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28/08/2008

"Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania.
Depende de quando e como você me vê passar."

Clarice Lispector

________________

Eu quero um sapato vermelho

Venho tentando lapidar meus dias, a fim de que eles se tornem mais concretos e iguais. Vivo a ditadura da realidade porque me disseram que é preciso. De tanto ouvir essa "verdade" acabei aceitando a premissa, mas aceito-a em parte.

Desde que eu resolvi parar de discutir com quem não entende, faço uma escolha criteriosa de almas. É quase um instinto de sobrevivência fingir, em certas situações, que eu não vejo o lado extraordinário das coisas que me acontecem.

Às vezes eu tenho problemas com essa dualidade. Eu não costumo estar. De uma forma muito simples e imediata, eu sou. É difícil disfarçar tudo que essa condição me traz. Mas aprendi que às vezes, sim, é preciso.

Sonho com um dia em que eu possa apenas ser. Sem dor. Sem culpa. Sem cobranças. Sem mal-entendidos. Sem desencontros. Sem desencanto. Além do arco-íris, talvez seja verdadeiramente permitido.

Enquanto isso de vez em quando eu fico triste.

Eu já encontrei os tijolos amarelos, mas ainda preciso que a fada me dê os sapatos de rubi, para evitar alguns desvios.

É bom que algo incomode vez ou outra. Mas hoje eu só queria proteção para pisar forte e sem medo nesse chão que eu descobri. Não quero perguntas nem respostas. Só pretendo continuar... É preciso.

Mayane Eccard

(10.02.2008)

Fonte: http://paraquandoeumedeixoler.blogspot.com/ 

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.


Escrito por Rodrigo às 00h22
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Dulce est desipere in loco

Medo de amar

Vire essa folha do livro e se esqueça de mim
Finja que o amor acabou e se esqueça de mim
Você não compreendeu que o ciúme é um mal de raiz
E que ter medo de amar não faz ninguém feliz

Agora vá sua vida como você quer
Porém, não se surpreenda se uma outra mulher
Nascer de mim, como do deserto uma flor
E compreender que o ciúme é o perfume do amor

Vinicius de Moraes

In: "Poesia completa e prosa: "Cancioneiro"

 Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

 Interpretação de Chico Buarque:

http://www.youtube.com/watch?v=f1ADgqtU6Zs


Escrito por Rodrigo às 00h04
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27/08/2008

 

"Aquele que fala irrefletidamente,
assemelha-se ao caçador que dispara sem apontar."

Montesquieu


____________________

Quero saber se você vem comigo

Quero saber se você vem comigo
a não andar e não falar,
quero saber se no fim alcançaremos
a incomunicação; por fim
ir com alguém a ver o ar puro,
a luz listrada do mar de cada dia
ou um objeto terrestre
e não ter nada que trocar
por fim, não introduzir mercadorias
como faziam os antigos colonizadores
trocando baralhinhos por silêncio.
Pago aqui eu por teu silêncio.
De acordo, eu te dou o meu
com uma condição: não nos compreender.

Pablo Neruda

In: Últimos Poemas
(O Mar e os Sinos)

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 Mensagem de Montesquieu para Orkut: 

 

 Mensagem de Pablo Neruda para Orkut: 


Escrito por Rodrigo às 00h12
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"Uma das formas de se exercitar e praticar a simplicidade
é não criar expectativas antes dos eventos,
não complicar as coisas durante os acontecimentos
e não remoer algo que já passou.
Quem vive premeditando,
com expectativa aumentada,
 perde a simplicidade e a paz interior."

Wu Jyh Cherng

In: Viver com Sabedoria
- Seleções do Reader's Digest

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Escrito por Rodrigo às 00h04
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“Os homens que não se preocupam com o futuro, cedo terão problemas”

Confúcio

In: Analectos, Cap. XV, Verso 11.

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Escrito por Rodrigo às 00h01
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26/08/2008

Fernando Pessoa

XL - PASSA UMA BORBOLETA

Passa uma borboleta por diante de mim
E pela primeira vez no Universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
No movimento da borboleta o movimento é que se move,
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta
E a flor é apenas flor.

Alberto Caeiro (1889-1915)

In: O Guardador de Rebanhos e Outros Poemas
Fernando Pessoa
Seleção e introdução de Massaud Moisés
Ed. Cultrix - 4a Edição, 1993.

Um dos heterônimos de Fernando Pessoa, Alberto Caeiro nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão, nem educação quase alguma, só instrução primária; morreram-lhe cedo o pai e a mãe, e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia avó. Morreu tuberculoso. Mas é Alberto Caeiro quem afirma: "Eu não tenho filosofia: tenho sentidos... Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é. Mas porque a amo, e amo-a por isso, Porque quem ama nunca sabe o que ama. Nem por que ama, nem o que é amar..."

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Escrito por Rodrigo às 00h46
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É hora da virada

Pode ir se preparando, se arrumando
que agora eu quero mesmo te desarrumar
Pode ir me aguardando eu tô chegando
E tô com tudo pronto pra te incendiar
O amor tá me seguindo, me botando na parede
E agora não tem jeito eu vou acelerar
Eu vou chegar com tudo, vou te pegar de jeito
Você não vai ter tempo nem pra respirar

Mas eu não vou te esperar, se você não resolver
Se tem medo de me acompanhar
Pode deixar, eu me mando sem você

Eu já gritei, eu me arrisquei,
Eu me queimei, eu fiz de tudo
Eu me pus no seu lugar,
E se você não responder não fico mais nenhum segundo
Nada vai me segurar.

Não vai ficar marcando passo,
Me diz agora se você vem comigo ou se vai ficar
Eu já tô largando tudo, caindo fora
Nada mais me prende aqui nesse lugar
Tô mudando o meu destino
Joguei fora o que não presta
Agora eu quero mesmo eu vou enlouquecer
É hora da virada partir pro tudo ou nada
Eu não tô com nem um tempo pra perder...

Ana Carolina / Totonho Villeroy / Eugênio Dale

In: Estampado, 2003 - Grav. BMG

 

http://www.youtube.com/watch?v=O-G4wl3Y1-w


Escrito por Rodrigo às 00h02
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25/08/2008

"Cães amam seus amigos e mordem seus inimigos,
bem diferente das pessoas, que são incapazes
de sentir amor puro e têm sempre que misturar
amor e ódio em suas relações."

Sigmund Freud

_________________

Abraça-me

Abraça-me
porque o tempo passa e não retorna.
Aperta-me em teus abraços
Antes que eu me arrependa.
O tempo nunca se mostrou amigo,
Abraça-me e me faz esquecer o tempo.
 O tempo esquece os sonhos
e passa por cima dos planos
e nossos sonhos se perdem.
O tempo passa e não volta o mesmo.
Abraça-me antes que tudo seja esquecido.
Aperta-me em seus braços
Antes que o lamento chegue.
Eu quero estar em seus braços
Para que o tempo passe por nós
Deixando-nos para sempre juntos...

Autoria Desconhecida

Fonte: Mensagens Perfeitas (http://amandaprates.zip.net/)

 Mensagem de S. Freud para Orkut: 


Escrito por Rodrigo às 20h13
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Conclusões de Aninha

Estavam ali parados. Marido e mulher.
Esperavam o carro. E foi que veio aquela da roça
tímida, humilde, sofrida.
Contou que o fogo, lá longe, tinha queimado seu rancho,
e tudo que tinha dentro.
Estava ali no comércio pedindo um auxílio para levantar
novo rancho e comprar suas pobrezinhas.

O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula,
entregou sem palavra.
A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou,
se comoveu e disse que Nossa Senhora havia de ajudar
E não abriu a bolsa.
Qual dos dois ajudou mais?

Donde se infere que o homem ajuda sem participar
e a mulher participa sem ajudar.
Da mesma forma aquela sentença:
"A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar."
Pensando bem, não só a vara de pescar, também a linhada,
o anzol, a chumbada, a isca, apontar um poço piscoso
e ensinar a paciência do pescador.
Você faria isso, Leitor?
Antes que tudo isso se fizesse
o desvalido não morreria de fome?
Conclusão:
Na prática, a teoria é outra.

Cora Coralina

Texto extraído do livro "Vintém de cobre - Meias confissões de Aninha", Global Editora — São Paulo, 2001, pág. 174.

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Escrito por Rodrigo às 01h23
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Meus dias foram aquelas romãs brunidas

Meus dias foram aquelas romãs brunidas
repletas de cor e sumo e doçura compacta.
Foram aquelas dálias, redondas colméias
cheias de abelhas, de vento e de horizontes.
Meus dias foram aquelas negras raízes
escravas, caminhando por humildes subterrâneos.
Foram aquelas rosas duramente construídas
e logo sopradas por lábios displicentes.
Ah! meus dias foram aqueles sóbrios cactos
de raríssima flor encravada em coroas de espinhos.
Meus dias foram estes altos muros robustos,
este peso de enormes pedras, este cansado limite,
onde pousavam solidões, palavras, enganos
com o brilho, a inconstância desta incerta borboleta.

Cecília Meireles

In: Poesias Completas de Cecília Meireles
v. VIII
Civilização Brasileira, 1979
p. 66

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Escrito por Rodrigo às 01h00
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24/08/2008

In Memoriam

I
Seus poemas desenhavam seu fino hastil
suas corolas vibrantes como pequeninas violas
(ou era a vibração incessante dos grilos?)
seus poemas floriam na tapeçaria ondulante dos
prados
onde os colhia a mão das eternamente amadas
(as que morreram jovens são eternamente amadas...)

II
Seus poemas,
dentre as páginas de um seu livro,
apareciam sempre de surpresa,
e era como se a gente descobrisse uma folha seca
um bilhete de outrora
uma dor esquecida
que têm agora o lento e evanescente odor do
tempo...

III
E seus poemas eram, de repente, como uma prece
jamais ouvida
que nossos lábios recitavam - ó temerosa delícia!
como se, numa língua desconhecida,
sem querer, falassem
da brevidade
e da
eternidade da vida...

IV
Ah, aquela a quem seguiam os versos ondulantes
como dóceis panteras
e deixava por todas as coisas o misterioso reflexo
do seu sorriso;
e que na concha de suas mãos, encantada e aflita
recebia
a prata das estrelas perdidas...

V
Nem tudo estará perdido
enquanto nossos lábios não esquecerem teu nome:
Cecília...

Mario Quintana

Mario Quintana - Poesia Completa
Apontamentos de História Sobrenatural (1976)
Editora Nova Aguilar
p. 455-6

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Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.


Escrito por Rodrigo às 03h22
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Um Mundo, um Mestre – Parte Final

“Eleve os honestos sobre os malfeitores, e terá apoio do povo. Eleve os malfeitores sobre os honestos e não terá apoio do povo.”

Confúcio

In: Analectos, Cap. II, Verso 19

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Escrito por Rodrigo às 03h14
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Amor Outono

Faz-nos sonhar
Amor outono
Gracilmente como folhas rubras.
A senda plena de secos sonhos,
Secas folhas, secos gritos;
Mas em um instante
O vento mergulha e urde,
Limpa a rua,
Caindo dos céus
Um beijo de amor não retribuído.

Nikesh Murali

In: Amor Outono, 2003.
Tradução: Teotonio Simões
Rowepublishing


Escrito por Rodrigo às 03h11
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23/08/2008

Geometria dos Ventos
 
Eis que temos aqui a Poesia,
a grande Poesia.
Que não oferece signos
nem linguagem específica, não respeita
sequer os limites do idioma. Ela flui, como
um rio.
como o sangue nas artérias,
tão espontânea que nem se sabe como foi
escrita.
E ao mesmo tempo tão elaborada -
feito uma flor na sua perfeição minuciosa,
um cristal que se arranca da terra
já dentro da geometria impecável
da sua lapidação.
Onde se conta uma história,
onde se vive um delírio; onde a condição humana
exacerba,
até à fronteira da loucura,
junto com Vincent e os seus girassóis de fogo,
à sombra de Eva Braun, envolta no mistério ao
mesmo tempo
fácil e insolúvel da sua tragédia.
Sim, é o encontro com a Poesia.

Rachel de Queiroz
 
Poesia feita em homenagem ao poema "Geometria dos Ventos" de Álvaro Pacheco

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Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.


Escrito por Rodrigo às 16h00
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Um Mundo, um Mestre – Parte 15

“O homem nobre não procura saciar-se comendo, não procura facilidade em viver, é rápido em seus negócios e prudente ao falar, e conserva a retidão daqueles que estão no caminho. Ele pode ser considerado devoto ao aprendizado.”

Confúcio

In: Analectos, Capitulo 1, Verso 14.

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Escrito por Rodrigo às 00h10
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