fio longo e fino
A isca avista, ferra-a insconsciente,
Ficando o pobre peixe de repente,
Preso ao anzol do pescador ladino.

O camponês, também, do nosso Estado,
Ante a campanha eleitoral, coitado!
Daquele peixe tem a mesma sorte.
 
Antes do pleito, festa, riso e gosto,
Depois do pleito, imposto e mais imposto.
Pobre matuto do sertão do Norte!
 
Patativa do Assaré

In: Inspiração Nordestina (3a. edição)
Ed. Hedra, 2006 - São Paulo
p. 202



- Postado por: Rodrigo às 10h25
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Le toi du moi (Você à mim)

Eu sou sua coroa, você é minha cara
Você meu umbigo, e eu seu gelo
Você é o desejo e eu o gesto
Você o limão e eu o sabor
Eu sou chá, você é a xícara
Você o violão e eu o baixo
Eu sou chuva e você é minhas gotas
Você é o sim e eu a dúvida
Você é o buquê e eu sou flores
Você é a aorta e eu o coração
Você é o momento eu felicidade
Você é o copo eu sou vinho
Você é a erva-daninha e eu a junção
Você é vento eu sou a rajada
Você a raquete e eu a bola
Você é o brinquedo e eu a criança
Você é o homem velho e eu o tempo

Eu sou a íris você é a pupila
Eu sou o tempero você a papila
Você água que vem e eu a boca
Você o amanhecer e eu o céu que se deita

Você é o licor e eu a embriaguez
Você é a mentira e eu a preguiça
Você é o leopardo eu a velocidade
Você é a mão e eu a carícia
Eu sou o inferno de seu pecador
Você é o Céu eu a Terra

Eu sou a orelha de sua música
Eu sou o sol de seus trópicos
Eu sou o tabaco de seu cachimbo
Você é o prazer eu sou a culpa
Você é a gama e eu a nota
Você é chama eu fósforo

Você é o calor e eu a ociosidade
Você é a chama eu sou a prece
Você é o cansaço e eu a soneca
Você é o frescor e eu o temporal
Você a nádegas eu sou a cadeira
Você é o liso e eu, eu sou o áspero

Você é o Laurel de meu Hardy  
Você é o prazer de meu suspiro
Você é o bigode de meu Trotski
Você é todos os estouros da minha risada
Você é a canção de minha sirene
Você é sangue e eu a veia
Você é o nunca do meu sempre
Você é meu amor você é meu amor
Eu sou sua coroa você minha cara,
Você meu umbigo e eu seu gelo,
Você é o desejo e eu o gesto
Você é o limão e eu o sabor
Eu sou chá, você é a xícara
Você a prostituta e eu a passagem
Você é túmulo eu sou epitáfio
E você o texto, eu o parágrafo
Você é o lapso e eu a gafe
Você a elegância e eu a graça
Você é o efeito eu sou a causa
Você me expressa a neurose
Você o espinho eu a rosa

Você é a tristeza eu o poeta
Você é a Bela e eu a Fera
Você é o corpo e eu a cabeça
Você é o corpo... Mmm...
Você é a seriedade eu a indiferença
Você o policial eu o equilíbrio
Você o jogo eu a forca
Você o problema eu o medo
Você o muito pouco eu o muito
Eu sou o sábio você o louco
Você é o raio e eu a pólvora
Você a palha e eu o pó
Você é o super ego de mim
É você Charybde e eu Scylla
Você é o amargo e eu o doce
Você é nada e eu o tudo
Você é a canção de minha sirene
Você é sangue e eu a veia
Você é o nunca de sempre
Você é meu amor você é meu amor.

Composição: Carla Bruni

In: Quelqu'un M'a Dit - Carla Bruni
Grav. ST2 (2004)

 Ouça esta música aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=sMDojQwRL1U



- Postado por: Rodrigo às 10h20
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Hoje: 204 anos do nascimento de Allan Kardec

"O dever íntimo do homem é governado pelo seu livre-arbítrio, este aguilhão da consciência, guardião da integridade interior, o adverte e o sustenta; mas permanece, muitas vezes, impotente perante os enganos da paixão. O dever do coração, fielmente observado, eleva o homem, mas, como este dever pode ser determinado? Onde ele começa? Onde termina? O dever começa precisamente no ponto onde ameaçais a felicidade ou a tranqüilidade de vosso próximo, e termina no limite em que não desejaríeis vê-lo transposto em relação a vós mesmos."

ALLAN KARDEC

In: O Evangelho segundo o Espiritismo
Cap. 17, Item 7

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- Postado por: Rodrigo às 11h17
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Eu amo... tu amas?

VERBO AMAR

Amar...
Verbo da primeira conjugação
Sempre conjugado com afeto
Por quem tem amor no coração

É verbo transitivo direto
Logo pede um complemento
Pois quem ama, ama alguém
O amor é um nobre sentimento
E é de Deus um mandamento
Eu amo tanto e no entanto
Amado não sou por ninguém

Mesmo não amado desse jeito
Não me julgo com direito
De reclamar
Pois meu amor não é perfeito
Penso até que é um defeito
Que nem eu sei explicar
Todas as garotas que eu vejo
De todas eu quero um beijo
E a todas eu juro amar

Carlos Charles Mota

In: D.O. – Espírito Santo (16/11/2005)



- Postado por: Rodrigo às 11h09
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Do Bem e do Mal

No fundo, não há bons nem maus. Há apenas os que sentem prazer em fazer o bem e os que sentem prazer em fazer o mal. Tudo é volúpia...

Mario Quintana

In: Caderno H

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- Postado por: Rodrigo às 21h42
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Os cinco princípios do Reiki *

Só por hoje, não sinta raiva e não fique zangado.
Só por hoje, abandone as preocupações.
Só por hoje, agradeça as bênçãos.
Só por hoje, faça seu trabalho honestamente.
Só por hoje, seja gentil com o próximo e com todos os seres vivos.

  Esta Mensagem para Orkut: 

 

* Reiki é uma arte que alia simplicidade, amor e eficácia, visando estimular a cura por meio da imposição das mãos. Essa técnica japonesa ensina transmitir uma energia harmoniosa, que leva o receptor a um estado de equilíbrio, podendo assim ter condições de eliminar seus traumas, liberar problemas físicos e energéticos, e a buscar efetivamente a sua evolução e cura. Reiki foi criado por Mikao Usui na segunda década do século XX.



- Postado por: Rodrigo às 11h36
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Não apaguem as estrelas

Não apaguem as nossas estrelas.
Elas são tão poucas; roucas
(Alguns dizem que são loucas),
De tanto falarem
E poucos escutarem.

Não apaguem as nossas estrelas
Muitos dizem que são insanas;
Que são todas doidivanas,
Mas, igual a Bilac, eu as escuto
"Pálido de espanto".

Não apaguem as nossas estrelas:
Nem nos pampas, nem em Sampa,
Nem no Rio ou São Luís
Nem em qualquer pedaço de céu
Deste grande pequeno país.

Não apaguem as nossas estrelas:
Quase ninguém mais as vê,
Pois como bem disse o poeta
Existe uma "feia fumaça"
Empenhada em apagá-las.

Não apaguem as nossas estrelas:
Hilda partiu e, portanto surgiu
Mais um astro no firmamento,
Só pra fazer muita inveja
Ao Cruzeiro do Sul.

Raymundo Silveira

(Uma homenagem póstuma à poetisa Hilda Hilst)

Fonte: http://www.coracao.bazar.nom.br/raymundo/raymundo.htm  



- Postado por: Rodrigo às 11h27
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E il naufragar m'è dolce in questo mare
Leopardi

O mergulhador

Como, dentro do mar, libérrimos, os polvos
No líquido luar tateiam a coisa a vir
Assim, dentro do ar, meus lentos dedos loucos
Passeiam no teu corpo a te buscar-te a ti.

És a princípio doce plasma submarino
Flutuando ao sabor de súbitas correntes
Frias e quentes, substância estranha e íntima
De teor irreal e tato transparente.

Depois teu seio é a infância, duna mansa
Cheia de alísios, marco espectral do istmo
Onde, a nudez vestida só de lua branca
Eu ia mergulhar minha face já triste.

Nele soterro a mão como a cravei criança
Noutro seio de que me lembro, também pleno...
Mas não sei... o ímpeto deste é doído e espanta
O outro me dava vida, este me mete medo.

Toco uma a uma as doces glândulas em feixes
Com a sensação que tinha ao mergulhar os dedos
Na massa cintilante e convulsa de peixes
Retiradas ao mar nas grandes redes pensas.

E ponho-me a cismar… – mulher, como te expandes!
Que imensa és tu! maior que o mar, maior que a infância!
De coordenadas tais e horizontes tão grandes
Que assim imersa em amor és uma Atlântida!

Vem-me a vontade de matar em ti toda a poesia
Tenho-te em garra; olhas-me apenas; e ouço
No tato acelerar-se-me o sangue, na arritmia
Que faz meu corpo vil querer teu corpo moço.

E te amo, e te amo, e te amo, e te amo
Como o bicho feroz ama, a morder, a fêmea
Como o mar ao penhasco onde se atira insano
E onde a bramir se aplaca e a que retorna sempre.

Tenho-te e dou-me a ti válido e indissolúvel
Buscando a cada vez, entre tudo o que enerva
O imo do teu ser, o vórtice absoluto
Onde possa colher a grande flor da treva.

Amo-te os longos pés, ainda infantis e lentos
Na tua criação; amo-te as hastes tenras
Que sobem em suaves espirais adolescentes
E infinitas, de toque exato e frêmito.

Amo-te os braços juvenis que abraçam
Confiantes meu criminoso desvario
E as desveladas mãos, as mãos multiplicantes
Que em cardume acompanham o meu nadar sombrio.

Amo-te o colo pleno, onda de pluma e âmbar
Onda lenta e sozinha onde se exaure o mar
E onde é bom mergulhar até romper-me o sangue
E me afogar de amor e chorar e chorar.

Amo-te os grandes olhos sobre-humanos
Nos quais, mergulhador, sondo a escura voragem
Na ânsia de descobrir, nos mais fundos arcanos
Sob o oceano, oceanos; e além, a minha imagem.

Por isso – isso e ainda mais que a poesia não ousa
Quando depois de muito mar, de muito amor
Emergindo de ti, ah, que silêncio pousa
Ah, que tristeza cai sobre o mergulhador!

Vinicius de Moraes

In: "O Mergulhador",

Edição do Atelier de Arte, Rio de Janeiro, 1968,
pág. 77, exemplar n.º 148



- Postado por: Rodrigo às 17h33
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Serra Do Luar

Amor, vim te buscar
Em pensamento
Cheguei agora no vento
Amor, não chora de sofrimento
Cheguei agora no vento
Eu só voltei prá te contar
Viajei...Fui prá Serra do Luar
Eu mergulhei...Ah!!!Eu quis voar
Agora vem, vem prá terra descansar

Viver é afinar o instrumento
De dentro prá fora
De fora prá dentro
A toda hora, todo momento
De dentro prá fora
De fora prá dentro
A toda hora, todo momento
De dentro prá fora
De fora prá dentro

Tudo é uma questão de manter
A mente quieta
A espinha ereta
E o coração tranquilo
Tudo é uma questão de manter
A mente quieta
A espinha ereta
E o coração tranquilo
A toda hora, todo momento.

Composição: Walter Franco

 Interpretação da música por Leila Pinheiro:

http://br.youtube.com/watch?v=-QDw_tXTlNk



- Postado por: Rodrigo às 17h25
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