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Feliz Natal


In: Pensamentos da Sabedoria Universal, p. 68

Quando à noite estiveres só em tua casa,
com a porta e quarto bem fechados e a luz apagada,
guarda de pensares que estás sós,
porque não estás
.

Epiteto

____________________

"Se uma pessoa fala mal e age com maus pensamentos, o sofrimento segue como as rodas que seguem os pés dos bois que puxam o carro.

Se uma pessoa fala e age com bons pensamentos, a felicidade o segue como a sombra que nunca o abandona."

Buda (Gautama)



- Postado por: Rodrigo às 09h03
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In: 1001 Pérolas de Sabedoria – PubliFolha

Se ouvíssemos direito,
perceberíamos que Deus conversa conosco
em nossa língua, seja ela qual for.

 
Mahatma Gandhi

________________

Perversidade

Alguém me disse, com sua voz embargada, que agora sim, estava convencido da existência de Deus, porque os trabalhos psicografados de Humberto de Campos eram evidentemente dele mesmo.
- Mas isto não prova a existência de Deus... Prova a existência de Humberto de Campos.

Mario Quintana

In: Mario Quintana - Poesia Completa
Ed. Nova Aguilar, p. 523



- Postado por: Rodrigo às 08h53
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Acreditar
 
Senti uma brisa no rosto, que tinha teu gosto.
Passou bem de leve, foi muito breve,
meu coração afagou.
Senti uma gota de chuva percorrer minha face,
deixando-me num impasse, se... lágrima de amor.
Senti um arrepio no corpo, pedindo conforto,
querendo teu calor.
Senti o coração apertado pulsar disparado,
tentando saltar.
Estranha sensação acalentou o coração,
fazendo-me sonhar!
Senti minha boca sorrir e, os lábios, abrir,
querendo te beijar.
Senti que era pouco  e delirei como louco,
pensando te tocar.
Tendo-te, então, com imensa paixão.
Como foi bom acreditar!

 
Silvia Munhoz

Fonte: http://amandaprates.zip.net/



- Postado por: Rodrigo às 08h43
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Thiago de Mello

Sugestão

Antes que venham ventos e te levem
do peito o amor — este tão belo amor,
que deu grandeza e graça à tua vida —,
faze dele, agora, enquanto é tempo,
uma cidade eterna — e nela habita.

Uma cidade, sim. Edificada
nas nuvens, não — no chão por onde vais,
e alicerçada, fundo, nos teus dias,
de jeito assim que dentro dela caiba
o mundo inteiro: as árvores, as crianças,
o mar e o sol, a noite e os passarinhos,
e sobretudo caibas tu, inteiro:
o que te suja, o que te transfigura,
teus pecados mortais, tuas bravuras,
tudo afinal o que te faz viver
e mais o tudo que, vivendo, fazes.

Ventos do mundo sopram; quando sopram,
ai, vão varrendo, vão, vão carregando
e desfazendo tudo o que de humano
existe erguido e porventura grande,
mas frágil, mas finito como as dores,
porque ainda não ficando — qual bandeira
feita de sangue, sonho, barro e cântico —
no próprio coração da eternidade.
Pois de cântico e barro, sonho e sangue,
faze de teu amor uma cidade,
agora, enquanto é tempo.

Uma cidade
onde possas cantar quando o teu peito
parecer, a ti mesmo, ermo de cânticos;
onde possas brincar sempre que as praças
que percorrias, dono de inocências,
já se mostrarem murchas, de gangorras
recobertas de musgo, ou quando as relvas
da vida, outrora suaves a teus pés,
brandas e verdes já não se vergarem
à brisa das manhãs.

Uma cidade
onde possas achar, rútila e doce,
a aurora que na treva dissipaste;
onde possas andar como uma criança
indiferente a rumos: os caminhos,
gêmeos todos ali, te levarão
a uma aventura só — macia, mansa —
e hás de ser sempre um homem caminhando
ao encontro da amada, a já bem-vinda
mas, porque amada, segue a cada instante
chegando — como noiva para as bodas.

Dono do amor, és servo. Pois é dele
que o teu destino flui, doce de mando:
A menos que este amor, conquanto grande,
seja incompleto. Falte-lhe talvez
um espaço, em teu chão, para cravar
os fundos alicerces da cidade.

Ai de um amor assim, vergado ao vínculo
de tão amargo fado: o de albatroz
nascido para inaugurar caminhos
no campo azul do céu e que, entretanto,
no momento de alçar-se para a viagem,
descobre, com terror, que não tem asas.

Ai de um pássaro assim, tão malfadado
a dissipar no campo exíguo e escuro
onde residem répteis: o que trouxe
no bico e na alma — para dar ao céu.

É tempo. Faze
tua cidade eterna, e nela habita:
antes que venham ventos, e te levem
do peito o amor — este tão belo amor
que dá grandeza e graça à tua vida.

Thiago de Mello



- Postado por: Rodrigo às 13h46
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PLANO

Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor
que se despeja no copo da vida, até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago. No fundo,
como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca. Pergunto onde está a transparência do
vidro, a pureza do líquido inicial, a energia
de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta
são estes cacos que nos cortam as mãos, a mesa
da alma suja de restos, palavras espalhadas
num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira
hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja, através dele, o teu rosto inteiro.

Nuno Júdice



- Postado por: Rodrigo às 09h35
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"São os livros naus que arma para o descobrimento, porque são os livros que permitem ler não apenas o que em suas páginas está escrito, mas o mundo... "

Cecília Meireles


- Postado por: Rodrigo às 08h49
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Esse texto NÃO é de C. Chaplin, V. Hugo ou Shakespeare como circulam na net

Os Votos

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.

Sérgio Jockymann



- Postado por: Rodrigo às 10h46
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Sinta-me

Não me ouça, não me olhes. Sonhe comigo e apenas
sinta-me.
Sinta-me ao seu lado, no vento que toca o seu corpo
e beija-lhe a face.
Apenas por um momento sinta-me com você, em seu
coração.
Sinta-me em ti como se estivesse em mim.
Prenda-me em seus braços,me sinta trêmula, suave
e ouça o ofegar do meu coração.
Sinta os meus olhos nos seus olhos, o meu coração
em seu coração.
Sinta-me sempre perto de você, e sinta-se amado.
Ama-me com a alma e sinta-me só sua, pois estou a
lhe abraçar...

Andréa R. Costa

Fonte: http://www.euautor.com.br/textos.asp?IDTexto=9106



- Postado por: Rodrigo às 10h38
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In: Pescadora de Estrelas


Boneca de pano

Boneca de pano
sensível ao toque de leves carícias
saí a reboque de tua malícia
mergulhei nos sargaços de teu oceano.
 
Ser sofisticado e cheio de artifícios,
quiseste transmutar-me à força
em frágil boneca de louça
na medida exata da frieza dôo teu luxo.
 
Juntei retalhos de mim
e enclausurei-me em tua torre de marfim.
Desvivi rigores de inverno
sem fogo, lareira ou agasalho
e enfim, desiludi-me dessa falta de lirismo
de teu excesso de senso prático.
Juntei os destroços, rompi o muro inimigo
colei os cacos e fiz-me boneca de plástico.
 
Agora, ecoa em meu ser a pergunta inquietante:
onde escondeste meus traços antigos
para eu recompor a boneca de antes?

Esther Torinho



- Postado por: Rodrigo às 11h11
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Um dia...

Um dia talvez irei partir
e deixarei em tuas mãos minhas marcas
em tua boca o meu beijo
e no teu corpo o desejo

Um dia talvez irei partir
e deixarei em tua cama a saudade
em teus olhos a tristeza
e em tua boca meu nome

Um dia talvez irei partir
e deixarei em tua voz um pranto
em teu coração um canto
oco, vazio... de mim

Um dia talvez irei partir
e deixarei em ti meu cheiro
meus deleites mais loucos
e meu amor insano

Um dia talvez irei partir
e quem sabe nesse dia
teu coração reclame...
e você grite meu nome.

Rosane Silveira



- Postado por: Rodrigo às 10h52
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Hoje vago entre estrelas...
Em busca da calmaria...
E também dos sonhos teus...

Alma errante...
Que em prantos viaja...
De encontro ao tempo...
Buscando a esperança...
Acreditando no amanhã...

Vago livre sozinha...
Por horizontes desconhecidos...
Em cada olhar...
Procuro um anjo amigo...
Procuro um carinho...
Procuro uma mão amiga...

Como criança liberta...
Eu choro e espero a primavera...
Acredito que as flores...
Nos trarão alegrias...
E a vida poderá ficar...
Mais colorida...
Numa eterna magia...

Autor Desconhecido



- Postado por: Rodrigo às 10h49
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Miragem

"Não ames uma miragem
doce peregrino
pois ela se perde na areia
do horizonte
não ames a lua cheia
que atrás de nuvens
se esconde
não ame o vento incerto
que muda a direção...
ame sim o coração
que te busca em apelo
que le os teus pensamentos
que quer tua presença
que olha por teu sono
enquanto adormeces
que sentirá por ti
adoração imensa
ame a quem te quer
doce peregrino
e cria tua história
firmada entre rochas
acaricia a flor
que hoje desabrochas
e alegras teu peito
com o teu destino
pois que uma miragem
nunca será sua
muito menos a luz
que se escapa da lua
muito menos o vento
que se faz sentir
ame aquele olhar
que te procura agora
olhos de quem te ama
e segue sem demora
não deixes o amor
a esperar por ti"

Yordana Natasha



- Postado por: Rodrigo às 09h57
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Lágrima

Sente, apenas sente
essa lágrima quente,
semente de solidão, gota de saudade.

Sente esse meu sentir
nesta soledade e diz o que sentes
na distância que essa lágrima invade.

Sente porque não falo, apenas choro,
e saberás que o amor pode ser o que se sente
numa lágrima que deságua de repente.

Maria Lucia Victor



- Postado por: Rodrigo às 09h53
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Se acontecer...
Do sol não surgir
Admire a chuva
E seu balé ao cair.

Se acontecer...
Das estrelas
Não se deixarem ver
Admire as nuvens
Lindas imagens
Nelas surgem.

Se acontecer...
Da lua não surgir
Admire as estrelas
Na escuridão a luzir.

Se acontecer...
Da rosa
Demorar a se abrir
Está se perfumando
Esperando
O sol lhe sorrir.

Se acontecer...
Da solidão lhe atingir
Alguém sorri
Por você existir.

Sirlei L. Passolongo

Fonte: http://amandaprates.zip.net/



- Postado por: Rodrigo às 10h44
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Superlativo, pleonástico, se valia das prosopopéias e mantinha aquele ar misterioso, calado. Abria a boca apenas para onomatopéias, algumas subliminares interjeições adverbiais. Transitava, despreocupado, pela hipálage. Criava hipérboles paradoxais. Era um mestre da antífrase. Afinal, era metonímico, alegoricamente antonomásico. Abraçou, no fim da vida, a causa sinestésica. Angustiava o coração com catacreses. Morreu de metalepse fulminante, sem nenhuma antítese. Por ironia, sua lápide foi sua obra-prima, a suprema perífrase.

Ricardo Rayol



- Postado por: Rodrigo às 10h30
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Despedidas

Começo a olhar as coisas
como quem, se despedindo, se surpreende
com a singularidade
que cada coisa tem
de ser e estar.

Um beija-flor no entardecer desta montanha
a meio metro de mim, tão íntimo,
essas flores às quatro horas da tarde, tão cúmplices,
a umidade da grama na sola dos pés, as estrelas
daqui a pouco, que intimidade tenho com as estrelas
quanto mais habito a noite!

Nada mais é gratuito, tudo é ritual
Começo a amar as coisas
com o desprendimento que só têm
os que amando tudo o que perderam
já não mentem.

Affonso R. de Sant´Anna



- Postado por: Rodrigo às 10h27
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Esse texto NÃO é de Shakespeare ou Chaplin como divulgam na net

Depois de algum tempo  (After a while)

Depois de um tempo você aprende
a sutil diferença entre
segurar uma mão e acorrentar uma alma
e você aprende
que amar não significa apoiar-se
e companhia não quer sempre dizer segurança
e você começa a aprender
que beijos não são contratos
e presentes não são promessas
e você começa a aceitar suas derrotas
com sua cabeça erguida e seus olhos adiante
com a graça de mulher, não a tristeza de uma ciança
e você aprende
a construir todas as estradas hoje
porque o terreno de amanhã é
demasiado incerto para planos
e futuros têm o hábito de cair
no meio do vôo
Depois de um tempo você aprende
que até mesmo a luz do sol queima
se você a tiver demais
então você planta seu próprio jardim
e enfeita sua própria alma
ao invés de esperar que alguém lhe traga flores
E você aprende que você realmente pode resistir
você realmente é forte
você realmente tem valor
e você aprende
e você aprende
com cada adeus, você aprende.


Veronica A. Shoffstall (1971)



- Postado por: Rodrigo às 18h35
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Quando vem a saudade
O tempo volta atrás
O amor vem a realidade
Te esquecer jamais

Quando vem a saudade
Tudo faz lembrar
Todo o amor que eu te dei
E tudo volta num piscar

Toda a lágrima
Que por você eu chorei
Não foi em vão
Agora eu sei

Todo amor que eu senti
Por você, não foi em vão
Com você aprendi
A escutar meu coração

Quando vem a saudade
Agora sei, que nunca esquecerei
O quanto te amei de verdade
Um amor que sempre levarei
Para toda a eternidade.

Eudes Batista De Paula



- Postado por: Rodrigo às 11h02
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Colha o dia como se fosse um fruto maduro
que amanhã estará podre.
A vida não pode ser economizada para amanhã.
Acontece sempre no presente.
 
Rubem Alves

___________________________

Colha o dia, confia o mínimo no amanhã
Não perguntes, saber é proibido, o fim que os deuses
darão a mim ou a você, Leuconoe, com os adivinhos da Babilônia
não brinque. É melhor apenas lidar com o que cruza o seu caminho
Se muitos invernos Jupiter te dará ou se este é o último,
que agora bate nas rochas da praia com as ondas do mar
Tirreno: seja sábio, beba seu vinho e para o curto prazo
reescale suas esperanças. Mesmo enquanto falamos, o tempo ciumento
está fugindo de nós. Colha o dia, confia o mínimo no amanhã.

Horácio



- Postado por: Rodrigo às 10h32
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O maior bem que podemos fazer para a humanidade
é conseguirmos a nossa própria auto-realização...

_________________________


Não podemos nos encontrar nos outros. Não podemos viver para os outros. Não podemos ser o que os outros querem que sejamos, porque o que desejam não é o que somos.

Esta é uma verdade tão simples, no entanto, é talvez a maior causa do sofrimento e luta psicológica humana. Muitas vezes é mais simples para nós tornarmos-nos o que os outros desejam, mas, ao fazê-lo, renunciamos aos nossos sonhos, abandonamos nossas esperanças, passamos por cima de nossas necessidades.

Isto faz com que nos sintamos fracos, impotentes, sem um ego verdadeiro. Possuímos tudo que é necessário para nos tornarmos o que somos. Inicialmente, devemos nos aceitar como somos e com todo nosso potencial. Devemos seguir nossos impulsos em direção à auto-realização de uma forma pacífica, paciente e disciplinada. Munidos da ousadia para voltarmos para dentro e nos livrarmos da tirania das vontades dos que nos cercam, devemos determinar nosso caminho.

O amor não pode ser justificativa para dominação! Isso está claro na expressão: "use as coisas, ame as pessoas". É assustador como muitas pessoas fazem justamente o contrário em nome do amor: pais usam os filhos, maridos usam as esposas, educadores usam os alunos, radicais usam a sociedade.

Muitos usam as vidas dos outros para afirmar a própria natureza e valor. A dominação em um relacionamento, não importa a que título, jamais será amor.

Nilva Garcia

Arte: "Weight of the World" de Eric Drooker



- Postado por: Rodrigo às 00h10
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Ninguém te amou assim

Se você quer brincar,
eu posso ser a chuva,
molhando os teus cabelos,
sentir teu coração,
sentir o teu apelo.
E se quiser amar,
vou ser teu namorado,
e se quiser chover,
faço em papel marchê,
um céu enluarado.
Invento um mundo só pra gente,
mundo diferente,
nosso paraíso!
Vento que ventou saudade,
traz felicidade,
meu primeiro amor.
Ninguém te amou assim,
do jeito que eu te amo.
Cuida do que é teu,
no fundo eu sei que eu
sou parte dos seus planos.
Ninguém te amou assim,
do jeito que eu te amo.
Não deixa eu te deixar,
Não dá pra separar
o azul do oceano.

Gerson Cardozo



- Postado por: Rodrigo às 00h02
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In: Poemas, sonetos e baladas

Apelo

Ah, meu amor não vás embora
Vê a vida como chora
Vê que triste esta canção
Ah, eu te peço não te ausentes
Porque a dor que agora sentes
Só se esquece no perdão

Ah, minha amada, me perdoa
Pois embora ainda te doa
A tristeza que causei
Eu te suplico não destruas
Tantas coisas que são tuas
Por um mal que já paguei

Ah, minha amada, se soubesses
Da tristeza que há nas preces
Que a chorar te faço eu
Se tu soubesses um momento
Todo o arrependimento
Como tudo entristeceu

Se tu soubesses como é triste
Eu saber que tu partiste
Sem sequer dizer adeus
Ah, meu amor, tu voltarias
E de novo cairias
A chorar nos braços meus

Vinicius de Moraes



- Postado por: Rodrigo às 00h08
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Sirlei L. Passolongo

O Balé da Vida

Eu quero ouvir o som da chuva
Dançando sobre o telhado
Banhando as flores
Que enfeitam a primavera
Fazendo brotar o grão
Pra saciar toda miséria

Eu quero ouvir o som das cachoeiras
Quando dançam sob as pedras
Irrigando os riachos...
Que abrigam a vitória-régia

Eu quero ver os peixes na piracema
Bailando sobre a água transparente
Ver o rio encontrar o mar
Sem óleo, lixo ou qualquer poluente

Eu quero mostrar pros meus netos
a beleza das açucenas...
Quero acreditar no futuro!
E não pensar que a água
Poderá ser vista apenas
num filme de cinema.

Sirlei L. Passolongo

Fonte: http://amandaprates.zip.net/ 



- Postado por: Rodrigo às 00h05
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Quando dois homens se encontrarem, sejam de povos, sejam de credos, sejam de classes diferentes... que eles possam sempre dar as mãos como amigos! Se as nossas mãos se encontrarem, poderemos fazer com elas, uma corrente para transformar o mundo... E, se cada um de nós, for uma semente que o vento espalha... esse sonho poderá se tornar realidade um dia!

A Rede Mundial cria a a possibilidade de unir pessoas do mundo inteiro! Ternura... sorrisos...  lágrimas... esperanças... invadem os "chips" e o "coração" do micro bate mais forte... provando que o homem conseguiu emprestar emoções à máquina...

É fascinante a possibilidade que temos de fazer nossas palavras e nossas emoções percorrerem o espaço virtual, levando a cada cantinho, a nossa realidade e os nossos sonhos! É o momento de pensarmos em nossa responsabilidade, fazendo com que siga em cada palavra digitada, a nossa intenção maior de um mundo com mais amor!

(Autor Desconhecido, até então)



- Postado por: Rodrigo às 00h01
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In: A Hora da Estrela - pág. 32

É. Eu me acostumo mas não amanso. Por Deus! eu me dou melhor com os bichos do que com gente. Quando vejo o meu cavalo livre e solto no prado - tenho vontade de encostar meu rosto no seu vigoroso e aveludado pescoço e contar-lhe a minha vida. E quando acaricio a cabeça de meu cão - sei que ele não exige que eu faça sentido ou me explique.

Clarice Lispector



- Postado por: Rodrigo às 00h13
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Tatuagens

Em cada gesto perdido
Tu és igual a mim
Em cada ferida que sara
Escondida do mundo
Eu sou igual a ti

Fazes pinturas de guerra
Que eu não sei apagar
Pintas o sol da cor da terra
E a lua da cor do mar

Em cada grito da alma
Eu sou igual a ti
De cada vez que um olhar
Te alucina e te prende
Tu és igual a mim

Fazes pinturas de sonhos
Pintas o sol na minha mão
E és mistura de vento e lama
Entre os luares perdidos no chão

Em cada noite sem rumo
Tu és igual a mim
De cada vez que procuro
Preciso um abrigo
Eu sou igual a ti

Faço pinturas de guerra
Que eu não sei apagar
E pinto a lua da cor da terra
E o sol da cor do mar

Em cada grito afundado
Eu sou igual a ti
De cada vez que a tremura
Desata o desejo
Tu és igual a mim

Faço pinturas de sonhos
E pinto a lua na tua mão
Misturo o vento e a lama
Piso os luares perdidos no chão.

Mafalda Veiga



- Postado por: Rodrigo às 00h08
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Centenário da Imigração Japonesa - 18/06/1908

“Como o interior do trem não era muito claro, aquele espelho não era tão nítido quanto deveria ser. Ele não refletia bem as imagens. Por isso, enquanto Shimamura olhava compenetrado, foi se esquecendo da existência do espelho e começou a pensar que a moça flutuava na paisagem do entardecer. Foi nesse momento que os raios de sol, já tênues, iluminaram o rosto dela. O reflexo do espelho não era suficiente para apagar a claridade de fora, nem esta, forte o bastante para ofuscar a imagem refletida no espelho. A claridade passava como um relâmpago pelo seu rosto, mas não era suficiente para iluminá-lo. A luz era fria e distante. No momento em que o contorno de sua pequena pupila foi se iluminando, como se os olhos da moça e a luz se sobrepusessem, seus olhos se tornaram um vaga-lume misterioso e belo que pairava entre as ondas da penumbra do cair da tarde.”

Yasunari Kawabata* (1899-1972)

In: O País das Neves, p.15 (1947)

Foto: O navio Kasato Maru chega a Santos em 1908, após 52 dias de viagem e que trouxe oficialmente 781 imigrantes, abrindo oficialmente a imigração japonesa no Brasil.

* Kawabata foi o primeiro japonês a ser laureado com o Prêmio Nobel da Literatura, em 1968.



- Postado por: Rodrigo às 09h32
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"Destino não é uma questão de sorte,
mas uma questão de escolha;
não é uma coisa que se espera,
mas que se busca."

William Jennings Bryan



- Postado por: Rodrigo às 00h03
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Manuel Bandeira

Do Rio

“Ser como um rio que flui
Silencioso no meio da noite
Não temer as trevas da noite
Se há estrelas no céu, refleti-las.
E se o céu se enche de nuvens
Como o rio, as nuvens são água;
Refleti-las também sem mágoa
Nas profundidades tranqüilas.”

Manuel Bandeira



- Postado por: Rodrigo às 00h01
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Esse texto NÃO É de Drummond, Quintana ou Pessoa como circulam na net...

"De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro."

Fernando Sabino (1923-2004)

In: O Encontro Marcado, Ed. Record, ed.68ª, p.145



- Postado por: Rodrigo às 21h33
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Chuva da alma
 
Cai a gota, enfim, escorrendo
Ao longo do suave declive
Precipita-se, suave, impensável
Na grande distância, abaixo
Descendo por curvas, poemas
E formas, momentos, lisuras
Superfícies cálidas, nuas
E enquanto cai evapora
No calor que em si mesma encerra
E no da superfície sincera
Que em vão a esmaga e abriga
Até que enfim se esfacela.

Outra gota em seu lugar brota
No olho já tão marejado
Calor e tristeza e água
E sal, e sabor, e beleza
Escorre no rosto sofrido
Vivido de angústias e glórias
Tão cheio de outras histórias
Caminhos trilhados por gotas
Na dor e no amor esculpidos
E a lágrima nova se lança
Tem gosto de vida e de chuva
De sal e também de esperança.

(Autoria Desconhecida)



- Postado por: Rodrigo às 00h04
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Antero de Quental

Sonho Oriental

Sonho-me às vezes rei, n’alguma ilha,
Muito longe, nos mares do Oriente,
Onde a noite é balsâmica e fulgente
E a lua cheia sobre as águas brilha...

O aroma da magnólia e da baunilha
Paira no ar diáfano e dormente...
Lambe a orla dos bosques, vagamente,
O mar com finas ondas de escumilha...

E enquanto eu na varanda de marfim
Me encosto, absorto n’um cismar sem fim,
Tu, meu amor, divagas ao luar,

Do profundo jardim pelas clareiras,
Ou descansas debaixo das palmeiras,
Tendo aos pés um leão familiar.

Antero de Quental



- Postado por: Rodrigo às 00h00
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In: A Imortalidade

"É preciso definir o homem sentimental não como uma pessoa que experimenta sentimentos (porque todos somos capazes de experimentá-los), mas como uma pessoa que os valorizou. Desde que o sentimento seja considerado como um valor, todo mundo quer experimentá-lo; e como todos nós temos orgulho de nossos valores, é grande a tentação de exibir nossos sentimentos."

Milan Kundera



- Postado por: Rodrigo às 00h24
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Me permita

Me permita mudar para o seu coração
Procurar me aconchegar no seu conforto
Fazer em todos os momentos um alento
Poder me confortar no seu calor
E estar junto a ti aonde você for

Me permita escolher o seu olhar
Para em mim se fixar
E dizer sem precisar falar
Se eu pudesse escolher
É você que quero amar

Me permita querer minhas as tuas mãos
Trocar afagos e caminhar junto de ti
De braços dados ou mãos entrelaçadas
Mãos para dar sem pedir
Para enxugar uma lágrima se acaso cair

Me permita deitar a cabeça no teu colo
Poder sonhar, imaginar e fantasiar
A vida em harmonia e prazer
Seu eu seu sempre namorado
E você gostar de estar ao meu lado

Me permita simplesmente te amar
Viver ao seu lado como verso
Parte de ti e do seu universo
Pra me deixar com minha paixão
Fazer parte da sua vida e do seu coração

Me permita
Só me permita
Pelo menos tentar

 
Jorge Luiz Vargas

Fonte: http://amandaprates.zip.net/



- Postado por: Rodrigo às 00h20
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As verdadeiras palavras às vezes não são aquelas
que são ditas, escritas ou pensadas.
As verdadeiras palavras são simplesmente sentidas...

_________________________

"Um corpo sem inteligência não ama. Um corpo sem saúde não desfruta do amor. Um gênio sem amor não tem saúde espiritual. Diante disso tudo,devemos a cada instante procurar a companhia das três virtudes, mesmo que alcancemos uma a uma."

Paulo Baleki



- Postado por: Rodrigo às 00h14
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In: Um Sopro de Vida

Eu te amo tanto como se sempre estivesse te dizendo adeus. Quando estou só demais, uso guisos ao redor dos tornozelos e dos pulsos. Então quase cada um de meus pensamentos se externam e voltam para mim como respostas. Minha mais tênue energia faz com que eles logo vibrem estremecendo em luz e som. Eu tenho que ser minha amiga, senão não agüento a solidão. Quando estou sozinha procuro não pensar porque tenho medo de de repente pensar uma coisa nova demais para mim mesma. Falar alto sozinha e para "o quê" é dirigir-se ao mundo, é criar uma voz potente que consegue — consegue o quê? A resposta: consegue o "o quê". "O quê" é o sagrado sacro do universo.

Clarice Lispector



- Postado por: Rodrigo às 00h06
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In: O silêncio dos amantes

“Sem que eu soubesse, as coisas não ditas haviam crescido como cogumelos venenosos nas paredes do silêncio, enquanto ele ficava acordado na cama, fitando o teto, com o branco dos olhos reluzindo na penumbra. Se eu interrogava, o que você tem amor? Ele respondia que não era nada, estava pensando no trabalho. A gente sabia que era mentira, ele sabia que eu sabia, mas nenhum de nós rompeu aquele acordo sem palavras. Nunca imaginei o mal que o roía.”

Lya Luft



- Postado por: Rodrigo às 00h01
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José Bispo dos Santos (1913-2008)

Torre de Babel

Quando nos conhecemos
numa festa que estivemos
nos gostamos e juramos
um ao outro ser fiel

Depois continuando
nos querendo nos gostando
nosso amor foi aumentando
qual a torre de babel

E a construção foi indo
foi crescendo foi subindo
lá no céu quase atingindo
aos domínios do senhor

E agora se aproximando o nosso
maior momento
este desentendimento
quer parar o nosso amor

Mas eu não acredito isso não há de acontecer
porque eu continuo lhe adorando
e hei de arranjar um meio de lhe convencer
que volte meu amor seu bem está chamando

Por um capricho seu não há de ser
que essa amizade vá ter esse desfecho tão cruel
que tiveram por que se desentenderam
aqueles que pretenderam fazer a torre de babel.

Jamelão
(José Bispo dos Santos)



- Postado por: Rodrigo às 17h53
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Uma lágrima de saudade

Fecho os olhos e vejo você; sinto um imenso vazio
na alma, que me faz chorar, mas me perco nos teus
olhos.
Uma lágrima de saudade percorre o meu rosto.
Choro por saber que não posso te tocar.
Lágrimas vertem de meus olhos, porque há uma
parte de você em mim, que me tortura. Como
preencher o vazio da minha alma sem a sua
companhia?
Tento apenas superar a imensa saudade que me
arrasa o coração, mas que vem junto com as doces
lembranças do teu ser. Sem você não haveria
saudades!
Quando penso em você me sinto flutuar. Quando
fecho os olhos eu posso te sentir, posso ouvir teu
coração. Lembro de alguns momentos, do seu jeito
de me olhar, da doçura do teu sorriso, do teu abraço
apertado e da suavidade dos teus lábios. Mas todas
essas lembranças só me fazem chorar...
Uma lágrima de saudade percorre meu rosto,

Porque sinto sua falta
e, ainda te amo em silêncio...

Andréa R. Costa

Fonte: http://www.euautor.com.br/textos.asp?IDTexto=8526



- Postado por: Rodrigo às 00h12
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A MULHER E A CASA

Tua sedução é menos
de mulher do que de casa;
pois vem de como é por dentro
ou por detrás da fachada.

Mesmo quando ela possui
tua plácida elegância,
esse teu reboco claro,
riso franco de varandas,

uma casa não é nunca
só para ser contemplada;
melhor: somente por dentro
é possível contemplá-la.

Seduz pelo que é dentro,
ou será, quando se abra;
pelo que pode ser dentro
de suas paredes fechadas;

pelo que dentro fizeram
com seus vazios, com o nada;
pelos espaços de dentro,
não pelo que dentro guarda;

pelos espaços de dentro:
seus recintos, suas áreas,
organizando-se dentro
em corredores e salas,

os quais sugerindo ao homem
estâncias aconchegadas,
paredes bem revestidas
ou recessos bons de cavas,

exercem sobre esse homem
efeito igual ao que causas:
a vontade de corrê-la
por dentro, de visitá-la.

João Cabral de Melo Neto



- Postado por: Rodrigo às 00h08
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"Às vezes, a melhor maneira de se encontrar
é se perder na vida de alguém.."



- Postado por: Rodrigo às 21h32
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Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração.

António Ramos Rosa



- Postado por: Rodrigo às 01h56
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(Escre)ver-me

nunca escrevi
sou
apenas um tradutor de silêncios
a vida tatuou-me nos olhos
janelas
em que me transcrevo e apago
sou
um soldado
que se apaixona
pelo inimigo que vai matar

Mia Couto



- Postado por: Rodrigo às 01h51
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Por ti minha alma existe...

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís Vaz de Camões



- Postado por: Rodrigo às 00h13
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Por ti ignoro minha dor...



Meus Olhos

Num certo momento a voz se cala,
A timidez supera o sentimento...
Fico sem assunto, sem fala.
E como expressar o que tenho no peito?

Não preciso de palavras para falar de nós,
para você ouvir o meu falar.
Basta olhar no meu olhar,
e nos meus olhos verá a minha voz...

Encontrará neles, tudo o que eu não falei.
Palavras que ficaram presas na garganta,
Sentimentos sufocados que guardei.

E se olhar com bastante atenção,
verás através deles, o meu coração...
Gritando o amor que é teu... e somente seu...



- Postado por: Rodrigo às 00h09
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Por ti e por teu amor... É que existe a minha vida...

Por que dizer eu te amo?

Dias atrás, ouvi alguém comentar que não costuma dizer “eu te amo” para a pessoa que é sua parceira já há alguns anos. Contou que já lhe disse algumas vezes, quando namoravam, e que agora não precisa mais: é uma mera repetição.

De alguma forma, me sinto “deslocado” e confuso, diante de afirmações assim. É que eu não consigo entender porque há pessoas que pensam deste jeito. Porque ouvir uma declaração assim é como escutar uma música. E se representa o que sinto, eu quero dizer e ouvir sempre.

Será porque a educação masculina estimula mais a competição, a força e a virilidade, passando um recado de que o sentimento nos torna frágeis?

Não sei, mas a passagem do tempo parece deixar alguns relacionamentos, “anestesiados” para o sentimento. É aquela convivência com ausência de emoção, resumida a um tratamento de “senhora e senhor”. Conversam sobre política, o tempo, afazeres dos filhos, o que comer/beber, ou se vão sair ou não. Mas não falam do que sentem.

Por que para alguns, diminui aquela intimidade emocional que havia no namoro? Ou seja, por que não namoram mais?

Não se fala aqui só de sexo, que é ótimo, mas daquela intimidade toda que existe na cumplicidade da alma de quem ama: das mãos dadas, do jeito de olhar, do beijo, de dizer o que se sente e também daquela alegria por simplesmente se estar junto.

Às vezes eu fico a me perguntar: será que o tempo tem o poder de reduzir tudo isto a uma simples e repetitiva rotina?

Penso que não, e não sei se é brega, ou chique, ou um outro rótulo qualquer, apenas que gosto, e que me faz sentir vivo, alegre, vibrante e feliz.

E prefiro seguir contra a maré: mandar flores, escrever recadinhos, cuidar dos detalhes, prestar atenção e promover sempre pequenas gentilezas que tornam o meu dia a dia mais feliz.



- Postado por: Rodrigo às 00h06
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Corro para ti todos os dias e não há desporto que mais me encha de alegria do que a maratona que é contar-te o meu dia, ouvir-te falar do teu, estar contigo, receber um não verbalmente, em linguagem gestual, corporal... gosto de ti o tanto que eu nem sabia ser capaz de gostar. Não há dia que se passe sem que feche os meus olhos e tenha um estremecimento, sentindo que te vejo.

_____________________________________

Por ti

Por ti a minha alma existe.
Longe de ti eu fico triste.
És meu riso, canto e dor.
Por ti é que às vezes choro.
És quem tanto adoro.
És meu grande amor.
Quando estas distante padeço.
Nem quando durmo te esqueço.
És minha oração preferida.
Por ti ignoro minha dor.
Por ti e por teu amor.
É que existe a minha vida.

Wilson Gomes



- Postado por: Rodrigo às 00h01
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Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou rigoroso.

Amor é brando, é doce e é piedoso;
Quem o contrário diz não seja crido:
Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens e inda aos deuses odioso.

Se males faz Amor, em mi se vêem;
Em mim mostrando todo o seu rigor,
Ao mundo quis mostrar quanto podia.

Mas todas suas iras são de amor;
Todos estes seus males são um bem,
Que eu por todo outro bem não trocaria.

Luís Vaz de Camões



- Postado por: Rodrigo às 19h37
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Omnia Vincit Amor...

Amor além da tela

Estava há poucos minutos na janela admirando o
céu e fiquei a contemplar aquela lua que me faz
de ti lembrar, ela vem sempre me mostrar o brilho
de teus olhos. Como te esquecer? A vida inteira
eu sonhei com você e ainda sonho! Às vezes acho
que ainda não acordei, mas é uma delícia acordar
de manhã e saber que, realmente, existes.
Sei que você está longe, mas às vezes parece
estar perto demais! Eu sempre te amei e guardo
este amor! Não sei onde você anda, mas onde
estiver saiba que continuo a te amar.
Com você nos meus sonhos serei feliz para
sempre!
Eu só desejo que você sonhe...
Sonhe meu amor. Sonhe comigo, pois eu estarei
sempre ao seu lado, mesmo estando do outro
lado da tela.

Andréa R. Costa

Fonte: http://www.euautor.com.br/textos.asp?IDTexto=8390



- Postado por: Rodrigo às 00h31
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VAMOS FUGIR?

Do outro lado do mundo
tem um lugar onde possamos amar!
Onde daremos a volta ao mundo
nas asas de uma borboleta.
Amaremos em cachoeiras
e mergulharemos no suor a sonhar.
Nos aproximaremos do céu
na união mais perfeita!

Escreveremos nossos nomes
com estrelas a brilhar!
Nos amaremos nas nuvens
entre luzes a reluzir carinho...
Somente neste lugar acalentará
meu coração que não cansa de chorar.
Fugiremos para enfrentar os espinhos
que cruzem nossos caminhos!

E no encanto de nossos corpos
brindaremos num ritual animal.
Serei eu tão feliz que darei cambalhotas
e voarei com gaivotas...
Serei uma fera de desejo
ou um passarinho a proteger seu ninho
Dançarei nesta fuga louca
e te prometo que não terá mais volta!
Vamos fugir?

Marisa Torres

Fonte: http://amandaprates.zip.net/



- Postado por: Rodrigo às 00h26
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Mel e girassóis

(...)
"- Sabe eu pensei tanto. Eu acho que...

Ela se voltou de repente e disse: - Eu também. Eu acho que...

Ficaram se olhando. Completamente dourados, olhos úmidos. Seria a brisa? Verão pleno solto lá fora. Bem perto dela, ele perguntou:

- O quê?

Ela disse: - Sim.

Puxou-o pela cintura, ainda mais perto...

Ele disse: - Você parece mel

Ela disse: - E você, um girassol

Estenderam as mãos um para o outro. No gesto exato de quem vai colher um fruto completamente maduro".

(Caio Fernando de Abreu)



- Postado por: Rodrigo às 00h20
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"Para fazer uma obra de arte ...
não basta ter talento,
não basta ter força,
 é preciso também ...
viver um grande amor."

Wolfgang Amadeus Mozart

Foto: Escultura de Paul Day na Estação ST. Pancras em Londres.



- Postado por: Rodrigo às 00h12
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Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nela é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa



- Postado por: Rodrigo às 00h06
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In: Respirar as mãos na pedra, 1988 - Angola

Poesia Verde

para Carlos Drummond de Andrade

No meio do caminho nunca houve uma só pedra
As pedras nascem na boca e a boca é o seu caminho.
Das pedras que comemos as cidades ainda falam
pelos cotovelos da noite.
Não eram pedras, eram pedras com cabeça, tronco e sexo.
Pariram fábricas de pedras montadas sobre a língua.
E as pedras comeram a pedra que restou no meio do caminho

José Luis Mendonça



- Postado por: Rodrigo às 00h18
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Já disse antes, nas tardes frias do outono, que ainda nada sei sobre o amor. Sei apenas o que sinto. As batidas arrítmicas que ora falham, ora teimam em pulsar distantes, no livre olhar, de tua sombra delineada. O rasgar da alma, no ouvir etéreo de sua voz, mas o amor mesmo não conheço, não lhe fui apresentado.
Sinto-me um trapezista, triste artista, que no ar se lança, sem rede.
O inverno da minha vida se aproxima.

Ricardo Rayol



- Postado por: Rodrigo às 00h07
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(...) Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros. Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre a tristeza. Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições com os fracassos. Não é apenas ter júbilos nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver a vida, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz não é um acaso, uma obra do destino, mas uma conquista de quem sabe viajar para dentro do seu próprio ser.
(...)
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar a autora da sua própria história. É atravessar desertos, fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus, a cada manhã, pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesma. É ter coragem para ouvir um ‘não’. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que ela seja injusta. É beijar os filhos, curtir os pais e ter momentos poéticos com os amigos, mesmo que eles nos magoem. (...)

Luiz Antonio Gasparetto



- Postado por: Rodrigo às 00h04
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In: A Poesia Possível

Floral
 
  É isto. É primavera.
     Estou feliz, em febre.
Outros
                                                 politizam suas dores.
Eu
me polenizo
 ou polemizo 
                                     com as flores.

Affonso  Romano de Sant'Anna 



- Postado por: Rodrigo às 00h43
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Quando eu era criança

Acreditava que o para “Sempre” nunca acabaria e que teria todo o tempo do mundo.

Quando criança, apaixonei-me pela lua, eu olhava pra lua e pensava "porque ela está atrás de mim?". Achava o máximo porque a Lua sabia meu endereço!

Eu acreditava em todas as historinhas engraçadas e inusitadas baseadas em crenças. Era tão boa aquela descoberta do mundo, a imaginação fluindo!

Quando criança adorava andar descalça na grama, no asfalto e na areia.Brincava de pular corda, de elástico na hora do recreio, de bambolê depois da aula, de “esconde-esconde” e "pega-pega”, mas amava mesmo era brincar de boneca.

Quando eu era pequenininha, eu acreditava que podia voar, e ficava feliz quando meu pai me pegava em seus braços e me fazia flutuar. Era só fechar os olhos, pular nos braços dele e deixar as pernas o mais dobradas possível. Ah como sinto saudades!

Quando criança, queria crescer logo, virar adulta. Queria ser igual a minha mãe, eu sempre a observava e queria ser igual, pois sempre a admirei.

Quando eu era criança, gostava de ler aquelas historinhas infantis, aqueles livros eram mágicos, podiam me levar para terras distantes e me faziam viver aventuras deslumbrantes.

Desde criança amo as palavras, pois tenho vontade de transformar tudo o que eu vejo, escuto e sinto em texto.
Quando criança eu era tão feliz...

Deixei de ser criança, mas não com o coração, pois continuo sendo a mesma menina que passou a vida toda acreditando e que nunca deixou pra trás os seus sonhos.

Andréa R.Costa

Fonte: http://www.euautor.com.br/textos.asp?IDTexto=8331



- Postado por: Rodrigo às 00h29
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A M O

Amo o momento de estar conectado,
Enquanto o teclado leva nossa fala
Tocando junto ao nosso coração
O que a mente diz e nossa voz cala.
 
Amo o juntar das emoções
De quantos quietos em seus cantinhos
Deixam gritar os corações
Muitas vezes, sedentos de carinhos.
 
A Deus agradeço a oportunidade
De poder percorrer esta distância
E levar ao mundo felicidade
Num recado de amor, fé e esperança.

 
Alexandre Araújo

Fonte: http://amandaprates.zip.net/



- Postado por: Rodrigo às 00h17
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Amor Romântico

Se você não tem mesmo certeza se é amor o que está sentindo, não se preocupe. A melhor coisa sobre o amor é sua constante incerteza. Um dia você está seguro, sabe exatamente o que está se passando com você, então numa semana inteira de angústia, sua certeza desaparece e você não tem mais certeza de nada.

Um dos grandes mitos que nos engana muito, é como saber quando o amor verdadeiro chega; outro é, se não sentimos aquela descarga elétrica que nos tira a respiração, então não é amor; e um terceiro é a existência da "Pessoa Certa".

E nada disso é verdade...

Namorar é muito divertido e romântico, mas eu descobri que para muitos casais o namoro é uma fonte de angústia, por causa do medo da rejeição e da solidão.

O mito do "Amor Romântico" é o que causa mais sofrimento, pois hoje em dia ninguém demonstra o romantismo que tem dentro de si, para não se tornar uma pessoa "careta", e é essa expectativa do amor romântico que deixa as pessoas solitárias e inseguras. E o mais interessante é que somos nós mesmos os responsáveis pela manutenção desse mito, somos nós que damos a expectativa que o mesmo terá.

E ninguém tinha me dito que eu passaria o tempo avaliando as diferenças que me separavam da pessoa que talvez eu estivesse amando. Ficamos todo o tempo tentando descobrir qual é a natureza do amor verdadeiro, isto machuca as pessoas e aumenta as dúvidas a respeito dos sentimentos dedicados a ela. Muita gente pensa: ... se tivesse encontrado a pessoa realmente certa, não estaria em conflito com ela o tempo todo...



- Postado por: Rodrigo às 13h46
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In: O Livro das Orações

Cura

Assim como as chuvas leves enchem os regatos
E engrossam os rios, que se juntam todos os oceanos,
Assim possa o poder de cada momento da Vossa bondade
Fluir para despertar e curar todos os seres,
Os que estão aqui agora, os que já se foram, aqueles ainda por nascer.

Pelo poder de cada momento de Vossa Bondade
Que os desejos de Vosso coração logo se realizem
Brilhantes como a lua cheia,
Tão mágicos quanto uma jóia desejada.

Pelo poder de cada momento de Vossa bondade
Que todo perigo seja afastado e toda doença desapareça.
Quem nenhum obstáculo surja em seu caminho
Que desfrutem de realizações e longa vida.

Para todos aqueles em cujo coração habita o respeito
Que obedecem à sabedoria e à compaixão do Caminho
Que suas vidas prosperem e sejam  aquinhoados com as quatro bênçãos:
Vida longa, beleza, felicidade e força.

Budismo: cântico tradicional

Organização: Juliet Mabey



- Postado por: Rodrigo às 13h36
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Canção

No desequilíbrio dos mares,
as proas giram sozinhas...
Numa das naves que afundaram
é que certamente tu vinhas.

Eu te esperei todos os séculos
sem desespero e sem desgosto,
e morri de infinitas mortes
guardando sempre o mesmo rosto

Quando as ondas te carregaram
meu olhos, entre águas e areias,
cegaram como os das estátuas,
a tudo quanto existe alheias.

Minhas mãos pararam sobre o ar
e endureceram junto ao vento,
e perderam a cor que tinham
e a lembrança do movimento.

E o sorriso que eu te levava
desprendeu-se e caiu de mim:
e só talvez ele ainda viva
dentro destas águas sem fim.

Cecília Meireles



- Postado por: Rodrigo às 20h09
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“O maior prazer da vida é fazer o que os outros dizem que você não sabe fazer.”

Walter Bagehot



- Postado por: Rodrigo às 20h04
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In: Compaixão - O florescimento supremo do amor

"Você só consegue compartilhar com os outros aquilo que você tem.
Se você é miserável, só poderá compartilhar a sua miséria.
E, quando duas pessoas miseráveis estão juntas,
a miséria não dobra simplesmente, ela se multiplica."

Osho



- Postado por: Rodrigo às 20h00
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In: Um toque de Esperança - Kathy Wagoner

É durante as tempestades que os carvalhos aprofundam as raízes.
George Herbert

___________________

Jamais se desespere em meio
Às maiores aflições de sua vida.
Pois das nuvens mais negras
Cai água límpida e fecunda.

Provérbio Chinês



- Postado por: Rodrigo às 21h29
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A maior dor do vento é não ser colorido...
Mário Quintana

___________________

Ventos

Ventos que viram a página
do velho testamento
são abacates; laranjas aqueles que
rebolam árvores choronas
após a chuva;
os da revolta dos que não
suportam o frio,
abóboras; limões
dos cataventos, limões
dos leques, limões
dos ventiladores.
 
Uns, derrubam casas e chapéus;
outros, apagam velas e
até conduzem-nas:
esses, cinzas; aqueles, dourados.
 
Gosto quando os vermelhos,
em forma de mãos,
levantam saias no centro
(saias que, outras mais compridas,
munidas de crucifixos,
sonham esticar);
os azuis,
tratores pequenos de pilha
com seus letárgicos motoristas,
carregam latas de refrigerante;
os rosas,
gaivotas retardatárias,
cabra-cegam balões
(balões de São João,
balões dos diabos,
balões de foguetório).
 
Valendo-se da sobra das tintas
(e suas misturas
possíveis e impossíveis)
com que Rimbaud
- o mestre da pintura -
tingiu as vogais,
os ventos coloriram-se,
após secarem
cada uma das cinco
letras.
 
Renato Silva



- Postado por: Rodrigo às 21h22
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Preciso Dizer Que Te Amo

Quando a gente conversa
Contando casos, besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
E eu não sei que hora dizer
Me dá um medo, que medo

É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
É, eu preciso dizer que eu te amo
Tanto

E até o tempo passa arrastado
Só pra eu ficar do teu lado
Você me chora dores de outro amor
Se abre e acaba comigo
E nessa novela eu não quero
Ser teu amigo

É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
É, eu preciso dizer que eu te amo, tanto

Eu já nem sei se eu tô misturando
Eu perco o sono
Lembrando em cada riso teu
Qualquer bandeira
Fechando e abrindo a geladeira
A noite inteira

Eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que eu te amo, tanto

Cazuza
Composição: Dé/Bebel Gilberto/Cazuza



- Postado por: Rodrigo às 20h59
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Giuseppe Cipolla (1792-1809)

“Que o conhecimento não seja
como o efêmero fogo que atrai
os insetos noturnos à sua ruína,
mas sim como o vetusto farol
que guia os navegantes a um destino seguro.”

Giuseppe Cipolla



- Postado por: Rodrigo às 21h11
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Cecília Meireles

Mapa da Anatomia: o olho

O Olho é uma espécie de globo,
é um pequeno planeta
com pinturas do lado de fora.
Muitas pinturas:
azuis, verdes, amarelas.
É um globo brilhante:
parece cristal,
é como um aquário com plantas
finamente desenhadas: algas, sargaços,
miniaturas marinhas, areias, rochas, naufrágios e peixes de ouro.

Mas por dentro há outras pinturas,
que não se vêem:
umas são imagens do mundo,
outras são inventadas.

O Olho é um teatro por dentro.
E às vezes, sejam atores, sejam cenas,
e às vezes, sejam imagens, sejam ausências,
formam, no Olho, lágrimas.

Cecília Meireles



- Postado por: Rodrigo às 20h16
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O olho da terra de Cecília

visão perfeita
casa destelhada
fios ligados a viagens invisíveis furta-cores
e no planeta olho referido em teu poema
que em tudo pode assemelhar-se a uma visão da Terra logo ali
vista do Espaço
a riscar fictícios dedos medos e pincéis
que ao desprender-se de algum dantes firme laço
ainda sonham sonhos
desenham cores e paixões
lamentos líricos
lágrimas
sorrisos
[e regaços]

Eliana Mora, 22/08/2007



- Postado por: Rodrigo às 20h13
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O afeto

H. Bloomfield soube que o pai fora hospitalizado de repente.

Enquanto viajava para New York, pensava que tinha chance de fazer com que esta visita fosse diferente das demais. Sempre tive medo de mostrar meu afeto, sempre quis manter a mesma distância prudente que meu pai mantinha comigo. Quando o vi na cama, cheio de tubos, dei-lhe um abraço. Ele se surpreendeu.

Abraça-me também, papai”, eu pedi. Ele me havia educado dizendo que um homem nunca demonstra seus sentimentos. Mas insisti. Papai levantou os braços e me tocou. Ali estava eu pedindo a meu pai que me mostrasse o quanto me queria - embora eu já soubesse.

Senti suas mãos na minha cabeça e - pela primeira vez - escutei as palavras que seus lábios jamais haviam pronunciado:TE AMO. E, a partir do momento em que teve coragem de mostrar seu amor, recuperou sua vontade de viver.

Paulo Coelho

Fonte: http://colunas.g1.com.br/paulocoelho/2007/09/12/o-afeto/



- Postado por: Rodrigo às 19h43
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Dois Corações

Dois corações que se encontram e se dão, se derramam de emoção. Tantas estrelas brilham só porquê existem por você e não importa mais nada, se sua beleza realizada num simples sorriso é o sopro que preciso. Dois corações que vagueiam na escuridão, presos no seu nome, nem só de sonho ou de ilusão, um brilho que nunca some na lembrança desse homem. Tantas estrelas reluzem, não é tão simples a escuridão se um louco beijo desperta a vaga ambição, a superação do tempo contado na sua respiração, com seu coração vivo em minhas mãos. Dois corações que se unem, que se vão, que sonham, que mantém os pés no chão. Dois corações, um amor e mil perdões, dois corações.

André Luís Gabriel



- Postado por: Rodrigo às 19h36
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O grande valor da vida não é aquilo que você recebe.
O maior valor da vida é o que você se tornou.

Jim Rohn



- Postado por: Rodrigo às 22h32
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Por que temos tanto medo de amar?

É incrível como criamos inúmeras maneiras de nos defender, de nos proteger do sofrimento. Creio que passamos a maior parte de nossas vidas criando novas e mais poderosas formas de não nos expormos. Assumimos papéis, inventamos máscaras, palavras e trejeitos... com um único objetivo: não sofrer.

Aprendemos, desde muito cedo, que o sofrimento chega quando estamos expostos, vulneráveis, abertos para o outro... e isso é verdade. E, assim, acreditamos que só há uma maneira de não sofrermos: nos fechando, nos defendendo, nos protegendo do outro... e isso é mentira! Simplesmente porque não existe nenhuma maneira de não sofrermos.

Proteger-nos do outro é não demonstrar o que sentimos, o quanto amamos; é não compartilhar, não “precisar” (no sentido de admitir que desejamos intimidade com o outro). No entanto, não nos damos conta de que enquanto nos protegemos, tornamo-nos reféns de nós mesmos, transformamos nosso próprio coração numa prisão. Iludidos com a sensação de uma segurança que definitivamente não existe, abrimos mão da possibilidade de experimentarmos sentimentos imperdíveis!

Podemos perceber que estamos nos defendendo do amor quando usamos expressões como: “eu gostaria que ele me desse mais carinho, mas não tenho que pedir isso!” ou “se ele não demonstra que me ama, por que eu deveria fazer isso?”

O problema é que norteamos nossa vida a partir do outro: “se ele não fizer isso, eu também não faço”, “se ele não disser, eu também não digo”, “se ele não demonstrar, eu também não demonstro”! Poxa! Que raio de contabilidade miserável é essa? O amor não funciona desse jeito e, assim, continuaremos todos morrendo de solidão, carência, angústia e depressão!

Que tal começarmos a agir por nossa própria conta e risco!

Sim, amar é um risco, um enorme risco, mas que não inclui apenas o sofrimento. Neste pacote também está incluso o risco (absolutamente provável) de sermos correspondidos, amados, respeitados, queridos e tudo o mais que possa haver de bom no exercício de compartilhar amor.

E aí as pessoas vêm com essa: “mas eu não estarei me desrespeitando se pedir amor, se der mais do que receber, se me expor a esse ponto?”... E eu respondo com outra pergunta: O que é se desrespeitar? Para mim, desrespeitar-se é fazer algo que você não gostaria de fazer ou, ao contrário, é não fazer algo que você gostaria de fazer.

Portanto, a pergunta mais importante é: o que você quer fazer? Compartilhar seu amor, dar carinho, pedir carinho, demonstrar o que sente, falar sobre seus sentimentos? Então, faça isso! Não desperdice sua vida à espera da “permissão” do outro. Não meça a sua capacidade de amar e de se expor e de se tornar vulnerável a partir do outro. Assuma-se, admita-se e, sobretudo, acolha-se!

Vá se percebendo, abrindo-se aos pouquinhos, pedindo devagarzinho... porque assim fica mais fácil reconhecer e respeitar seu limite. E entenda por limite a “linha” que separa o seu desejo da sua verdadeira percepção de que já se deu o quanto gostaria de se dar. Porque, obviamente, não estou defendendo a idéia de que você passe a vida inteira se doando para alguém que não tem espaço para te receber. No momento em que sentir que atingiu seu limite, aja com amor-próprio e recolha-se, para se dar a chance de compartilhar o seu amor com alguém que tem espaço para isso.

Enfim, minha sugestão é que paremos, de uma vez por todas, de justificar nossas atitudes (ou não-atitudes) a partir do outro. Que possamos assumir, pelo menos para nós mesmos e se for o caso, que temos medo de sofrer e, por isso, preferimos não nos expor, não pedir, não demonstrar, não expressar e, tantas vezes, não amar...

Porque quando conseguirmos reconhecer esse medo, certamente nos tornaremos mais dispostos e disponíveis para o amor. Teremos compreendido, finalmente, que não-sofrer é impossível. Sofrer faz parte do processo de viver, é inevitável. Mas não-amar talvez esteja sendo uma escolha ingênua e infantil, infelizmente feita por muito mais pessoas do que supomos.

A dica é: não desperdice sua energia e seu tempo evitando a dor. Não seja refém de seus medos. Apenas aceite-os e lembre-se de que cada um tem os seus; todos temos!

Aproveite sua vida amando tanto quanto desejar, tanto quanto sentir... e tenha a certeza de que nunca será “menos” por isso. Muito pelo contrário, estará conseguindo ser o que todos nós desejamos: corajosamente amante!

Rosana Braga



- Postado por: Rodrigo às 00h54
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Ah, vida...

Ah...vida, o que me fizeste?!
Tiraste-me a paz!
De mim, já não sou capaz.
...Arrasto-me.
Ah...vida, o que  me fizeste?!
Minha alma, agora, estremece.
Quisera eu pudesse
sanar esta dor.
Ah...vida, o que  me fizeste?!
Meu coração se esfacela
tomado por seqüelas
que são profundas demais.
Ah...vida, o que me fizeste?!
A razão, eu perdi.
E o que consegui?
...A mutilação.
Ah...vida, o que  me fizeste?!
Um amor tão verdadeiro e incrível!
 Tu não avisaste ...ele era impossível.
...Eu não percebi.

Silvia Munhoz

Fonte: http://amandaprates.zip.net/



- Postado por: Rodrigo às 17h03
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É Preciso

É preciso ser duro
como a pedra
como a pedra que parte
como a parte da pedra
que penetra a parede
e a parte
como a rede que não vaza
como o vaso que não quebra
como a pedra que fende
o paredão da casa
E é preciso ser fraco
é preciso ter ciso
e simulacro é preciso
todos os dias vencer
os deuses/ pigmeus/golias
É preciso ter cara
e ter coragem
é cada vez mais raro
quem assim reage
É preciso ser duro
como o murro
como o muro
e é preciso ser doce
como se anteparo
de vidro
o muro fosse
É cada vez mais raro
ser duro e doce
cada vez mais torpe
ser apenas duro
cada vez mais nulo
ser apenas doce
cada vez mais duro
ser o muro e a nuvem
como se um só fosse.

Ivo Barroso



- Postado por: Rodrigo às 16h58
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In: ANTOLOGIA POÉTICA p. 215-219

Especulações em torno da palavra Homem

Mas que coisa é homem,
que há sob o nome:
uma geografia?

um ser metafísico?
uma fábula sem
signo que a desmonte?

Como pode o homem
sentir-se a si mesmo,
quando o mundo some?

Como vai o homem
junto de outro homem,
sem perder o nome?

E não perde o nome
e o sal que ele come
nada lhe acrescenta

nem lhe subtrai
da doação do pai?
Como se faz um homem?

Apenas deitar,
copular, à espera
de que do abdômen

brote a flor do homem?
Como se fazer
a si mesmo, antes

de fazer o homem?
Fabricar o pai
e o pai e outro pai

e um pai mais remoto
que o primeiro homem?
Quanto vale o homem?

Menos, mais que o peso?
Hoje mais que ontem?
Vale menos, velho?

Vale menos morto?
Menos um que outro,
se o valor do homem

é medida de homem?
Como morre o homem,
como começa a?

Sua morte é fome
que a si mesma come?
Morre a cada passo?

Quando dorme, morre?
Quando morre, morre?
A morte do homem

consemelha a goma
que ele masca, ponche
que ele sorve, sono

que ele brinca, incerto
de estar perto, longe?
Morre, sonha o homem?

Por que morre o homem?
Campeia outra forma
de existir sem vida?

Fareja outra vida
não já repetida,
em doido horizonte?

Indaga outro homem?
Por que morte e homem
andam de mãos dadas

e são tão engraçadas
as horas do homem?
mas que coisa é homem?

Tem medo de morte,
mata-se, sem medo?
Ou medo é que o mata

com punhal de prata,
laço de gravata,
pulo sobre a ponte?

Por que vive o homem?
Quem o força a isso,
prisioneiro insonte?

Como vive o homem,
se é certo que vive?
Que oculta na fronte?

E por que não conta
seu todo segredo
mesmo em tom esconso?

Por que mente o homem?
mente mente mente
desesperadamente?

Por que não se cala,
se a mentira fala,
em tudo que sente?

Por que chora o homem?
Que choro compensa
o mal de ser homem?

Mas que dor é homem?
Homem como pode
descobrir que dói?

Há alma no homem?
E quem pôs na alma
algo que a destrói?

Como sabe o homem
o que é sua alma
e o que é alma anônima?

Para que serve o homem?
para estrumar flores,
para tecer contos?

Para servir o homem?
Para criar Deus?
Sabe Deus do homem?

E sabe o demônio?
Como quer o homem
ser destino, fonte?

Que milagre é o homem?
Que sonho, que sombra?
Mas existe o homem?

Carlos Drummond de Andrade



- Postado por: Rodrigo às 16h53
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