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Perfil BRASIL, Homem, de 26 a 35 anos |




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"Das qualidades necessárias ao xadrez, Iaiá possuía as duas essenciais: vista pronta e paciência beneditina, qualidades preciosas na vida, que também é um xadrez, com seus problemas e partidas, umas ganhas, outras perdidas, outras nulas."
Machado de Assis
In: "A Semana"
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"Qual é a causa que leva o homem a guerra?" "Predominância da natureza selvagem sobre a espiritual e satisfação das paixões. No estado de barbárie, os povos conhecem apenas o direito do mais forte; é por isso que a guerra é para eles um estado normal. Contudo, à medida que o homem progride, ela se torna menos freqüente, porque evita as suas causas, e quando é inevitável sabe aliar à sua ação o sentimento de humanidade."
ALLAN KARDEC
In: O LIVRO DOS ESPÍRITOS
QUESTÃO 742
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“O homem de bem põe o seu coração na virtude, o homem mesquinho põe o seu coração na terra (o lucro físico desta). O homem de bem põe o seu coração na lei, o homem mesquinho põe o seu coração no privilégio.”
Confúcio
In: Analectos, Cap. IV, Verso 11.
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A flor diz: "Olho para cima, a fim de ver a luz e não a minha sombra." Este é um aspecto da sabedoria que o homem ainda não aprendeu.
Khalil Gibran
In: Uma Lágrima e um Sorriso
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CARTAS A UM JOVEM POETA (trechos)
Quanto mais o leio, mais tenho a impressão de que tudo esta aí dentro, do perfume mais discreto da vida ao sabor pleno e forte de seus frutos mais pesados. Não há nada neste livro que não tenha sido compreendido, apanhado, vivido e pelos ecos vibrantes de saudade, reconhecido; nenhuma experiência foi insignificante; o menor acontecimento desdobra-se com um destino (...) p. 32
(...) As obras de arte são de uma infinita solidão; nada as pode alcançar tão pouco quanto a critica. Só o amor as pode compreender e manter e mostrar-se justo com elas.(...) um ano nada vale, dez anos não são nada. Ser artista não significa calcular e contar, mas sim amadurecer como a árvores que não apressa a sua seiva e enfrenta tranqüila as tempestades da primavera, sem medo de que depois dela não (...) p. 32
(...) venha nenhum verão. O verão há de vir. Mas virá só para os pacientes, que aguardam num grande silêncio intrépido, como se diante deles estivesse a eternidade. Aprendo-o diariamente, no meio de dores a que sou agradecido: a paciência é tudo. (...) p. 33
(...) A criação intelectual, com efeito, provém também da criação carnal. É da mesma essência; é apenas uma repetição mais silenciosa, enlevada e eterna da volúpia do corpo. “A idéia de ser criador, de gerar, de moldar” não é nada sem sua grande e perpétua confirmação na vida; p. 39-40 (...)
Não busque por enquanto respostas que não lhe podem se dadas, porque não as poderia viver. Pois trata-se precisamente de viver tudo. Viva por enquanto as perguntas. (...) p. 38
Rainer Maria Rilke
In: CARTAS A UM JOVEM POETA,
Editora Globo, 17 ed.

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.


“Sou eu que começo? Não sei bem o que dizer sobre mim. Não me sinto uma mulher como as outras.
[...]
Mas segui todos os mandamentos de uma boa menina: brinquei de boneca, tive medo do escuro e fiquei nervosa com o primeiro beijo.
[...]
Adoro massas cinzentas, detesto cor-de-rosa. Penso como um homem, mas sinto como mulher. Não me considero vítima de nada. Sou autoritária, teimosa e um verdadeiro desastre na cozinha. Peça para eu arrumar uma cama e estrague meu dia. Vida doméstica é para os gatos.
Martha Medeiros
In: Divã
Ed. Objetiva, 2002

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Mascarados
Saiu o Semeador a semear
Semeou o dia todo
e a noite o apanhou ainda
com as mãos cheias de sementes.
Ele semeava tranqüilo
sem pensar na colheita
porque muito tinha colhido
do que outros semearam.
Jovem, seja você esse semeador
Semeia com otimismo
Semeia com idealismo
as sementes vivas
da Paz e da Justiça.
Cora Coralina
O poema acima, inédito em livro, foi publicado pelo jornal "Folha de São Paulo" — caderno "Folha Ilustrada", edição de 04/07/2001.
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Ses longs cheveux épars la couvrent tout entière
La croix de son collier repose dans sa main,-
Comme pour témoigner qu'elle a fait sa prière.
Et qu'elle va la faire en s'éveillant demain.
A. DE MUSSET *
_____________________
Adormecida
Uma noite, eu me lembro... Ela dormia
Numa rede encostada molemente...
Quase aberto o roupão... solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.
'Stava aberta a janela. Um cheiro agreste
Exalavam as silvas da campina...
E ao longe, num pedaço do horizonte,
Via-se a noite plácida e divina.
De um jasmineiro os galhos encurvados,
Indiscretos entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras,
Iam na face trêmulos - beijá-la.
Era um quadro celeste!...A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia...
Quando ela serenava... a flor beijava-a...
Quando ela ia beijar-lhe... a flor fugia...
Dir-se-ia que naquele doce instante
Brincavam duas cândidas crianças...
A brisa, que agitava as folhas verdes,
Fazia-lhe ondear as negras tranças!
E o ramo ora chegava ora afastava-se...
Mas quando a via despeitada a meio,
P'ra não zangá-la... sacudia alegre
Uma chuva de pétalas no seio...
Eu, fitando esta cena, repetia
Naquela noite lânguida e sentida :
'Ó flor! - tu és a virgem das campinas!
'Virgem! - tu és a flor da minha vida!...'
Castro Alves
In: Clássicos da Poesia Brasileira
Seleção e Organização: Frederico Barbosa
Ed. Klick, 1999
p. 131
* Seus longos cabelos espalhados a cobrirem por inteiro
A cruz de seu colar repousa em sua mão. –
Como para testemunhar que ela fez sua oração.
E que fará ao despertar amanhã.
A. DE MUSSET

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"O mérito consiste em suportar sem lamentação as conseqüências dos males que não se podem evitar, em continuar na luta, em não se desesperar se não for bem-sucedido (...)"
ALLAN KARDEC
In: O Evangelho Segundo o Espiritismo
CAP. 5, ITEM 26
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Nossos Velhos
Pais heróis e mães rainhas do lar.
Passamos boa parte da nossa existência cultivando estes estereótipos.
Até que um dia o pai herói começa a passar o tempo todo sentado, resmunga baixinho e puxa uns assuntos sem pé nem cabeça.
A rainha do lar começa a ter dificuldade de concluir as frases e dá prá implicar com a empregada.
O que papai e mamãe fizeram para caducar de uma hora para outra?
Fizeram 80 anos. Nossos pais envelhecem. Ninguém havia nos preparado pra isso.
Um belo dia eles perdem o garbo, ficam mais vulneráveis e adquirem umas manias bobas.
Estão cansados de cuidar dos outros e de servir de exemplo: agora chegou a vez de eles serem cuidados e mimados por nós, nem que pra isso recorram a uma chantagenzinha emocional.
Têm muita quilometragem rodada e sabem tudo, e o que não sabem eles inventam.
Não fazem mais planos a longo prazo, agora dedicam-se a pequenas aventuras, como comer escondido tudo o que o médico proibiu. Estão com manchas na pele.
Ficam tristes de repente. Mas não estão caducos: caducos ficam os filhos, que relutam em aceitar o ciclo da vida.
É complicado aceitar que nossos heróis e rainhas já não estão no controle da situação. Estão frágeis e um pouco esquecidos, têm este direito, mas seguimos exigindo deles a energia de uma usina.
Não admitimos suas fraquezas, seu desânimo.
Ficamos irritados se eles se atrapalham com o celular e ainda temos a cara-de-pau de corrigi-los quando usam expressões em desuso: calça de brim? frege? auto de praça?
Em vez de aceitarmos com serenidade o fato de que as pessoas adotam um ritmo mais lento com o passar dos anos, simplesmente ficamos irritados por eles terem traído nossa confiança, a confiança de que seriam indestrutíveis como os super-heróis.
Provocamos discussões inúteis e os enervamos com nossa insistência para que tudo siga como sempre foi. Essa nossa intolerância só pode ser medo. Medo de perdê-los, e medo de perdermos a nós mesmos, medo de também deixarmos de ser lúcidos e joviais. É uma enrascada essa tal de passagem do tempo.
Nos ensinam a tirar proveito de cada etapa da vida, mas é difícil aceitar as etapas dos outros, ainda mais quando os outros são papai e mamãe, nossos alicerces, aqueles para quem sempre podíamos voltar, e que agora estão dando sinais de que um dia irão partir sem nós.
Martha Medeiros
OBS: Infelizmente muito dos textos postados em blogs e enviados em PPS não são reproduzidos com fidelidade. Quem cria os PPS adiciona, por conta própria, uma frasezinha aqui, outra ali, e ainda inventa um grand finale. Um fechamento para arrancar lágrimas. Eu chamaria isso de má-fé, mas dizem que é apenas uma "contribuição". O texto acima, de 2002, circula com um encerramento totalmente diferente do que Martha Medeiros escreveu, uma chorumela de cortar os pulsos. Tem um outro, chamado "Faxina geral", que é um texto leve e bem-humorado, mas que circula com uma música tão cafona e melancólica, que detona com qualquer graça que o texto possa ter. Claro que deve haver PPS modernos, criativos, dinâmicos, de bom gosto e que reproduzem os textos sem adulterações. Mas, estranhamente, estes não me chegam.

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Onde está escrita a lei de Deus?
"Na consciência."
ALLAN KARDEC
In: O Livro dos Espíritos
Questão 621
_________________
Não adianta
Não adianta dar esmolas, se você humilha o pobre;
não adianta fazer o bem, se for para sua vaidade;
não adianta rezar, se você for fariseu;
não adianta perdoar, se ficar recordando a ofensa;
não adianta dizer que tem fé, se não der testemunho;
não adianta fazer milagres, se não tiver o espírito de Deus;
não adianta oferecer sacrifícios, se não for por amor;
não adianta crer na vida eterna, se vive mal a vida presente.
Pe. Luiz Cechinato
In: Orações E Mensagens
Editora Vozes

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Vandalismo
Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longínquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.
Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.
Como os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos ...
E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!
Augusto dos Anjos
In: Clássicos da Poesia Brasileira
Seleção e Organização de Frederico Barbosa
Ed. Klick, 1999.
p.177

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NA CADEIA
Na cadeia os bandidos presos!
O seu ar de contemplativos!
Que é das feras de olhos acesos?!
Pobres dos seus olhos cativos.
Passeiam mudos entre as grades,
Parecem peixes num aquário
Campo florido das Saudades,
Por que rebentas tumultuário?
Serenos... Serenos... Serenos...
Trouxe-os algemados a escolta.
Estranha taça de venenos
Meu coração sempre revolta.
Coração, quietinho... quietinho...
Porque te insurges e blasfemas?
Pschiu... Não batas... Devagarinho...
Olha os soldados, as algemas!
Camilo Pessanha
In: Clepsidra
Editora Princípio
p. 45

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Resíduo
fragmento petrarquiano
Lembrança bela que nada escuta
revela, com calma, a mente falsa.
Muda a cada meio passo e fala nada.
"April in Paris" na vitrola rola.
Lenta melodia enrola a noite laura,
Petrarca, da janela do Leblon, chora.
Vento de sal descortina a memória,
refresca o céu, a mente assassina,
e o fel interno, inferno, se revolta.
Frederico Barbosa
In: Cantar de Amor entre os Escombros
Ed. Landy, 2002.
p. 52

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O DIA DOS NAMORADOS
O dia dos Namorados
para mim é todo dia.
Não tenho dias marcados
para te amar noite e dia.
O dia 12 de junho,
como qualquer outro, diz
(e disso dou testemunho)
que contigo sou feliz.

Carlos Drummond de Andrade
In: Carlos Drummond de Andrade - Poesia Completa
Editora Nova Aguilar, 2007
p. 1495
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Antes de eu morrer
Antes de eu morrer,
Mais uma vez falar sobre o amor.
De modo que alguns possam dizer:
Ele existia. Ele deve haver.
Mais uma vez falar sobre a felicidade
A esperança por felicidade.
De modo que alguns venham mesmo a perguntar:
O que era isso? Quando ela vai regressar?
Erich Fried
In: Sombras da vida [Lebensschatten],
Berlim 1981,
pág. 24.


Meu Jardim
Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores
Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores
Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores
Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho
Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho
Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim
Composição: Vander Lee
Esta Mensagem para Orkut:
Ouça esta música aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=VVYVFBCYE-Q


A RECONSTITUIÇÃO DE UM POEMA
Traços de tinta no papel cortado:
pedaços de uma mesma declaração
reiterada a cada palavra vaga,
mesmo a mais errônea e emocionada.
Esse seu soneto (ainda mais um)
minha mão insegura, tola e tonta,
pronta a tramar sua própria destruição,
em momento algum logrou rasgar
Pois mesmo cega faca e inconstante,
sendo incapaz de se saber feliz,
confiar na felicidade que há,
sabe e sente que ser é diferente,
nesse mundo de triste imperfeição,
quando se ama de forma tão exata.
Frederico Barbosa
In: Cantar de Amor entre os Escombros
Ed. Landy, 2002.
p. 62


Paixão Proibida
Quantos secretos desejos
Cruzam-se por nosso olhar...
É uma paixão incontida,
Clandestina, proibida,
Difícil de disfarçar...
O encontro de nossas vidas
Tardou a acontecer...
Resultou em sentimentos
Mergulhados em lamentos,
Razão do meu padecer.
Eu sinto que tu me amas,
Sabes o bem que te quero...
Mas o ingrato destino
Transformou em desatino
Este amor forte, sincero...
Motivos mil nos separam,
Sufocam quaisquer anseios...
Em nossos mundos distintos
Sublimamos os instintos,
Nos amando em devaneios...
São beijos emocionantes,
Trocados em pensamento,
Horas de magia pura,
Carícias cuja ternura
Nos elevam ao firmamento.
Mas, sendo um dom dos amantes,
Manter firme a esperança,
Que o tempo vai conseguir
Nossas vidas reunir,
Tenhamos fé e confiança...
Haveremos de provar
As delícias deste fruto,
Por enquanto, proibido.
Nosso amor será total,
E a existência, afinal,
Para nós, fará sentido.
Oriza Martins
Fonte: Mensagens Perfeitas (http://amandaprates.zip.net/)


"O pensamento é um fútil pássaro. Toda razão é medíocre.
Viver é respirar. Pensar já é morrer."

João Guimarães Rosa
In: Ave, Palavra.
Rio de Janeiro, José Olympio, 1978, 2ª ed.
p. 25
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Voar Leve
Se alguém estiver chorando ou não
É como aquela chuva é como a porta se abrindo
É como a dor da virgem, do parto é a luta da nuvem
O sol alucinado penetra a nuvem que chora
O sol alucinado penetra a nuvem que brilha
Se alguém estiver chorando ou não
Que seja por motivo inspirado ou seja por brilho
Que seja pra lavar e que seja simples, preciso
Como a arquitetura da gaivota que voa
Supremo compromisso de voar leve, à toa.
Composição: Oswaldo Montenegro / Mongol
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Sempre
Foi-se o ano
Quem veio
Vai ficar
Quem partiu
e não voltará
Quem foi até ali
Quem ficaremos esperando
Quem nos espera
Quem nos trouxe até aqui
Por quais caminhos
Atalhos
Via expressa
Quem despertou
Despertamos
Abriu sorriso
Derramamos lágrimas
Quem encontramos
Reencontramos
Desencontramos
E seguimos
Quantos anos construíram esse
Quantos nomes
Quantas palavras
Imagens
Sons e silêncio
O que levaremos
Até o ano que vem
Até o outro dezembro
Até o último momento
(Autoria Desconhecida)


Symphonie - Silbermond (tradução)
O que está acontecendo com a gente?
De repente você me parece totalmente estranho.
Por que para mim, não é mais tão bom
Quando eu me deito nos seus braços?
O que está acontecendo conosco já se tornou banal.
Eu consigo te ver muito pouco
A nossa vaidade está se colocando entre nós
Não queríamos desafiar tudo
Será que talvez não estamos enganando um ao outro?
Eu achei que poderíamos aguentar tudo.
Sinfonia...
E agora, tudo em nossa volta fica quieto
E ficamos aqui na chuva...
Não temos mais nada a dar um ao outro
E é melhor se você se for
Então é assim
Admitir que não dá mais
Não dá mais para falar
Aí só chove
É melhor desistir...
O silêncio sobre nós aumenta cada vez mais
Eu não entendo mais nenhuma palavra que sai da sua boca
Nós tentamos demais
Por que não podíamos ter previsto tudo isso?
Não está sendo fácil entender.
Sinfonia...
Fracassamos em algum lugar...
E como está, não dá para continuar.
O final já estava escrito há muito tempo
E essa foi a nossa...
Sinfonia...
Composição: Stefanie Kloß
In: Álbum 'Verschwende Deine Zeit', 2004
BMG Music Publishing


"Nunca estive tão perto de minha verdadeira felicidade quanto na época daquele amor por Lili. Os obstáculos que nos separavam não eram no fundo insuperáveis, e, no entanto, eu a perdi. Ela foi a primeira por quem experimentei um amor profundo e verdadeiro. Posso dizer também que foi a última, porque todas as paixões que tive no decorrer de minha vida, comparadas a essa primeira, não passaram de atrações ligeiras e superficiais."

Goethe
In: Os Imortais da Litertura Universal. vol 1.
Abril Cultural: São Paulo, 1971.
p. 63-64.

JARDIM
(...) "Depois de uma longa espera consegui, finalmente, plantar o meu jardim. Tive de esperar muito tempo porque jardins precisam de terra para existir. Mas a terra eu não tinha. De meu, eu só tinha o sonho. Sei que é nos sonhos que os jardins existem, antes de existirem do lado de fora. Um jardim é um sonho que virou realidade, revelação de nossa verdade interior escondida, a alma nua se oferecendo ao deleite dos outros, sem vergonha alguma… Mas os sonhos, sendo coisas belas, são coisas fracas. Sozinhos, eles nada podem fazer: pássaros sem asas… São como as canções, que nada são até que alguém as cante; como as sementes, dentro dos pacotinhos, à espera de alguém que as liberte e as plante na terra. Os sonhos viviam dentro de mim. Eram posse minha. Mas a terra não me pertencia.
O terreno ficava ao lado da minha casa, apertada, sem espaço, entre muros. Era baldio, cheio de lixo, mato, espinhos, garrafas quebradas, latas enferrujadas, lugar onde moravam assustadoras ratazanas que, vez por outra, nos visitavam. Quando o sonho apertava eu encostava a escada no muro e ficava espiando.
Eu não acreditava que meu sonho pudesse ser realizado. E até andei procurando uma outra casa para onde me mudar, pois constava que outros tinham planos diferentes para aquele terreno onde viviam os meus sonhos. E se o sonho dos outros se realizasse, eu ficaria como pássaro engaiolado, espremido entre dois muros, condenado à infelicidade. Mas um dia o inesperado aconteceu. O terreno ficou meu. O meu sonho fez amor com a terra e o jardim nasceu.
Não chamei paisagista. Paisagistas são especialistas em jardins bonitos. Mas não era isto que eu queria. Queria um jardim que falasse. Pois você não sabe que os jardins falam? Quem diz isto é o Guimarães Rosa: "São muitos e milhões de jardins, e todos os jardins se falam. Os pássaros dos ventos do céu - constantes trazem recados. Você ainda não sabe. Sempre à beira do mais belo. Este é o Jardim da Evanira. Pode haver, no mesmo agora, outro, um grande jardim com meninas. Onde uma Meninazinha, banguelinha, brinca de se fazer Fada… Um dia você terá saudades… Vocês, então, saberão…" É preciso ter saudades para saber. Somente quem tem saudades entende os recados dos jardins. Não chamei um paisagista porque, por competente que fosse, ele não podia ouvir os recados que eu ouvia. As saudades dele não eram as saudades minhas. Até que ele poderia fazer um jardim mais bonito que o meu. Paisagistas são especialistas em estética: tomam as cores e as formas e constróem cenários com as plantas no espaço exterior. A natureza revela então a sua exuberância num desperdício que transborda em variações que não se esgotam nunca, em perfumes que penetram o corpo por canais invisíveis, em ruídos de fontes ou folhas… O jardim é um agrado no corpo. Nele a natureza se revela amante… E como é bom!
Mas não era bem isto que eu queria. Queria o jardim dos meus sonhos, aquele que existia dentro de mim como saudade. O que eu buscava não era a estética dos espaços de fora; era a poética dos espaços de dentro. Eu queria fazer ressuscitar o encanto de jardins passados, de felicidades perdidas, de alegrias já idas. Em busca do tempo perdido… Uma pessoa, comentando este meu jeito de ser, escreveu: "Coitado do Rubem! Ficou melancólico. Dele não mais se pode esperar coisa alguma…" Não entendeu. Pois melancolia é justamente o oposto: ficar chorando as alegrias perdidas, num luto permanente, sem a esperança de que elas possam ser de novo criadas. Aceitar como palavra final o veredicto da realidade, do terreno baldio, do deserto. Saudade é a dor que se sente quando se percebe a distância que existe entre o sonho e a realidade. Mais do que isto: é compreender que a felicidade só voltará quando a realidade for transformada pelo sonho, quando o sonho se transformar em realidade. Entendem agora por que um paisagista seria inútil? Para fazer o meu jardim ele teria que ser capaz de sonhar os meus sonhos...
Sonho com um jardim. Todos sonham com um jardim. Em cada corpo, um Paraíso que espera… Nada me horroriza mais que os filmes de ficção científica onde a vida acontece em meio aos metais, à eletrônica, nas naves espaciais que navegam pelos espaços siderais vazios… E fico a me perguntar sobre a perturbação que levou aqueles homens a abandonar as florestas, as fontes, os campos, as praias, as montanhas... Com certeza um demônio qualquer fez com que se esquecessem dos sonhos fundamentais da humanidade. Com certeza seu mundo interior ficou também metálico, eletrônico, sideral e vazio… E com isto, a esperança do Paraíso se perdeu. Pois, como o disse o místico medieval Angelus Silésius: Se, no teu centro um Paraíso não puderes encontrar, não existe chance alguma de, algum dia, nele entrar.
Este pequeno poema de Cecília Meireles me encanta, é o resumo de uma cosmologia, uma teologia condensada, a revelação do nosso lugar e do nosso destino:
"No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
no canteiro, uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de urna borboleta."
Metáfora: somos a borboleta. Nosso mundo, destino, um jardim. Resumo de uma utopia. Programa para uma política. Pois política é isto: a arte da jardinagem aplicada ao mundo inteiro. Todo político deveria ser jardineiro. Ou, quem sabe, o contrário: todo jardineiro deveria ser político. Pois existe apenas um programa político digno de consideração. E ele pode ser resumido nas palavras de Bachelard: "O universo tem, para além de todas as misérias, um destino de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso."

Rubem Alves
Fonte: http://www.rubemalves.com.br/jardim.htm


"Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; Tempo de sentir saudade, e tempo de esquecer; tempo de derrubar, e tempo de edificar; Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de lamentar, e tempo de dançar; Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se; Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de jogar fora; Tempo de estar calado, e tempo de falar; Tempo de amar, e tempo de sofrer; tempo de guerra, e tempo de paz..."
Eclesiastes, Capítulo 3
Esta Mensagem para Orkut:


"Amor é mistério sem fim:
não existe o que explique".
Rabindranath Tagore
_________________
"Sionésio e Maria Exita - a meios-olhos, perante o refulgir, o todo branco. Acontecia o não-fato, o não-tempo, silêncio em sua imaginação. Só o um-e-outra, um em-si-juntos, o viver em ponto sem parar, coraçãomente: pensamento, pensamor. Alvor. Avançavam, parados, dentro da luz, como se fosse o dia de Todos os Pássaros."
João Guimarães Rosa
In: Primeiras Estórias.
Rio de janeiro, Nova Fronteira, 1995, 25ª ed.
p. 142
Mensagem de R. Tagore para Orkut:


RELAÇÃO DE CASAS BOAS E MÁS PARA JUÍZO DOS ARQUITECTOS CARLOS LOUREIRO E PÁDUA RAMOS
Há casas
cuja beleza começa no projecto;
outras, e são talvez as mais belas,
existem só na cabeça do arquitecto.
Há casas feitas à medida do homem,
outras há para andar de bicicleta;
há casas sobre cascatas
onde ao sortilégio da água
se junta a música de Bach.
Há casas tão ajustadas
como fato por medida
ou um verso de Cesário,
outras de tão confusas
não viram regra nem esquadro.
Há casas de papel, casas de madeira,
casas de palha e de barro;
casas que trepam pelo céu,
casas que cheiram a jasmim do Cabo;
há casas só para dormir
parecidas com um sudário.
Há casas onde
habitar é o começo da morte;
há casas de pátios caiados
com varandas para o mar;
casas onde apetece estar sentado
com um gato nos joelhos
e o coração apaziguado.
Há casas com recantos para amar,
há outras onde o amor
se faz em cinco minutos,
e às vezes já é demais;
há casas como um dedal
e geometria de abelhas,
casas de perfil atento
ao rumor de nascentes e de estrelas.
Há casas como um cristal,
casas de luz circular,
casas onde não é possível
ouvir correr o silêncio; há casas
que de casas só têm o nome;
há casas que nem para cães.
Há casas tão inteligentes
que não consentem qualquer margem
para luxos e arrebiques,
casas onde a alegria se instala
sem tempo nenhum para a mágoa.
Há casas onde o pão é triste
e a roupa mal lavada;
há casas que são um rio, há casas
que são um barco;
outras têm pomares
onde os dióspiros ardem;
há casas com terras de vinha e trigo
e muros a toda a roda.
Há casas que são um poema
para dar a um amigo.
Eugénio de Andrade


"A miséria impediu-me de acreditar que
tudo vai bem sob o sol e na história;
o sol ensinou-me que a história não é tudo."
Albert Camus
___________________________
Ensaio sobre a Cegueira
Trecho (...)
Por que foi que cegámos,
Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão,
Queres que te diga o que penso,
Diz,
Penso que não cegámos, penso que estamos cegos,
Cegos que vêem,
Cegos que, vendo, não vêem.

José Saramago


Só a pessoa sabe o que tem por dentro
Eu tenho dentro de mim
dores do passado,
amores errados,
coisas que não sei...
alguns futuros,
acontecimentos meio duros,
coisas que voltam a machucar...
Eu tenho dentro de mim
um pedaço de mar da Bahia,
alguma alegria,
alguém pra amar...
Eu tenho dentro de mim
tanta insegurança,
coisas de criança,
cantigas de ninar.
Eu tenho dentro de mim
algumas paisagens,
algumas imagens (de sonho)
e alguma coragem pra continuar.
Cássio Junqueira
In: Só a pessoa sabe o que tem por dentro
Lançamento no dia 23 de setembro, a partir das 19h
Livraria da Vila - Lorena
Alameda Lorena, 1731
Jardins, São Paulo – Capital


Sobre as estrelas
Deitada na grama, o céu empoeirado de estrelas. Passei o dedo e - curioso - algumas vieram grudadas na ponta. Olhei para cima e assoprei. Foi tanta estrela caindo que agora eu mal consigo enxergar de tanta esperança.
Rita Apoena
Esta Mensagem para Orkut:


“A vida é curta,
Quebre as regras,
Perdoe rápido,
Beije lentamente,
Ame de verdade,
Ria descontroladamente,
E nunca lamente nada que tenha feito você sorrir”
Ruslana Korshunova
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O amor move meu mundo
É o que faz os pais ajeitarem os cobertores dos seus filhos nas madrugadas frias. E ajuda os filhos dormirem acordados ao lado dos seus pais, já velhos e cansados. Fortalece as pernas de quem já quase não as tem. Permite a linguagem muda dos olhares. E as canções bonitas do silêncio. Congela ou derrete as cenas, de acordo com as nossas necessidades. É o que impede o esquecimento. [Entre mim e mim (porque você e eu somos muito a mesma coisa) não existe o verbo esquecer. Minha vida, meu anjo, meu cinema, minha realidade. Meu destino. Meu sangue. Minha foto preferida. Fica tranquilo. Fica bem. Fica em paz. Não precisamos sofrer por nós.]É o que movimenta as coisas importantes. É o que fica no fim.
Mayane Eccard (29.09.2007)
Fonte: http://paraquandoeumedeixoler.blogspot.com/

Segredo
A poesia é incomunicável.
Fique torto no seu canto.
Não ame.
Ouço dizer que há tiroteio
ao alcance de nosso corpo.
É a revolução? o amor?
Não diga nada.
Tudo é possível, só eu impossível.
O mar transborda de peixes.
Há homens que andam no mar
como se andassem na rua.
Não conte.
Suponha que um anjo de fogo
varresse a face da terra
e os homens sacrificados
pedissem perdão.
Não peça.

Carlos Drummond de Andrade
In: Brejo das Almas; Ed. Record, 2001
p. 59

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Flauta, à noite, em Lo Yang
De onde vem este som de flauta de jade que voa na
[noite?
Levado nas asas do vento primaveril, enche a cidade.
Quando, numa noite assim, se reconhece na melodia a
[ária do "Salgueiro quebrado",
Quem não sente dentro de si a saudade do campo
[natal?
Li Po e Tu Fu
In: Poemas Chineses
Tradução de Cecilia Meireles
Editora Nova Fronteira, RJ: 1996
p. 38
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Admirável Expressão que Faz o Poeta de seu Atencioso Silêncio
Largo em sentir, em respirar sucinto,
Peno, e calo, tão fino, e tão atento,
Que fazendo disfarce do tormento,
Mostro que o não padeço, e sei que o sinto.
O mal, que fora encubro, ou que desminto,
Dentro no coração é que o sustento:
Com que, para penar é sentimento,
Para não se entender é labirinto.
Ninguém sufoca a voz nos seus retiros;
Da tempestade é o estrondoso efeito:
Lá tem ecos a terra, o mar suspiros.
Mas oh do meu segredo alto conceito!
Pois não me chegam a vir à boca os tiros
Dos combates que vão dentro no peito.
Gregório de Matos
In: Clássicos da Poesia Brasileira
Seleção e Apresentação: Frederico Barbosa
Ed. Klick, 1999.
p.15


O sempre amor
Amor é a coisa mais alegre
amor é a coisa mais triste
amor é a coisa que mais quero.
Por causa dele falo palavras como lanças.
Amor é a coisa mais alegre
amor é a coisa mais triste
amor é a coisa que mais quero.
Por causa dele podem entalhar-me,
sou de pedra sabão.
Alegre ou triste,
amor é a coisa que mais quero.
Adélia Prado
In: Poesia Reunida
SP: Siciliano, 1991
p. 84
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"Amor perdido é amor que não foi achado: não-amor. Não o amor-mor, o mor amor. Mas falso amor, algum engano. O falso amor é um biombo, o mor-amor é um ribombo."

João Guimarães Rosa
In: Ave, Palavra.
Rio de Janeiro, José Olympio, 1978, 2ª ed.
p. 25


Uma revolta
Quando o amor é grande demais torna-se inútil: já não é mais aplicável, e nem a pessoa amada tem a capacidade de receber tanto. Fico perplexa como uma criança ao notar que mesmo no amor tem-se que ter bom senso e senso de medida. Ah, a vida dos sentimentos é extremamente burguesa.

Clarice Lispector
In: Aprendendo a viver
Rio de Janeiro: Rocco, 2006
p. 95
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Quando nos olhos não há cabimento
Lágrima chega indo embora.
Quando nos olhos não há cabimento.
Novela, gêmeos, gol, catapora,
raiva, perdão, canção,casamento,
culpa, entorce, milagre, penhora,
medalha, câncer, ladrão, invento,
cachorro, miséria, mi'a senhora,
cárie, fome, domingo sangrento.
Antes de beijar o chão, evapora;
e mais valhe-me chorar por dentro
- o tempo todo, a toda hora -
a beleza e a dor de cada momento.
Quero navegar aonde a lágrima mora
antes de ser acontecimento -
"Pequenos lagos?", perguntou outrora
Pablo Neruda a seu pensamento.
Renato Silva
Fonte: http://br.geocities.com/ocalcanharnalua/


“Cortesia, tolerância, integridade, sagacidade e generosidade. Com cortesia não há zombaria. Com tolerância há apoio ao povo. Com integridade o povo confia responsabilidades. Com sagacidade há mérito. Com generosidade o povo pode empregar-se voluntariamente.”
Confúcio
In: Analectos, Cap. XVII, Verso 6
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Dos pontos de vista
A mosca, a debater-se: "Não! Deus não existe!
Somente o Acaso rege a terrena existência!"
A Aranha: "Glória a Ti, Divina Providência,
Que à minha humilde teia essa mosca atraíste!"

Mario Quintana
In: Apontamentos de história sobrenatural - poesias
Círculo do Livro 1961

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Cerimonal do casamento de Juliana Paes reproduz clonagem literária da internet (O Dia online 10/09/2008)
Rio - Nem tudo é o que parece, ainda mais quando se trata de internet. A proliferação de textos falsos fez mais uma vítima; e desta vez famosa. O poema lido pelo pastor que conduziu a cerimônia de casamento de Juliana Paes, nesta terça-feira, na Barra, não é de autoria de Mário Quintana, como fora anunciado pelo cerimonial do evento. A obra intitulada "Promessa Matrimonial" é da escritora Martha Medeiros e faz parte do livro "Montanha-Russa". Em post publicado em seu blog no último domingo, Martha já alertava para o fato e criticava o que chamava de clonagem literária.
(...)"Soube também que o padre que celebrará o casamento da atriz Juliana Paes está pensando em ler o texto "Promessas Matrimoniais" do... ops, do Mario Quintana???? Sou grande admiradora do poeta, mas se alguém conhecer a moça, avise-a: não é do Quintana, é de minha autoria, o texto está publicado no meu livro "Montanha-Russa". E as clonagens literárias seguem dando pano pra manga (...), comentou a autora no post.
_____________
Conheça o texto "Promessa Matrimonial":
"Em maio de 98, escrevi um texto em que afirmava que achava bonito o ritual do casamento na igreja, com seus vestidos brancos e tapetes vermelhos, mas que a única coisa que me desagradava era o sermão do padre:
Promete ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-lhe e respeitando-lhe até que a morte os separe?
Acho simplista e um pouco fora da realidade.
Dou aqui novas sugestões de sermões:
Promete não deixar a paixão fazer de você uma pessoa controladora, e sim respeitar a individualidade do seu amado, lembrando sempre que ele não pertence a você e que está ao seu lado por livre e espontânea vontade?
Promete saber ser amiga(o) e ser amante, sabendo exatamente quando devem entrar em cena uma e outra, sem que isso lhe transforme numa pessoa de dupla identidade ou numa pessoa menos romântica?
Promete fazer da passagem dos anos uma via de amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se concretizar?
Promete sentir prazer de estar com a pessoa que você escolheu e ser feliz ao lado dela pelo simples fato de ela ser a pessoa que melhor conhece você e portanto a mais bem preparada para lhe ajudar, assim como você a ela?
Promete se deixar conhecer?
Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a rotina como desculpa para sua falta de humor?
Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, e não porque é o que esperam de você, e que os educará para serem independentes e bem informados sobre a realidade que os aguarda?
Promete que não falará mal da pessoa com quem casou só para arrancar risadas dos outros?
Promete que a palavra liberdade seguirá tendo a mesma importância que sempre teve na sua vida, que você saberá responsabilizar-se por si mesmo sem ficar escravizado pelo outro e que saberá lidar com sua própria solidão, que casamento algum elimina?
Promete que será tão você mesmo quanto era minutos antes de entrar na igreja?
Sendo assim, declaro-os muito mais que marido e mulher: declaro-os maduros."

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Ou isto ou aquilo
Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Cecília Meireles
In: Ou isto ou aquilo
Editora Nova Fronteira, 1990
Rio de Janeiro, Brasil
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Tríptico - Tanatos
Estudo nº1
Diz-se que a morte é o repouso longo.
De cada vez que te vejo através da pedra
trago a tua existência para os caminhos
da cidade incendiada por facínoras
que matam a vida a pisar os próprios passos.
Vens e vives comigo, lado a lado
a recordar velhas fotografias coladas na parede
onde a cal se cola às tuas mãos
e as tuas mãos se colam no meu rosto
e o meu rosto igual ao teu vê-te
espelho a perscrutar os meus olhos.
No repouso da terra repousa o pó
que se multiplica na voz possível
quando a flor se abre na urgência do pólen.
Estudo nº 2
Diz-se que a morte é o repouso das estações.
A mesma árvore repousada na terra
multiplica os ramos e floresce
quando o sol poliniza uma tarde de Turner
e o teu rosto acaricia os cílios
os pálios da religião da memória
a lavrar o tempo no corpo representado.
Onde a cal se cola às mãos
os dedos em fogueira consomem
a madeira apodrecida que descobre o corpo
abraçado ao pó na fantasia de nada.
A fala é o eco do silêncio adormecido
nas arestas das pedras, no murmúrio das folhas
e quando, sem querer, o rosto se ilumina no mostrador do relógio.
Estudo nº 3
Diz-se que a morte é o repouso dos gestos
que prolongam a fala nos dias lúdicos
e Deus não tem explicação para o sabor
de um fruto colhido na imaginação do sorriso.
Os lábios aquecem a palavra fria
na fixação da natureza morta que sobrevive
na porcelana pousada na madeira velha.
Onde a cal se cola às mãos, desenho
o teu rosto que vive nas paredes brancas
da sala em combustão, e a memória
é presa fácil de sombras, companhias
de pólen e de pétalas de flores
que se abrem quando o vento fere os dedos
e as mãos sentem o pedúnculo frágil prender os lábios.
José Félix
In: Íntima Loucura, ed. autor, 2007, Lisboa

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"Ser sensível é uma coisa e sensato é outra.
Uma tem a ver com a alma, a outra com a razão".
Denis Diderot
In: Farmácia de Pensamentos - Medicina Espiritual
Coletânea de Sonia Aguiar - 1ª Edição
Record Editora, 2004
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Eu me sentiria feliz se, pelo menos uma vez,
eu estivesse quieto no meu canto, parado,
e você me procurasse,
sem que eu tivesse sequer que mover um dedo,
nem sequer esboçar um sorriso.
Eu me sentiria muito feliz se,
ao cair da tarde, encontrasse teu coração
entrando em meu silêncio,
devassando minha solidão,
desprezando minha timidez,
sem sequer mudar em mim.
Eu me sentiria irremediavelmente feliz,
se eu tivesse me dado conta
de pelo menos uma,
das tantas vezes em que isto aconteceu,
não só com você
mas com tanta gente que eu quis.
Roberto Shinyashiki
In: Mistérios do Coração
Gente Editora, 55ª edição, 1999
p. 93
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A Morte dos Anjos
a manhã estremeceu no mundo
inteiro, mesmo nos lugares onde
ainda era noite. o fogo vinha do ar
e vestia a roupa metálica dos aviões
nas asas do anjo negro da morte.
o homem erguera duas torres
acima dos ombros do seu ser
inteligente. muito mais acima
do que o reflexo da própria visão
imponente da liberdade, no corpo
de uma estátua que transporta o facho,
com a missão de iluminar o universo.
o tempo foi fugaz, de curta valência.
atravessando os ares da cidade as aves
apontaram contra as árvores de cimento
e não só varreram a inocência, a vida,
mas consigo arrastaram a razão de ser
do vento e das bandeiras que ele acolhe.
o poesia perdeu sentido? um verso
poderia remediar alguma coisa? a ver
o horror estava Deus? será que a luz
se queimou nos céus? ninguém olhe
agora, avisaria Mercúrio, alguém irá
encontrar finalmente o seu destino.
era de manhã. um momento bom
para matar como qualquer outro.
mas um imolar de sangue impossível
de aceitar, pois não existem horas
boas ou más para um anjo morrer.
anjo com rosto de velho e de menino.
José Antonio Gonçalves
(11.09.2004)

Traduzir-se
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

Ferreira Gullar
In: Na Vertigem do Dia
2a. Edição - Ed. José Olympio, 2004


A casa do tempo perdido
Bati no portão do tempo perdido, ninguém atendeu.
Bati segunda vez e mais outra e mais outra.
Resposta nenhuma.
A casa do tempo perdido está coberta de hera
pela metade; a outra metade são cinzas.
Casa onde não mora ninguém, e eu batendo e chamando
pela dor de chamar e não ser escutado.
Simplesmente bater. O eco devolve
minha ânsia de entreabrir esses paços gelados.
A noite e o dia se confundem no esperar,
no bater e bater.
O tempo perdido certamente não existe.
É o casarão vazio e condenado.

Carlos Drummond de Andrade

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Cópia
Folhas e flores artificiais
compõem o arranjo sobre a mesa.
Penso nas folhas e flores naturais
e me constranjo
diante da imitação de uma beleza
que a única capaz
de criar e exibir
é a natureza.
De frente à mesa
um lindo aquário.
Peixes de cores e tamanhos diversos
Ornamentado de algas e flores (artificiais).
Coagido
Penso no mar
Clonado
Sem seus encantos.
Théo Drummond / Clau Assis
Fonte: http://poesiacaela.blogspot.com/2008_07_01_archive.html
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(...)" Já andei por tantos caminhos e já vivi tantas coisas, que hoje vejo que o preconceito e discriminação estão em cada um de nós, e cabe a nós quebrá-los para que possamos viver numa sociedade mais justa e humana.
Hoje posso afirmar que...
"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
"Louco" é quem não procura ser feliz".
"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria.
"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão.
"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.
"Diabético" é quem não consegue ser doce.
"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer.
E "Miserável" somos todos que não conseguimos falar com Deus.
Renata Vilella
Fonte: http://www.floramarela.com.br/ (Clique em Professora Renata)
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Alta tensão
eu gosto dos venenos mais lentos
dos cafés mais amargos
das bebidas mais fortes
e tenho
apetites vorazes
uns rapazes
que vejo passar
eu sonho
os delírios mais soltos
e os gestos mais loucos
que há
e sinto
uns desejos vulgares
navegar por uns mares
de lá
você pode me empurrar pro precipício
não me importo com isso
eu adoro voar.
Bruna Lombardi
In: O perigo do dragão
- minha edição é de 1984; Editora Codecri
página 36.
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Se eu Fosse um Padre
Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
- muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,
não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,
Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!
Porque a poesia purifica a alma
... a um belo poema - ainda que de Deus se aparte -
um belo poema sempre leva a Deus!

Mario Quintana
Texto extraído do livro "Nova Antologia Poética", Editora Globo - São Paulo, 1998, pág. 105.


"Ficamos sem saber o que era João
e se João existiu
de se pegar."
Carlos Drummond de Andrade
In: "Um chamado João" (22/11/1967)
__________________
"A beleza aqui é como se a gente a bebesse, em copo, taça, longos, preciosos goles servida por Deus. É de pensar que também há um direito à beleza, que dar beleza a quem tem fome de beleza é também um dever cristão."

João Guimarães Rosa
In: Grande Sertão: Veredas (1956)
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"Não temais ímpias falanges,
Que apresentam face hostil:
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil..." *
________________
Vai passar
"(...) Num tempo página infeliz da nossa história
Passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia a nossa pátria mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações..."
Francis Hime e Chico Buarque
In: Chico Buarque (1984) - Grav. Polygram-RJ
* Trecho do Hino da Independência da República Federativa do Brasil. Sua letra foi composta por Evaristo da Veiga e a música é de Dom Pedro I. (http://www.brasil.gov.br/pais/simbolos_hinos/hinos/Letra_indep/)


SEM VOCÊ
nenhuma metáfora
traduz a falta
nenhuma imagem
exata
faca encravada
nesse silêncio
dia sem dia
piada sem graça
acordar sem você
me mata
Frederico Barbosa
In: Nada Feito Nada,
Ed. Perspectiva, 1993, São Paulo
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"Quando o coração fala, não é conveniente que a razão faça objeções."
Milan Kundera
In: A insustentável leveza do ser.
Rio de Janeiro/São Paulo, Record, 1995,
p.235
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Evoé!
Primavera! — versos, vinhos...
Nós, primaveras em flor.
E ai! corações, cavaquinhos
Com quatro cordas de Amor!
Requebrem árvores — ufa! —
Como as mulheres, ligeiro!
Como um pandeiro que rufa
O Sol, no monte, é um pandeiro!
E o campo de ouro transborda...
Ó Primavera, um vintém!
Onde é que se compra a corda
Da desventura, também?
Agora, um rio, água esparsa...
Nas águas claras de um rio,
Lavem-se penas à garça
Do riso, branco e sadio!
E o dedo estale, na prima...
Que primaveras, e em flor!
Ai! corações, uma rima
Por quatro versos de Amor!
Pedro Kilkerry
In: Clássicos da Poesia Brasileira
Organização e Seleção de Frederico Barbosa
Ed. Klick, 1999
p.168-169


“- Quando o legislativo, o executivo, o judiciário e a imprensa são sócios, você tem uma ditadura, e é isso que nós temos com raras exceções.”
* * *
“- Para qualquer lado que você olhe, só vê beleza. Você só vê porcaria quando é feita pelo homem (...). Os peixes boiando, as praias poluídas, a selva desmatada, tudo feito pelo homem. A natureza está sempre bonita, o azul é bonito, o verde é bonito, o amarelo é bonito, fazer amor é bonito, mulher é bonito, o homem é bonito, tudo é bonito...”
* * *
“- Eu sou um escritor e tenho que fazer isso. Porque eu não conseguiria viver sem fazer isso. Eu não poderia viver sem escrever. É uma coisa quase metafísica, é uma coisa superior a mim. (..) Eu acho que nós todos temos que deixar um testemunho da nossa época para facilitar a vida de quem vem. O que seria minha vida sem Balzac, Tolstoi, Kafka, Joyce, Jorge Amado, Érico Veríssimo, Castro Alves, Drummond. Estes são os grandes heróis do mundo. Os grandes heróis do mundo não são os generais que destroem, mas os filósofos que constroem. Já imaginaram como o mundo seria mais triste apenas com depoimentos de militares?...”
Fausto Wolff
Entrevista concedida a Mariana Vidal, Thaís Tibiriçá e Marcelo Salles em 15.02.2006
Fonte: http://www.fazendomedia.com

Romance LIII ou Das palavras aéreas
Ai, palavras, ai palavras,
que estranha potência, a vossa!
Ai, palavras, ai, palavras,
sois de vento, ides no vento,
no vento que não retorna,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!
Sois de vento, ides no vento,
e quedais, com sorte nova!
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência a vossa!
Todo o sentido da vida
principia à vossa porta;
o mel do amor cristaliza
o seu perfume em vossa rosa;
sois o sonho e sois a audácia,
calúnia, fúria, derrota ...
A liberdade das almas,
ai! Com letra se elabora...
E dos venenos humanos
sois a mais fina retorta:
frágil, frágil como o vidro
e mais que aço poderosa!
Reis, impérios, povos, tempos,
pelo vosso impulso rodam ...
Detrás de grossas paredes ,
de leve, quem vos desfolha?
Pareceis de tênue seda,
Sem peso de ação nem de hora ...
- e estais no bico das penas,
- e estais na tinta que as molha,
- e estais nas mãos dos juízes,
- e sois o ferro que arrocha,
- e sois o barco para o exílio,
- e sois Moçambique e Angola!
Ai, palavras, ai, palavras,
íeis pela estrada afora,
erguendo asas muito incertas,
entre verdade e galhofa,
desejos do tempo inquieto
promessas que o mundo sopra ...
Ai, palavras, ai, palavras,
mirai-vos: que sois, agora?
- Acusações, sentinelas,
bacamarte, algema, escolta;
- O olho ardente da perfídia,
a velar, na noite morta;
- a umidade dos presídios,
- a solidão pavorosa;
- duro ferro das perguntas,
com sangue em cada resposta;
- e a sentença que caminha,
- e a esperança que não volta,
- e o coração que vacila,
- e o castigo que galopa...
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Perdão podíeis ter sido!
- sois madeira que se corta,
- sois vinte degraus de escada.
- sois um pedaço de corda...
- sois povo pelas janelas,
cortejo, bandeiras, tropa...
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Éreis um sopro na aragem...
- sois um homem que se enforca!

Cecília Meireles
In: Os melhores poemas de Cecília Meireles
Seleção de Maria Fernanda Meireles. 11ª edição.
São Paulo, Ed. Global, 1999.
p. 143-146


"A diferença entre as lembranças falsas e verdadeiras é a mesma das jóias: as falsas sempre aparentam ser as mais reais, as mais brilhantes."

SALVADOR DALÍ
Arte: 'Galatea de las esferas' (1952) - 65,0 X 54,0 cm - Fundación Gala Salvador Dalí , Figueras.
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Presságio
O AMOR, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

Fernando Pessoa
24/04/1928
In: "Fernando Pessoa - Obra Poética - Inéditas"
Cia. José Aguilar Editora -
Rio de Janeiro, 1972,
pág. 513.

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Ever Fallen in Love (With Someone You Shouldn't've) -
Buzzcocks (1978)
“Você nega minhas emoções verdadeiras
Você faz eu me sentir como um sujo
E eu estou magoado
E se eu começar um alvoroço
Eu corro o risco de te perder
E isso é pior
Você já se apaixonou por alguém?
Você já se apaixonou por alguém?
Por quem você não deveria ter se apaixonado?
Não posso ver muito de um futuro
(...) A menos que compreendamos que somos um só…”
Composição de Pete Shelley
http://www.youtube.com/watch?v=Bif2q_Zo3-4


Nem luz de astro nem luz de flor somente: um misto
De astro e flor. Que olhos tais e que tais lábios, certo,
(E só por serem seus) são muito mais do que isto...
Ela é a tulipa azul do meu sonho deserto.
Onde existe, não sei, mas quero crer que existo
No mesmo nicho astral entre luares aberto,
Em que branca de luz sublime a tenha visto,
Longe daqui talvez, talvez do céu bem perto.
Ela vem, (sororal!) vibrante como um sino,
Despertar-me no leito: ouro em tudo, — na face
De anjo morto, na voz, no olhar sobredivino.
Nasce a manhã, a luz tem cheiro... Ei-la que assoma
Pelo ar sutil... Tem cheiro a luz, a manhã nasce...
Oh sonora audição colorida do aroma!
Alphonsus de Guimarães
In: Clássicos da Poesia Brasileira
Seleção e Organização de Frederico Barbosa
Ed. Klick, 1999
p. 167

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Não me deixes!
Debruçada nas águas dum regato
A flor dizia em vão
À corrente, onde bela se mirava...
"Ai, não me deixes, não!"
"Comigo fica ou leva-me contigo
Dos mares à amplidão;
Límpido ou turvo, te amarei constante;
Mas não me deixes, não!"
E a corrente passava; novas águas
Após as outras vão;
E a flor sempre a dizer curva na fonte:
"Ai, não me deixes, não!"
E das águas que fogem incessantes
À eterna sucessão
Dizia sempre a flor, e sempre embalde:
"Ai, não me deixes, não!"
Por fim desfalecida e a cor murchada,
Quase a lamber o chão,
Buscava inda a corrente por dizer-lhe
Que a não deixasse, não.
A corrente impiedosa a flor enleia,
Leva-a do seu torrão;
A afundar-se dizia a pobrezinha:
"Não me deixaste, não!"
Gonçalves Dias
In: Clássicos da Poesia Brasileira
Seleção e Organização: Frederico Barbosa
Ed. Klick, 1999
p. 67-8

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Dos Chatos
O maior chato é o chato perguntativo. Prefiro o chato discursivo ou narrativo, que se pode ouvir pensando noutra coisa... Me lembro que fiz um soneto inteiro - bem certinho, bem clássico e tudo - durante o assalto ao Quarto do Sétimo, isto é, quando um veterano de 30 me contava mais uma vez a sua participação nas glórias e perigos daquela investida.
As velhotas que nos contam seus achaques também são de grande inspiração poética.
Mas que fazer contra a amabilidade agressiva do chato solícito? Aquele que insiste em pagar nossa passagem, nosso cafezinho, ou quer levar-nos à força para um drinque, ou faz questão fechada de nos emprestar um livro que não temos a mínima vontade de abrir...
Ah! ia-me esquecendo dos proselitistas de todas as religiões. Os proselitistas amadores, que são os piores. Quanto aos sacerdotes que conheço, registre-se em seu louvor que eles sempre me falam de outras coisas. Ou me julgam um caso perdido ou um caso garantido... Bem, qualquer que seja o caso, deixam-me em paz.
O que pode acontecer de mais chato no mundo é o chato que se chateia a si mesmo, o autochato.
Para essa extrema contingência, descobri em tempo que a última solução não é o suicídio. É escrever, desabafar para cima do leitor, o qual, se me leu até aqui, a culpa é toda dele.
Há gente para tudo...

Mario Quintana
In: Mario Quintana - Poesia Completa
Caderno H
Editora Nova Aguilar
p. 350

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“Mas eu denuncio. Denuncio nossa fraqueza, denuncio o horror alucinante de morrer – e respondo a toda essa infâmia com – exatamente isto que vai agora ficar escrito - e respondo a toda essa infâmia com a alegria. Puríssima e levíssima alegria. A minha única salvação é a alegria.”

Clarice Lispector
In: Água Viva – 1973
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Mulher
Mulher
Ora opaca ora translúcida
Submarina ou vegetal
Assumes todas as formas,
Desposas o movimento.
Sinal de contradição
Posto um dia neste mundo
Tu és o quinto elemento
Agregado pelo poeta
Que te ama e te assimila
E é bebido por ti.
Tu és na verdade, mulher,
Construção e destruição.
Murilo Mendes

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As sem-razões do amor
Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade - Poesia Completa
Corpo
Editora Nova Aguilar
p. 1238-9

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"Uma palavra carinhosa é capaz de aquecer três meses de inverno."
Provérbio Japonês
In: A grandeza de cada dia,
de Stephen R. Covey
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Nel mezzo del camin...
Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E a alma de sonhos povoada eu tinha...
E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.
Hoje, segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.
E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.
Olavo Bilac
In: Clássicos da Poesia Brasileira
Seleção e Organização de Frederico Barbosa
Ed. Klick, 1999
p.153-154

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Provérbio Japonês para Orkut:


O talento educa-se na calma;
o caráter, no tumulto da vida.
(Goethe)
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Armas
-Qual a mais forte das armas,
A mais firme, a mais certeira?
A lança, a espada, a clavina,
Ou a funda aventureira?
A pistola? O bacamarte?
A espingarda, ou a flecha?
O canhão que em praça forte
Faz em dez minutos brecha?
-Qual a mais firme das armas?-
O terçado, a fisga, o chuço,
O dardo, a maça, o virote?
A faca, o florete, o laço,
O punhal, ou o chifarote?...
A mais tremenda das armas,
Pior que a durindana,
Atendei, meus bons amigos:
Se apelida: - a língua humana!-
Fagundes Varela
In: Clássicos Da Poesia Brasileira
Seleção e Organização de Frederico Barbosa
Ed. Klick, 1999
p. 125-126

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Frase de Goethe para Orkut:
Mensagem de F. Varela para Orkut:


Jônia e Nise
Eu vi a linda Jônia e, namorado
fiz logo eterno voto de querê-la;
mas vi depois a Nise, e é tão bela
que merece igualmente o meu cuidado.
A qual escolherei, se nesse estado
eu não sei distinguir esta daquela?
Se Nise vir, morro por ela,
se Jônia vir aqui, morro abrasado.
Mas, ah! que esta me despreza, amante,
pois sabe que estou preso em outros braços,
e aquela não me quer, por inconstante.
Vem, Cupido, soltar-me desses laços:
ou faze desses dois um só semblante,
ou divide o meu peito em dois pedaços!
Alvarenga Peixoto
In: Clássicos da Poesia Brasileira
Seleção e Organização: Frederico Barbosa
Ed. Klick, 1999
p. 60

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“Existem três prazeres por meio dos quais há benefício e três prazeres por meio dos quais há perda. Desfrute governar com os ritos e a música, desfrute falar do bem nos outros e desfrute ter amigos virtuosos e realmente haverá benefício. Desfrute comprazer-se da arrogância, desfrute lazer pelo ócio e desfrute comprazer-se nos festins e realmente haverá perda.”
Confúcio
In: Analectos, Cap. XVI, Verso 5.
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Era uma vez um homem gentil
que todos pensavam ser senil.
Gentileza procurou espalhar
para relações mediar
Gentileza gera gentileza.
Assim falou o gentil poeta
- Um santo às vezes louco -.
Repetindo seu canto,
nos viadutos sujos do Rio.
Gentileza, o velho dizia,
De dia, de noite
Com ricos, com pobres
Com negros, com brancos
Semeando só alegria!
Heloisa Trad
Cocais, junho/2007
Fonte: http://poetificando.blogspot.com/2007_06_01_archive.html
José Datrino, chamado Profeta Gentileza, (Cafelândia, SP, 11/04/1917 - Mirandópolis, SP, 29/05/1996) tornou-se conhecido a partir de 1980, por fazer inscrições peculiares sob um viaduto no Rio de Janeiro, onde andava com uma túnica branca e longa barba. Quando diziam que ele era louco, ele respondia: “Sou maluco para te amar e louco para te salvar“. E sua frase característica era: “Gentileza gera gentileza”.

